quarta-feira, 10 de abril de 2013

Depilação masculina pede cuidados especiais com método e aplicação


Veja qual procedimento é melhor para cada parte do corpo e como evitar irritações


Embora no passado a depilação tenha sido tratada como um hábito majoritariamente feminino, hoje em dia a prática está sendo adotada também por homens que procuram cuidar melhor da higiene, ou mesmo aqueles que possuem pelos excessivos em determinadas partes do corpo, como costas e peito, e sentem-se incomodados com isso. No entanto, são necessários cuidados diferentes para a depilação masculina, principalmente porque os pelos em geral estão em maior quantidade e são mais grossos do que os femininos. Confira quais os métodos mais recomendados e os cuidados essenciais com a pele:

Lâminas de barbear

As lâminas de barbear são o método mais usado pela ala masculina na região da barba. Além de ser uma opção econômica, podem ser muito eficiente se o processo for realizado com os devidos cuidados. É importante que ela seja sempre trocada, para evitar infecções e que sejam usados os produtos certos para evitar irritações na pele. A lâmina pode ser um problema para quem tem pelo encravado na região. Nesse caso, a solução é buscar outra alternativa, como a cera e a depilação a laser.

De acordo com a cirurgiã plástica especialista em pele Kátia Haranaka, da Sociedade Brasileira de Laser, as lâminas não são os mais indicados para remover pelos de outras regiões da pele masculina, como peito, costas, região íntima e axilas. Elas não eliminam o pelo da raiz e podem provocar coceiras e irritações com mais facilidade. "Além disso, é um método que causa desconforto, pois o homem precisará repetir várias vezes na mesma semana", explica a especialista. Esse método é mais indicado para homens que não tem um acúmulo grande pelos, sendo mais prático e barato. "Nesses casos, a opção também é escolher outros procedimentos, como laser ou cera", completa.  
cera - Foto: Getty Images

Cera quente ou fria

 Em ambos os casos, aplica-se a cera na pele e retira os pelos pela raiz. "A cera quente provoca menos dor que a fria, por dilatar os poros no processo, facilitando a retirada dos pelos", explica a cirurgiã plástica Kátia. Como os pelos masculinos tendem a ser mais grossos que os da mulher, esse tipo de depilação pode ser ainda mais dolorosa - não sendo, portanto, recomendada para áreas mais sensíveis como peito, rosto e área íntima. "Não saia sem passar um filtro solar na área depilada, pelo menos enquanto perdurar a vermelhidão do local, pois se pegar sol, vai manchar", alerta Kátia Haranaka. Também é importante que a cera não seja reaproveitada, pois essa prática pode causar infecções ou irritações locais. "Deve-se ter cuidado com a cera quente que, quando não usada corretamente, pode causar queimaduras locais", completa a dermatologista Ana Carolina. Também vale lembrar que o procedimento precisa ser repetido a cada 15 ou 20 dias.
depilação com roll-on - Foto: Getty Images

Depilação com cera roll-on

Neste procedimento é aplicada uma cera morna, e a depilação é feita com ajuda de um aparelho em forma de roll-on. "Pelo fato de a cera estar morna, não é um procedimento que queime a pele, mas ainda sim é muito dolorido", diz a cirurgiã especialista em pele Kátsia. O método é normalmente indicado para pernas e braços, que são áreas mais resistentes à dor e correm um menor risco de sofrer irritações. O intervalo de tempo para repetir o procedimento em geral é o mesmo da depilação com cera quente e fria, podendo variar entre 15 a 20 dias.
homem fazendo depilação a laser - Foto: Getty Images

Depilação a laser

Esse método é recomendado para pessoas que tem uma concentração muito grande de pelos. Também é recomendado para homens que sofrem com os pelos encravados (foliculite) na região da barba. Dependendo do número de sessões, é possível apenas deixá-los mais finos em menor volume, ou então uma depilação definitiva. "O laser soft light é indicado para todos os tipos de pele, da negra à clara e permite que o paciente retome suas atividades logo após a sessão", afirma a cirurgiã plástica Kátia. É indicada uma sessão ao mês até que você se sinta confortável com a espessura e quantidade dos pelos. No entanto, é importante lembrar que a região da barba sofre com muita influência hormonal, que provocam o crescimento de alguns pelos no local - por isso a depilação a laser no rosto quase nunca é definitiva. "A dor é um fator limitante para os homens, pois os pelos, sendo espessos, provocam muita dor nas primeiras sessões", diz. "Mas uma pomada anestésica ajuda a resolver o problema."
homem retirando os pelos da sobrancelha com pinça - Foto: Getty Images

Pinças e threading

Esses procedimentos também retiram os pelos pela raiz, sendo que o threading utiliza uma linha para puxar os pelos. São comumente usados no nariz, nas orelhas e nas sobrancelhas. Ambos são demorados e tendem a ser um pouco dolorosos, mas são eficazes e os pelos podem demorar até 30 dias para nascer novamente. "Os pelos que estão na parte interna do nariz não devem ser retirados pela raiz, pois servem de proteção para o órgão, evitando que sujeira e bactérias entrem no organismo", explica a cirurgiã plástica Kátia. "Nesse caso, o melhor é usar uma tesoura própria para retirar pelos."
tesoura - Foto: Getty Images

Quando compensa aparar?

Se você não quer depilar completamente os pelos, mas sente que eles incomodam, uma opção é apenas aparar com uma tesoura própria para essa finalidade. "É aconselhável aparar os pelos das axilas e os pubianos, ajudando a manter a higiene local e diminuindo os odores", diz a cirurgiã plástica Kátia.

Evite irritações

Apesar de existirem diferentes tipos de depilação, alguns cuidados devem ser tomados para todas elas, de forma que a pele não fique irritada. "Antes de tudo, é primordial manter a pele hidratada e preferir fazer a depilação após o banho, pois os poros estarão dilatados, favorecendo a remoção dos pelos", diz a dermatologista Ana Carolina. Principalmente para os casos de depilação com lâmina, a pele deve estar sempre úmida ou molhada no momento da depilação, evitando irritações. "O ideal é evitar água muito quente antes e depois da depilação, pois a bucha, a espuma e a água quente ressecam e retiram a camada de proteção da pele", explica a cirurgiã Kátia. As especialistas afirmam que os melhores produtos para depilação são géis ou loções compostas com substâncias calmantes. "Além disso, produtos com baixa concentração de ácido salicílico e enxofre ajudam a diminuir o risco de foliculite e pelos encravados?, afirma a dermatologista Marcia Linhares. "No caso de muita vermelhidão e afecções pré-existentes, podem ser usados cremes à base de corticoides e antibióticos." Outro ponto essencial é o uso do filtro solar, principalmente no rosto, orelhas, pescoço, colo e dorso das mãos.  

Inclua mais fibras na dieta e aproveite os benefícios

Trabalhador pode entrar com ação na Justiça sem advogado; saiba como fazer


O empregado que deseja entrar com uma ação trabalhista não precisa ter um advogado para fazer valer os seus direitos. Prevista na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) desde 1943, a possibilidade ainda é desconhecida de boa parte dos trabalhadores e tem gerado debate entre diferentes atores da Justiça do Trabalho.
 
 
A juíza Ieda Regina Alineri Pauli, responsável pelo setor de reclamações verbais do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) em São Paulo, explica que cerca de 70 pessoas são atendidas por dia no setor de reclamações verbais do Fórum Ruy Barbosa, localizado na Barra Funda. Desse total de atendimentos, apenas 10% viram ações, já que parte dos trabalhadores busca apenas informações sobre como funciona o processo.
 
Apesar de valer em todo o país, a possibilidade é questionada pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que defende a extinção das reclamações trabalhistas sem advogados. Entre os advogados, o entendimento é de que ações sem um defensor acabam sendo desiguais e geram prejuízos econômicos para o trabalhador, que, em geral, tem pouco conhecimento da legislação e das jurisprudências específicas.
 
“Diante da complexidade da legislação trabalhista e da processual, é praticamente impossível hoje um trabalhador leigo ter condições de pleitear diretamente os seus direitos na Justiça do Trabalho”, afirma o advogado Eli Alves da Silva, que é presidente da Comissão de Direito Trabalhista da OAB.
 
Para a juíza, porém, retirar essa possibilidade do trabalhador seria um retrocesso. “Acredito que a Justiça tem que estar à disposição do cidadão e não restringir uma medida tão positiva”, afirma.

A magistrada argumenta ainda que a possibilidade vale não só para o empregado, como também para o empregador, e que a medida deveria ser ampliada e não banida. “No meu entendimento, o preceito na Constituição [da indispensabilidade do advogado] não conflita com a CLT”, diz.
 
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Veja dez direitos básicos de todo trabalhador11 fotos

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Publicada em 1º de maio de 1943, a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) foi criada para regular as relação trabalhistas no Brasil. Veja a seguir dez direitos garantidos a todos os trabalhadores: Evelson de Freitas/Folhapress
“Alguém poderia dizer que isso é uma postura corporativa dos advogados, mas não é isso. Quando você vai fazer um investimento na construção civil, busca um engenheiro ou um arquiteto; quando tem um problema de saúde, busca um médico; quando tem um problema jurídico, deve procurar um profissional que esteja preparado para atender e reivindicar os seus direitos”, afirma o representante da OAB.
 
Como esses processos sem advogados tramitam como outro qualquer na Justiça, não há um levantamento sobre quais são os resultados dessas ações.
 

Saiba como fazer

 
Discussões à parte, o trabalhador que deseja fazer uma reclamação trabalhista deve procurar a Vara do Trabalho mais próxima. É preciso levar uma série de documentos (veja a relação completa no infográfico), entre eles RG, CPF, carteira de trabalho e comprovantes da relação trabalhista.
 
Os acordos e as convenções coletivas, que devem ser anexados, normalmente são disponibilizados na internet ou podem ser consultados no sindicato da categoria.
 
No setor de reclamações verbais, os servidores transformam o material do trabalhador em uma petição e a ação é distribuída para uma vara. O processo segue o caminho de qualquer outro, mas a qualquer momento é possível nomear um defensor para atuar no caso.
 
A medida, recomendam especialistas, é mais eficaz em casos que podem ser resolvidos em acordos em primeira instância, já que os recursos em tribunais superiores podem inviabilizar a condução do processo sem um advogado.
 

Homens dormem e mulheres querem falar depois do sexo?


A cena virou clichê: depois de fazer sexo, a mulher desanda a falar e o homem ronca. Esse foi o tema de uma pergunta encaminhada pelo internauta do UOL ao colunista Jairo Bouer, psiquiatra e especialista em sexualidade. 

Você sente um sono incontrolável depois de transar?

Resultado parcial
Para Bouer, essa não é uma verdade absoluta: muitos homens gostam de dormir depois de transar, mas outros ficam bem acordados. E o mesmo vale para as mulheres: algumas também sentem a maior preguiça depois da relação sexual. Tudo depende da situação. "Se o indivíduo está mais cansado, ou estressado, de repente depois do sexo ele quer dormir, mesmo", diz. 
O importante, segundo o colunista, é que, se o comportamento estiver interferindo no relacionamento do casal, é importante conversar para tentar acertar os ponteiros.
No @saúde desta semana, Jairo Bouer também responde a outras duas dúvidas sobre sexo e saúde. Um internauta quer saber se a ejaculação precoce pode ter fundo genético. Segundo o colunista, a maioria dos casos tem a ver com questões emocionais. 
Outro internauta pergunta se um acidente com bola na infância pode ter causado uma lesão nos testículos a ponto de prejudicar o desempenho sexual cerca de 15 anos depois. Para Bouer, a alteração no desempenho relatada na pergunta provavelmente tem outras causas.

Se consumido com cuidado, amendoim ajuda a prevenir doenças

Quando consumido na quantidade certa, o amendoim garante a saciedade por mais de duas horas

  • Quando consumido na quantidade certa, o amendoim garante a saciedade por mais de duas horas
Quando se fala em amendoim, a maioria das pessoas já pensa em algo saboroso, mas engordativo. Porém, esta primeira impressão é enganosa. Estudos recentes comprovam que, se ingerido com parcimônia, pode fazer muito bem à saúde.

Pesquisa elaborada e apresentada pela nutricionista e fitoterapeuta Vanderli Marchiori durante o Congresso Paulista de Nutrição, no ano passado, trouxe resultados surpreendentes sobre os efeitos desta leguminosa brasileira no organismo humano. A nutricionista, que também é assessora técnica da Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados),  baseou-se em estudos realizados pelas Universidades de Harvard e de Yale, nos EUA, que revelaram as propriedades funcionais do amendoim.
O médico Paulo Henkin, Chefe do Serviço de Nutrologia do Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre e membro da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia) alerta para uma característica do amendoim que pode ser perigosa: " Diferente das castanhas e das amêndoas, que ficam sobre a terra, o amendoim fica embaixo da terra por um tempo e, nisso, pode adquirir mofo e desenvolver aflatoxina, que é uma substância cancerígena. Mesmo depois de torrado, é preciso cuidado".
Assim, ele frisa a importância de se prestar atenção em três aspectos: se o alimento foi produzido, conservado e transportado adequadamente. "Aqui temos o selo da Abicab nos produtos de boa procedência. Nos Estados Unidos, onde se consome muito amendoim, o controle é bem mais rígido".
Benefícios à saúde

A nutricionista enfatiza que a composição do amendoim é rica em ácidos graxos insaturados, que são benéficos à saúde e fonte de proteína vegetal, fibra dietética, vitaminas, antioxidantes, minerais e fitoquímicos. "Por isso, o amendoim é grande aliado da nutrição humana", afirma.

Segundo ela, os estudos também mostraram que, quando consumido na quantidade certa (recomendam-se 30 g por dia, o equivalente a 142 calorias) e em lanches intermediários, o amendoim garante a saciedade por mais de duas horas: "Isso inibe a ingestão de lanches mais calóricos, ou seja, ele não engorda e ainda ajuda no processo de reeducação alimentar".
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Consumido com cuidado, amendoim ajuda a prevenir doenças8 fotos

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CORAÇÃO: a nutricionista Vanderli Marchiori diz que existem evidências, especialmente de estudos epidemiológicos, de que as oleaginosas apresentam forte efeito protetor contra as doenças cardiovasculares. "Dessa maneira, sugiro a inclusão diária das mesmas em dietas com funções preventivas na redução do risco cardiovascular", diz. Já o nutrólogo Paulo Henkin afirma que há muitos trabalhos correlacionando alimentação de qualidade com risco menor de doenças cardiovasculares: "O amendoim faz parte da lista de alimentos bons para o coração, sim. Porém, ele sozinho não faz diferença" Thinkstock
Gordura do bem

Henkingre afirma que as oleaginosas como amendoim, nozes e castanhas são ricas em óleos mono e poli-insaturados: "Essas gorduras são formadas por ácidos graxos e, se forem consumidas adequadamente podem, sim, fazer bem".

"Recomendamos que por volta de 30% da necessidade calórica diária seja de gorduras. Por exemplo, se você precisa de 2000 kcal diárias, 600 delas podem ser gorduras. Daí, o ideal é que as misture", ensina o especialista. Como exemplo ele cita: 10% monoinsaturadas (amendoim), 10% poli-insaturadas (queijo ou leite) e 10% saturadas (óleo de milho, castanhas).

Mas por que as pessoas ainda veem o amendoim como algo engordativo? "Porque pensam numa porção de 100 gramas, por exemplo, que tem valor calórico alto. Elas precisam entender que a porção de consumo geral tem de 30 a 40 gramas, cozido ou torrado, com pouco ou nenhum sal. O que não acarreta ganhos de peso", ensina Marchiori.

Prevenindo doenças

Em relação à prevenção de doenças, os resultados apresentados pela pesquisa são ainda mais significativos. "Além de seu alto valor nutritivo, com perfil vitamínico invejável e grande quantidade de proteínas vegetais – de 25% a 30% de sua composição – o amendoim é rico também em fitoesteróis. Trata-se de um tipo de gordura com estrutura semelhante à do colesterol, mas que, ao contrário deste, tem origem vegetal e não é produzida pelo corpo", afirma a nutricionista.

Entre as doenças que podem ser prevenidas estão as coronárias, o câncer, o diabetes e o mal de Alzheimer. Porém, é preciso alguns cuidados, como saber a procedência do produto e consumir cerca de 30 gramas por dia, pois, em excesso, o amendoim pode não só engordar como provocar diarreia. 

'Fux disse que ia me absolver', diz Dirceu sobre julgamento do mensalão

'Fux disse que ia me absolver', diz Dirceu sobre julgamento do mensalão

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FERNANDO RODRIGUES
EM SÃO PAULO
MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA
O ex-deputado federal e ex-ministro José Dirceu de Oliveira e Silva, 67 anos, contou ontem sua versão a respeito de uma promessa que teria recebido de absolvição no processo do mensalão.
Em entrevista ao Poder e Política, programa da Folha e do UOL, Dirceu disse ter sido "assediado moralmente" durante seis meses por Luiz Fux, que era ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e desejava ir para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Trechos da entrevista com José Dirceu - 15 vídeos

 
A reunião entre ambos ocorreu num escritório de advocacia de conhecidos comuns. Ao relatar esse encontro, Dirceu faz uma acusação grave. O ex-ministro afirma não ter perguntado "nada" [mas Fux] "tomou a iniciativa de dizer que ia me absolver".
Num outro trecho da entrevista, segundo Dirceu, "ele [Fux], de livre e espontânea vontade, se comprometeu com terceiros, por ter conhecimento do processo, por ter convicção".
O ex-ministro afirma ainda que Fux "já deveria ter se declarado impedido de participar desse julgamento [do mensalão]".
No início de 2011, Fux foi nomeado pela presidente Dilma Rousseff para o STF. Durante o julgamento do mensalão, votou pela condenação de Dirceu -que acabou sentenciado a de dez anos e dez meses de reclusão mais multa.
Em entrevista à Folha em dezembro do ano passado, Fux admitiu ter se encontrado com Dirceu, mas negou ter dado qualquer garantia de absolvição. "Se isso o que você está dizendo [que é inocente] tem procedência, você vai um dia se erguer", teria sido a frase que o então candidato ao STF ofereceu ao petista.
Agora, Dirceu contesta em público essa versão de Fux. Foi a sua primeira entrevista formal depois de ter sido condenado. O ex-ministro da Casa Civil de 2003 a 2005, durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, acha "tragicômico" que Fux declare ter tomado conhecimento mais a fundo do processo do mensalão apenas ao assumir no STF: "É que soa ridículo, no mínimo (...) É um comportamento quase que inacreditável".
O fato de Fux ter prometido absolver Dirceu ajudou na nomeação para o STF? A presidente Dilma levou isso em consideração? Dirceu: "Não acredito que tenha pesado, não acredito que tenha pesado. Eu não participei da discussão da nomeação dele porque sempre fiz questão de não participar".
A seguir, trechos da entrevista:
Folha/UOL - Como foi o encontro do sr. com o ministro, que depois foi muito rigoroso no julgamento, Luiz Fux [do STF]?
José Dirceu - Com relação à minha reunião com o então ministro do STJ Luiz Fux, que eu não conhecia, eu fui assediado moralmente por ele durante mais de seis meses para recebê-lo.
Como foi esse assédio?
Através de terceiros, que eu não vou nominar. Eu não queria [recebê-lo].
Quem são esses terceiros? São advogados? Lobistas?
São advogados, não são lobistas. Eu o recebi, e, sem eu perguntar nada, ele não apenas disse que conhecia o processo... Porque ele dizer para sociedade brasileira que não sabia que eu era réu do processo do mensalão é tragicômico. Soa...
Ele mentiu?
Não. É que soa ridículo, no mínimo, né?
Mas por quê? Ele sabia?
Como o ministro do STJ não sabe que eu sou réu no processo?
Mas, então, o sr. está dizendo que ele mentiu [depois ao dizer que não conhecia bem o processo]?
Não. Eu não estou dizendo que ele mentiu. Eu estou dizendo que soa ridículo. É só isso que eu vou dizer. E ele tomou a iniciativa de dizer que ia me absolver. Eu...
Ele disse para o sr.: "Eu vou te absolver"?
...Disse textualmente...
E qual foi a frase?
Que ia me absolver.
Foi assim: "Eu vou absolver o sr."?
Eu disse assim: eu não quero que o sr. me absolva. Eu quero que o sr. vote nos autos, porque eu sou inocente. Não é porque não tem prova não. Eu fiz contraprova, porque eu sou inocente.
Mas como que ele falava? "Eu o conheço e vou absolvê-lo"?
Não vou entrar em detalhes porque não é o caso. Eu quero dizer o seguinte: para retratar, para fazer uma síntese, uma fotografia do encontro, é isso.
Onde foi o encontro?
Num escritório de advocacia.
Existia uma história de que ele falava: "Eu mato no peito". E ele disse que falou para o José Eduardo Cardozo [ministro da Justiça], mas em outras circunstâncias. Essa frase foi dita?
Para mim, não.
Esse encontro foi num escritório de advocacia, agendado por terceiras pessoas?
Sim.
Que eram amigos comuns?
Não eram amigos comuns. Podem ter sido amigos dele. Tinham referências de terceiros, que eram pessoas sérias, responsáveis, de boa fé. Como até hoje eu acredito que estavam de boa fé.
E o sr. acreditava que ele ia inocentá-lo? Isso pesou na nomeação dele [de Luiz Fux para o STF]? A presidente Dilma levou isso em consideração?
Não acredito que tenha pesado, não acredito que tenha pesado.
Na hora de discutir a nomeação dele...
Eu não participei. Eu não participei da discussão da nomeação dele porque sempre fiz questão de não participar. Porque, evidente, eu como réu do Supremo tinha que tomar todos os cuidados para evitar que minha situação se agravasse, como o resultado final mostrou.
Como é que o sr. se sentiu quando ficou claro que o ministro Luiz Fux iria votar pela sua condenação?
Depois dos 50 anos que eu tenho de experiência política, infelizmente eu já não consigo me surpreender...
Mas o sr. sentiu alguma coisa?
A única coisa que eu senti é a única coisa que me tira o sono. Nem a condenação de dez anos e dez meses me tira o sono porque eu tenho certeza que eu vou revertê-la.
O que foi?
O comportamento do ministro Luiz Fux. Porque é um comportamento que... Ele, de livre e espontânea vontade se comprometeu com terceiros, por ter conhecimento do processo, por ter convicção, certo? Essa que era a questão, que ele tinha convicção e conhecimento do processo. Acho que isso aí diz tudo. É um comportamento quase que inacreditável.
O sr. acha que cabe alguma medida no caso, sobre esse episódio?
Eu acho que ele já deveria ter se declarado impedido de participar desse julgamento, não é?
A sua defesa vai apresentar recursos. O sr. está com alguma esperança de ter sucesso?
Vai apresentar os recursos. Embargos declaratórios e infringentes. Depois do transitado em julgado, nós vamos para a revisão criminal. E vou bater à porta da Comissão Internacional de Direitos Humanos para ir ao Tribunal Penal Internacional de San José.
Não é que eu fui condenado sem provas, como disse o ministro do Supremo, que os réus queriam que as provas aparecessem, como se não fosse o óbvio, que cabe à acusação apresentar as provas e comprovar o crime. Não houve crime, eu sou inocente. Me considero um condenado político. Foi um julgamento de exceção, foi um julgamento político. A cada dia eu me convenço mais disso porque os fatos comprovam isso.
Mas era um tribunal cuja maioria foi nomeada pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma...
Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O que caracterizou esse julgamento como político é evidência pública. Um julgamento que foi deliberadamente marcado junto com as eleições. Eu fui julgado e condenado na véspera do primeiro turno e na véspera do segundo. E não tiveram o pudor de antecipar o meu julgamento para um ministro participar porque ia, pela expulsória, se aposentar e não ia participar do meu julgamento. A transmissão de um julgamento como esse pela televisão, a exposição de um julgamento como esse na televisão é algo inacreditável. Porque, se há uma disputa política durante sete anos que existiu o mensalão, que havia o dinheiro público, que foram comprados parlamentares, o mínimo que, na medida em que se devia adotar, é que o julgamento obedecesse a norma de todos os julgamentos. Nenhum julgamento teve a exposição que esse julgamento teve.
O sr. acha que os ministros ficaram com medo da TV?
Desde o oferecimento da denúncia, é evidente que houve pressão externa sobre o Supremo para que esse julgamento tivesse caráter. Porque, segundo os autos e as provas, e o julgamento do julgamento vai ser feito. Eu, pelo menos, enquanto eu suspirar, eu vou lutar para provar a minha inocência. Porque eu sempre tive que provar a minha inocência. Porque eu nunca tive a presunção da inocência.
Veja bem: Eu fui processado pela Câmara porque o Supremo mudou a jurisprudência para eu ser processado. Todo mundo já esqueceu isso. Por 7 a 4. Eu não era deputado, eu estava licenciado. Eu não tinha imunidade. Como é que eu ia quebrar o decoro parlamentar? Por 7 a 4, mudou. A Comissão de Ética da Câmara... Toda vez que um partido retirava a representação, ela arquivava. No meu caso, o PTB retirou a representação contra mim. Foi retirada. Ninguém se lembra disso também. [A Comissão de Ética] continuou a investigação. Eu fui cassado sem provas pela Comissão e pelo Congresso. A denúncia era inepta no meu caso. Ela foi aceita. Eu fui julgado e fui condenado.
O procurador-geral da República disse que as provas eram tênues. E o Supremo, para me condenar, deixou de lado a exigência do ato de ofício contrariamente a todos os antecedentes do Supremo e usou, indevidamente, a teoria do domínio do fato. Então, como é que o meu julgamento não é político? Eu não consigo entender porque eu fui condenado. Por que eu era ministro? Por que eu era chefe da Casa Civil? Por que eu era líder do PT? Mas aonde estão as provas?
Mas o Supremo considerou provas materiais os pagamentos feitos pela Visanet.
Primeiro, não é dinheiro público. A Visanet é uma empresa privada.
Mas o Supremo não o considerou [o dinheiro] como público?
Mas o Supremo cometeu um erro jurídico gravíssimo que nós vamos levar isso à revisão criminal. Primeiro, o dinheiro não é público. É privado. Alguém que deve para a Visanet está inscrito na dívida ativa da União? Isso é ridículo. Segundo: Há provas, e elas são apresentadas agora já nos recursos e na revisão criminal, que todos os serviços foram prestados, há provas, à campanha do Ourocard. Primeiro que, é preciso ficar claro, os recursos da Visanet vêm de 0,1% de cada movimento de cartão. Cria-se um fundo de incentivo à Visanet. Esse fundo é privado. O fundo deposita na conta da agência de publicidade no Banco do Brasil ou não banco em que a agencia estiver. No caso, a DNA tinha no Banco do Brasil. Não é dinheiro do Banco do Brasil para a Visanet, para a DNA. É dinheiro do proprietário de cartão Visanet que o usa para um fundo privado de incentivo que pagou a DNA e, [em] todas as campanhas, está comprovada que ela foi feita e os valores. Foi feito uma auditoria pela Visanet, há auditorias do Banco do Brasil e está se fazendo, agora, uma auditoria independente. Vai ser apresentado o campeonato de vôlei de praia, o campeonato de tênis, a campanha com relação ao Círio de Nazaré, a réveillon do Rio [de Janeiro] de 2013, se eu não me engano, os shows, as campanhas culturais, o Círio de Nazaré. Tudo isso vai ser apresentado.
O sr. acha que, nessa fase do processo, o Supremo vai estar propenso a rever essa interpretação que eles tiveram sobre ser ou não ser dinheiro público?
A perícia pode ser contestada. A perícia da Polícia Federal é infundada, certo? Os peritos nunca disseram que havia pagamentos, veja bem, do Banco do Brasil para a DNA. Nunca disseram isso. Basta ler os autos. Outra coisa que os peritos jamais disseram: Os peritos nunca disseram que havia dinheiro público. Nunca disseram isso. Há peritagem e há peritagem. Vamos ver a perícia, agora, como vai ficar na discussão jurídica.
Mas o sr. é uma pessoa experiente. O sr. tem expectativa que, nessa fase, o sr. possa vir a ser inocentado no processo?
A expectativa que eu tenho é que se faça justiça. A formação de quadrilha foi 6 a 4. Eu tenho direito a um embargo infringente e vou apresentar. Não é possível que se caracterize como formação de quadrilha os fatos que estão descritos na ação penal. Por isso que quatro ministros discordaram veementemente. Há duas teses para serem rediscutidas porque é um direito que nós temos. Nos embargos declaratórios, eu vou procurar mostrar que a pena que eu recebi na corrupção ativa... Porque é isso que está em discussão, e não o mérito, porque eu não tive quatro votos para o embargo infringente. Ela [a acusação de corrupção ativa] é completamente fora da jurisprudência do próprio Código Penal e de Processo Penal. Essa é a discussão que se faz agora. Mas, na revisão criminal, se há um erro jurídico grave, que há dinheiro público e que esse dinheiro foi desviado, não houve desvio de dinheiro público. Os recursos que eram para o PT tiveram origem em empréstimos que as empresas do Marcos Valério fizeram em um banco e esses empréstimos foram repassados para a tesouraria do PT. Essa é a origem do dinheiro, não é a Visanet e nem houve desvio de dinheiro na Câmara. O contrato foi cumprido, o serviço foi prestado. O Tribunal de Contas declarou lícito e, também, a Comissão de Sindicância Interna da Câmara. O controle interno da Câmara nomeado pelo Severino Cavalcante. Aliás, não há nomeação legal no Diário Oficial. [O controle interno da Câmara] é que disse que o contrato não cumpriu os seus objetivos, que houve desvio de recursos. Toma como desvio de recursos o volume, o bônus de volume, que é uma prática legal de mercado. Inclusive, foi legalizada no Congresso Nacional depois. Isso não pode ser confundido com desvio de recursos para campanha eleitoral, para qualquer outro fim.
O que é o caixa dois?
Pode ser dinheiro de origem legal que não é declarado que está indo para o partido.
Por que precisava do Marcos Valério para fazer isso? Se fosse uma simples operação de caixa dois, não seria uma empresa pegando dinheiro e dando para o Delúbio [Soares], que era o tesoureiro? Onde é que surge essa figura tão peculiar que é o Marcos Valério e tão íntima, aí, do principal partido político do país?
Essa pergunta eu não posso te responder porque eu nunca tive nenhuma relação com o Marcos Valério. Ele nunca falou comigo. Ele nunca telefonou para mim. Eu nunca telefonei para ele. Eu nunca me encontrei com ele pessoalmente. Ele foi à Casa Civil acompanhando dois bancos. Na primeira vez, eu nem sabia quem era ele, que ele existia. Porque, no primeiro mês de governo, que foram me convidar. Porque o presidente não podia. Eu fui. Eu fui... Está no jornais do dia. [Eu fui] à uma fábrica do grupo que detém o controle do BMG em Goiás. E, na segunda vez, ele acompanhava o diretor, o presidente do Banco Espírito Santo aqui no Brasil, Ricardo Espírito Santo.
Mas o sr. não procurou entender como que surgiu o Marcos Valério nisso? Se era um simples caixa dois, como é que surgiu o Marcos Valério?
Pelo que consta, o Marcos Valério surgiu a partir de Minas Gerias do PSDB, em 1998, que ele fez essa mesma operação de empréstimos bancários.
E por que o PT incorporou esse tipo de [prática]?
Não cabe a mim responder isso. Porque, como consta dos autos e é público e notório, eu estava na Casa Civil, não estava na direção do PT. Não respondia pelas finanças do PT, nem pelas decisões executivas do PT do diretório do PT. Porque, senão, eu sou parte. Por isso mesmo que não podia estar nessa denúncia. Como outros foram retirados e inocentados, como o Luiz Gushiken, o Sílvio Pereira, a rigor, eu teria que ser inocentado.
Mas o sr. reconhece que, formalmente, o sr. não estava nessa funções mas o sr. tinha uma grande ascendência sobre todas essas pessoas?
Não. São coisas completamente diferentes. Eu tinha ascendência, e tenho... Tinha mais, tenho, [ascendência] política sobre o PT porque eu sou um dos líderes do PT. Eu faço parte da história do PT. Eu construí o PT. Eu sou amigos das pessoas. Tenho relações com as pessoas e elas me ouvem, mas eu não exercia cargo e função e não participei dessas decisões, da tomada dessas decisões. Aliás, todos dizem isso. Ninguém diz o contrário. Ninguém. Não há uma testemunha de que eu participei. Não há uma testemunha que diga que houve compra de votos. Não há uma no processo. Não há uma testemunha que me envolva. E eu fiz contraprova das acusações que me foram feitas. Porque o Roberto Jefferson faz uma acusação de que foi para comprar deputados. Mas os R$ 4 milhões que o PTB e ele receberam não foram para comprar deputados, foram para campanha eleitoral. Ah, a coisa é ridícula. Como é que se aceitou isso na sociedade brasileira? Ele é surpreendido e envolvido numa denúncia que tem um inquérito hoje. Não há nenhum petista nem como testemunha sobre os Correios. Não há um petista envolvido naquele ato de corrupção dos correios. Ele, partir daí, faz uma denúncia de que existe um mensalão e que eu sou o responsável sem nenhuma prova. E acaba como acabou: numa condenação no Supremo Tribunal Federal.
Se o Marcos Valério não tem nada, não sabe nada, se o Lula também não tem envolvimento nenhum nesse assunto, por que o Marcos Valério é tratado com algumas deferências. Por exemplo, ele é recebido pelo Paulo Okamotto, que é presidente do Instituto Lula e que é, talvez, o assessor mais próximo do ex-presidente. Por que o Paulo Okamotto recebe o Marcos Valério?
Boa pergunta para ser dirigida ao Paulo Okamotto. Eu nunca recebi o Marcos Valério. E nunca tive nenhum contato com ele. Nem antes nem depois. Até hoje eu não tenho.
Mas por quê... O sr. conversa sempre com o Lula, não conversa?
O Lula não tem nenhuma preocupação em relação a essa questão, nenhuma. E não deve ter.
Mas por que Paulo Okamotto, que é um interlocutor privilegiado dele [de Lula] recebe...
A não ser que se queira, agora, dar um golpe que não conseguiram dar antes. Quer dizer, conseguir transformar o Lula em réu na Justiça brasileira. A não ser que se vá fazer esse tipo de provocação ao PT e ao país, à nação brasileira.
Mas as pessoas têm que fingir que não estão vendo que o Marcos Valério vai lá falar com o Paulo Okamotto?
O Paulo Okamotto tem que responder por isso. Os que conversam com o Marcos Valério, sejam os advogados, que têm toda razão para conversar...
Os advogados são outra questão. O Paulo Okamotto é um interlocutor do ex-presidente.
Faça essa pergunta ao Paulo Okamotto.
Mas o sr. nunca teve curiosidade de perguntar ao ex-presidente Lula por que isso acontece?
Não. A curiosidade eu não tenho nenhuma. Porque eu conheço os fatos e sei que o Lula não tem absolutamente nada a ver com isso. Absolutamente.
A acusação que o Marcos Valério fez, o Ministério Público e a Polícia Federal vão investigar. Não há por que fazê-lo, porque o Supremo Tribunal, mais de uma vez rejeitou o pedido de incluir o presidente Lula no processo. Não há fatos novos nas declarações do Marcos Valério. Basta ir à CPI e à Polícia Federal, e ao inquérito, para ver que o Marcos Valério já havia declarado. Esses fatos já eram conhecidos. Ele já declarou. Na verdade, eu não vejo por que o Ministério Público pediu essas investigações. Isso era para ser arquivado, mas já que pediu, vamos ver agora as consequências.
Por que o sr. acha que voltou essa onda exatamente agora. Porque o sr. mesmo disse que não há provas materiais construídas contra o sr., contra vários do processo, como não havia contra o ex-presidente Lula. Não obstante alguns ficaram de fora e outros ficaram dentro, condenados como o sr. O presidente Lula, na época, ficou de fora. Agora, vai ser investigado. Por que voltou isso?
Boa pergunta.
Qual é a sua intuição?
Razões políticas para tentar desgastar a imagem do presidente Lula. Manter a agenda do mensalão. Manter o PT e essa agenda do mensalão no noticiário. Essa é a razão. A razão é política, não tem outra razão. Porque do ponto de vista jurídico, do conteúdo da denúncia, da delação premiada do Marcos Valério, não há o que investigar nela. Porque tudo isso foi investigado. Aliás, há outras ações na Justiça, porque muitos foram condenados, é importante que se diga para a sociedade saber, por caixa dois.
Se faz um escândalo quando, por um lado, é correto, porque tem que ser condenado o caixa dois. Mas, por outro lado, se você não cometeu um crime, você tem que se defender. Os réus estavam se defendendo porque não cometeram o crime de corrupção e formação de quadrilha. Estavam dizendo que cometeram o crime de caixa dois. Condenável, que a Justiça tem que apurar e cada um tem que responder pelo crime, mas que não é a mesma coisa, certo? A verdade é que essa era uma questão de caixa dois.

Faculdades de pequeno e médio porte pedem mudanças em avaliações


Instituições de ensino superior particulares de pequeno e médio porte pedem mudanças nas avaliações do MEC (Ministério da Educação) e uma maior participação no Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Reunidos em Brasília nessa terça-feira (9), representantes dessas instituições apresentaram dados e discutiram problemas e avanços no setor. 

Segundo dados divulgados pelo Semesp (Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo), as instituições de ensino privado com até 2 mil alunos representam 59% do ensino superior no Brasil. "São instituições diferentes das de grande porte. A maioria está localizada no interior, nos locais aonde as grandes não chegam. Elas estão inseridas no contexto local e apresentam muitas vantagens tanto para os estudantes quanto para os contextos em que estão inseridas", destacou a diretora acadêmica da Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior).
De acordo com a diretora, essas instituições deveriam receber uma avaliação de qualidade de acordo com o contexto em que estão inseridas. "Muitas têm conceito 1 ou 2 no MEC [considerado insuficiente] por não cumprirem as exigências de formação do professor, que devem ser mestres ou doutores, e de dedicação mínima de 20 horas semanais dos docentes". Segundo ela, isso não diminui a qualidade ou a importância da instituição.
A Fatep (Faculdade de Tecnologia de Piracicaba), com cinco anos de existência, é a primeira voltada para o setor na cidade paulista. Na região, está instalada a fábrica de automóveis Hyundai Motor Brasil e, de acordo com o diretor e mantenedor da instituição, Marcos Antonio de Lima, muitos estudantes trabalham no setor. "Para mim seria melhor contratar professores que tivessem contato diário com o mercado, mesmo que não tenham títulos acadêmicos. Mas, para obter uma boa avaliação, tenho que ceder em alguns pontos."
Ele disse que, em relação à carga horária, para cumprir as 20 horas semanais, professores têm que dar aulas além da disciplina principal, de outras relacionadas à competência. "Em vez disso, poderia ter duas jornadas parciais de professores especialistas nessas competências, ou mesmo horistas [pessoas que têm a remuneração calculada por hora de trabalho], que dividissem o tempo entre a sala de aula e o mercado de trabalho."
Outra demanda das instituições é uma maior participação no Fies. A concessão do financiamento atrairia mais estudantes e tornaria as faculdades mais acessíveis. No entanto, para participar do programa, as instituições precisam de uma avaliação positiva, o que não ocorre com grande parte delas.
Outra situação enfrentada pelas pequenas instituições é a concorrência com as de grande porte. De acordo com os números divulgados pelo Semesp, em 2009, os estabelecimentos de pequeno porte somavam 1.363. Em 2011, o número caiu para 1.231.
"Temos que enfrentar o poder e a força política e econômica dos grandes grupos. A nossa faculdade já recebeu ofertas de compra mais de uma vez", disse a diretora acadêmica da Faculdade Nobre de Feira de Santana (BA), Célia Chistina Silva Carvalho. A faculdade é destinada principalmente a cursos na área da saúde. "Foi feito um levantamento e esses cursos foram identificados como as maiores demandas."
A instituição atende, na maioria, a jovens do entorno da região. "A faculdade representa um vetor de desenvolvimento inquestionável e contribui para a interiorização da educação", diz Célia.
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Veja quais são as 20 metas para a educação na década; PNE ainda não foi aprovado20 fotos

Meta 13 - Professores titulados: Elevar a atuação de mestres e doutores nas instituições de ensino para 75%, no mínimo, do corpo docente, sendo, do total, 35% de doutores Leia mais Silvia Zamboni/Folhapress

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