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Thiago Cruz/UFRGS
Cláudio Luciano Dusik defendeu nessa terça-feira (26) dissertação de mestrado na UFRGS
O psicólogo Cláudio Luciano Dusik, 36, defendeu na manhã dessa
terça-feira (26) dissertação de mestrado em que aplica a metodologia que
ele mesmo criou para superar as limitações de uma doença congênita.
Dusik, 36, tem atrofia muscular espinhal, doença genética que causa
degeneração dos neurônios motores.
A dissertação "Tecnologia virtual silábico-alfabético: tecnologia
assistida para pessoas com deficiência" foi defendida no Programa de
Pós-Graduação em Educação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande
do Sul). Ele foi o primeiro aluno com deficiência física a concluir
mestrado no programa.
Desde a infância, o psicólogo vem paulatinamente perdendo os movimentos
de pernas e braços – hoje ele conserva ativos, e ainda assim
parcialmente, apenas a cabeça e a mão esquerda. A atividade cognitiva
permanece intacta.
A tecnologia exposta na dissertação de mestrado permite que ele utilize
o mouse para digitar e acessar conteúdos na internet apenas com o
movimento de um dedo. O aplicativo desenvolvido por Dusik, um autodidata
em computação, é usado por outras cinco pessoas com limitações físicas a
partir de pequenas adaptações. Atualmente, ele atua como tutor em
cursos da Universidade Aberta do Brasil.
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Em
1994, no momento em que foi anestesiado para uma cirurgia nos olhos,
Valdemir Pereira Corrêa enxergou pela última vez. Nasceu com glaucoma,
mas "uma sucessão de erros médicos" em clínicas de Campinas (SP) e São
Paulo lhe tirou definitivamente a visão, aos 24 anos. Após entrar em uma
escola de surfe e redescobrir o prazer do aprendizado, Corrêa decidiu
prestar vestibular para educação física e, aos 43 anos, formou-se pela
Unisanta (Universidade Santa Cecília), em Santos (SP)
Leia mais Francisco Arrais/Divulgação - Prefeitura de Santos
Difícil inclusão
Na dissertação, Cláudio detalhou o teclado virtual que utilizava em
casa para superar as limitações da doença. Diagnosticado ainda criança, o
agora mestre em educação enfrentou inúmeras dificuldades para estudar
junto com alunos normais e superar a expectativa de morte iminente. Sob
orientação da professora Lucila Maria Costi Santarosa, a dissertação
sistematizou a nova tecnologia assistida – o aplicativo de um teclado
virtual – e relatou os casos de cinco usurários que se beneficiam do
método.
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Claudio, que mora na região metropolitana de Porto Alegre, conta que
desenvolveu o sistema para poder concluir os estudos de psicologia, já
que a doença se agravou nesse período. O estudante começou a pesquisar
alternativas em compêndios de informática que lia nos intervalos da aula
e nas madrugadas. O método consiste num programa que seleciona letras,
sílabas e palavras na tela a partir de apenas um toque no mouse.
O estudante pretende agora colocar sua criação livremente à disposição
de pessoas que, a exemplo dele, necessitam do recurso para poder
escrever com apoio do computador e interagir virtualmente.
O uso da cadeira de rodas não impediu Dusik de levar adiante sua
pesquisa. Nos deslocamentos de Esteio até Porto Alegre, o estudante
contou com a companhia da mãe no transporte especial. Muitas orientações
da professora Lucila foram realizadas pelo Skype para que ele não
precisasse se deslocar até a Faculdade de Educação.
A mãe de Cláudio, Elza Arnoldo, festejou a conquista. "Ele é um exemplo
de que é possível às pessoas com deficiência vencer o medo, a vergonha e
o receio e enfrentar as batalhas do mundo. Quando criança, os médicos
diziam que o Cláudio teria de sete a quatorze anos de vida. Vivíamos em
luto. Ele foi para a escola só para brincar e ter amigos. Hoje está
defendendo seu mestrado", disse Elza.