O promotor criminal Rodrigo Merli Antunes defendeu nesta quinta-feira
(14) aos jurados do caso Mércia Nakashima que todas as provas técnicas
colocam o réu Mizael Bispo da Silva na cena do crime. A declaração foi
feita no quarto e último dia de julgamento de Mizael, acusado pelo
assassinato de Mércia, sua ex-namorada, em 23 de maio de 2010.
O julgamento acontece no Fórum de Guarulhos (região metropolitana de
São Paulo) e entrou hoje na fase de debates entre acusação e defesa,
etapa que deve levar até seis horas. Na sequência, se reúne o Conselho
de Sentença --formado pelos jurados, o juiz, os advogados de defesa e a
acusação --para definir se o réu é inocente ou culpado. A partir disso, o
magistrado estabelece a pena, em caso de cndenação.
"Não existe excesso de coincidências", afirmou o promotor, sobre as
evidências técnicas que atribuem a Mizael a culpa pela morte da
advogada.
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O
advogado e policial militar reformado, Mizael Bispo de Souza, chega em
carro de polícia para o terceiro dia do seu julgamento no Fórum Criminal
de Guarulhos, na Grande São Paulo, nesta quarta-feira (13). Ele é
acusado de matar a advogada Mércia Nakashima em maio de 2010 e jogar o
corpo da ex-namorada em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de
São Paulo - ele alega ser inocente das acusações do Ministério Público e
dará sua versão do crime nesta quinta-feira (14) Leia mais Marcos Bezerra/Futura Press
Aos jurados, o promotor resumiu todas as provas. Disse que Mizael usou
um celular 'frio' para falar com o vigia Evandro Bezerra da Silva por 19
vezes no dia do crime. Afirmou que, ao contrário do que diz a defesa, o
rastreador do carro do réu está funcionando. Silva será julgado pelo
crime em julho deste ano também em júri popular.
"O rastreador dele estava perfeito. A partir do dia 23 de agosto é que o
rastreador dele trava, para a defesa. Ele precisava provar que o
rastreador falha", disse o promotor.
O promotor derrubou a tese de que o policial reformado estaria em um
veículo com uma prostituta na hora do crime, já que usou uma antena de
celular não alcançável no local onde o automóvel estava estacionado.
Além disso, Antunes lembrou que quatro elementos da cena do crime --
sangue, ossos, metal da munição e, principalmente, alga -- estavam no
sapato de Mizael.
"Prostituta existe, rastreador deu problema, ERB está maluca, alga não é
alga, sangue não é sangue, osso não é osso, Evandro foi torturado. Se
uma dessas coisas der errado, ele é culpado", disse o promotor.
Mizael afirma que a alga foi "plantada" como prova em seu sapato pela
polícia. "Ninguém plantou, desculpem o termo, porcaria nenhuma",
desabafou o promotor.
Assistente de acusação mostra fotos de Mércia
Após a argumentação do promotor Rodrigo Merli Antunes, foi a vez de o
assistente de acusação Alexandre de Sá Domingues elencar, para os
jurados, 19 mentiras contadas por Mizael Bispo de Souza durante o
processo, em alusão ao número de vezes que o réu ligou para o vigia
Evandro Bezerra da Silva no dia da morte de Mércia Nakashima.
"Senhor Mizael ganhará um prêmio ao final deste julgamento: o de
mentiroso do ano", disse o advogado. Durante todo o tempo em que
Domingues falou, aos berros, as supostas mentiras do réu, um datashow
mostrou, projetadas na parede, imagens de Mércia Nakashima e dos
momentos de sofrimento da família após o crime.
A mãe da vítima, Janete, chorou muito, mas não evitou o olhar atento às
fotos mostradas. O irmão de Mércia, Márcio Nakashima, não quis ver as
imagens. "Que difícil. Virei a cabeça na hora das fotos", disse, durante
o intervalo para o almoço.
Antes de falar sobre as supostas mentiras, Domingues mostrou um e-mail
agressivo de Mizael para Mércia, escrito em 17 de abril de 2010. Para o
advogado, toda a mágoa mostrada pelo réu no texto enviado, prova que o
policial reformado mentiu ao afirmar que tinha um ótimo relacionamento
com a vítima.
O advogado afirmou que Mizael era possessivo e não aceitava a rejeição de Mércia. "Na cabeça doentia dele, ela estava enganando ele. Mizael faz de tudo para se encaixar na verdade que a mente dele criou", afirmou.
No final, Domingues fez um apelo ao corpo de jurados. "Tenho certeza de
que nenhum dos senhores jurados tem uma dúvida sequer de que Mizael
assassinou Mércia", disse.
Antes da argumentação da defesa, o juiz Leandro Cano deu duas horas de
intervalo para o almoço. A sessão deve ser retomada às 13h30
Relembre o caso Mércia
"Só Mizael tinha interesse em matar Mércia"
Mais cedo, em sua explanação, o promotor afirmou que ninguém, além de Mizael, teria interesse em matar Mércia Nakashima.
"É fato que Mércia Nakashima foi assassinada. Quem então teria
interesse de eliminar a vida dela?", questionou Antunes. "Mércia nunca
teve inimigos. Algum relacionamento conflituoso? Isso sim, com Mizael
Bispo de Souza", completou.
Se dirigindo diretamente aos jurados, Antunes afirmou que a defesa
tentou manchar a honra da vítima, ao relacioná-la com traficantes.
"Disseram que ela tinha envolvimento com um tal Vampirinho. Esse traficante morreu uma semana antes que ela", contou.
Para o promotor, que não quis fazer perguntas para Mizael na quarta
durante interrogatório do réu, o policial reformado é "mentiroso".
"Não é possível tanta mentira. Posso até ter cara de idiota. Posso ter
cara de moleque, e tenho. Mas de idiota e moleque, eu não tenho nada",
disse o promotor.
Antunes disse que Mizael, ao contrário do que foi dito pelo réu,
consegue sim atirar e o desafiou a demonstrar as habilidades em
depoimento dado em 2010. Além disso, o promotor acusou o policial
reformado de ter tentado forjar um álibi com uma mulher que se
relacionou com ele.
"Queria nos enganar com uma suposta garota de programa que nunca, eu
garanto, existiu. Ela estaria aqui. A justificativa é que ela tem um
relacionamento e não pode se expor. Nunca vi garota de programa
comprometida. E se fosse deixaria um inocente pegar não sei quantos anos
de prisão? Lorota!", disparou.
A acusação terá duas horas para argumentar para os jurados. Em seguida,
a defesa também contará com duas horas. Após o intervalo para almoço,
quem acusa poderá contar com uma réplica de uma hora e os defensores com
uma tréplica de também uma hora.
Último dia de júri
Nesta quinta-feira (14), os sete jurados --dois homens e cinco
mulheres-- decidirão se Mizael é culpado ou inocente da acusação de ter
matado Mércia.
Após debates entre a acusação e a defesa --que podem durar seis horas
no total --, o Conselho de Sentença formado pelos jurados, o magistrado,
acusação e defesa se reunirá na sala secreta para decidir o futuro do
réu.
Na quarta (12), em um interrogatório que durou duas horas e contou com
perguntas feitas pela defesa e pelos jurados, já que acusação abriu mão
dos questionamentos, Mizael voltou a se dizer inocente.
"Estou sofrendo tanto com isso. Melhor a morte do que ficar preso. Quem
deve, tem que pagar pelo que fez. Quem não deve, tem que rebelar. Eu me
rebelei", explicou. "O direito de tirar a vida é de quem nos deu."
O réu acusou a polícia de ter plantado provas que podem incriminá-lo.
"Tenho certeza que levaram meu sapato na água. Fizeram meu pé. Eu nunca
estive na represa de Nazaré Paulista. Juro pela vida da minha filha de
11 anos", afirmou.
Seus advogados de defesa confiam em uma absolvição e contaram que o réu
está tranquilo, já que, segundo eles, seria incapaz de matar uma pessoa
que amou. "Ele diz que pode cumprir o que for, mas é inocente. Mizael
só aceita a negativa de autoria", disse o advogado Ivon Ribeiro.
O defensor contou que não conta com nenhuma "carta na manga" para a
fase de debates com a acusação, que começa na manhã de hoje. "Só não
virei de regata porque é indecoroso. Não tenho nada na manga", ironizou.
Já a acusação não tem dúvidas quanto a culpa de Mizael. Segundo o
promotor Rodrigo Merli Antunes, o réu pede perdão e clemência, mas não
agiu desta forma com a vítima. Ele ironizou a maneira como o ex-PM tem
se apresentado no julgamento. "O cidadão julgado não é o Mizael desta
semana", afirmou.
Segundo Antunes, a fase de debates será usada para expor as
contradições de Mizael apresentadas no interrogatório de quarta. "Não
quero adiantar o que vamos dizer por uma questão estratégica",
desculpou-se.
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