terça-feira, 19 de março de 2013

Obesidade gera custo de meio bilhão de reais por ano ao governo

  • Paula Giolito/Folhapress
    Cerca de 15% da população brasileira sofre de obesidade, segundo estudos mais recentes Cerca de 15% da população brasileira sofre de obesidade, segundo estudos mais recentes
O tratamento da obesidade e de doenças relacionadas ao excesso de peso gera um custo de R$ 488 milhões de reais por ano ao governo. É o que mostra um estudo feito pela Universidade de Brasília (UnB) e apresentado nesta terça-feira (19) pelo Ministério da Saúde, em Brasília.
O levantamento traz uma metodologia nova, que calcula os riscos atribuíveis à obesidade em problemas de saúde como câncer e doenças cardíacas. O maior custo - de R$ 166 milhões ao ano - refere-se à doença isquêmica do coração (que inclui o infarto).  Em seguida, aparece o câncer de mama, com cerca de R$ 30 milhões, e, em terceiro, o diabetes, com cerca de R$ 27 milhões. 
O total também inclui os gastos diretos com o tratamento da obesidade. As cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde), por exemplo, geram um custo de R$ 32 milhões ao ano para o governo, segundo a pesquisa. 
De acordo com pesquisa do ministério, a proporção de pessoas acima do peso no Brasil avançou de 42,7%, em 2006, para 48,5%, em 2011. No mesmo período, o percentual de obesos subiu de 11,4% para 15,8%.
"Este é o momento de agir, se não quisemos alcançar níveis como o dos EUA, que têm 30% de obesos", comentou o ministro Alexandre Padilha, durante a apresentação dos dados. Ele também mencionou que o índice passa de 25% no Chile e de 20% na Argentina.
Segundo Padilha, um quarto do total gasto com a obesidade e suas consequências no país refere-se aos obesos mórbidos. Isso significa que essa população, que representa 1% dos brasileiros, gera um investimento 60 vezes maior que a de obesos. 
O ministro também destacou que a obesidade está mais presente na população com renda menor que três salários mínimos e com menos de oito anos de estudo.
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Veja destaques do UOL Saúde60 fotos

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19.mar.2013 - O ministro da Saúde Alexandre Padilha em evento para apresentar um estudo sobre a estimativa dos custos da obesidade para o Sistema Único de Saúde (SUS), realizado pela Universidade de Brasília (UnB). De acordo com o levantamento, o valor chega a meio bilhão de reais ao ano, incluindo o atendimento a doenças atribuíveis ao sobrepeso Antonio Cruz/ABr
Portaria
O ministro assinou, hoje, uma portaria que cria a Linha de Cuidados Prioritários do Sobrepeso e da Obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS). O documento estabelece, entre outras coisas, a redução da idade mínima para realização da cirurgia bariátrica para 16 anos, desde que haja indicação de dois especialistas.

Doenças associadas à obesidade

A portaria também prevê diferentes tipos de tratamentos e acompanhamentos ao usuário, o que inclui também atendimento psicológico.
A pessoa com sobrepeso (IMC igual ou superior a 25) poderá ser encaminhada a um polo da Academia da Saúde para realização de atividades físicas e a um Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) para receber orientações para uma alimentação saudável e balanceada.
Atualmente, 82,1% dos 1.888 núcleos contam com nutricionistas, 85,7% com psicólogo e 61,6% com professores de educação física.  Toda a evolução do tratamento será acompanhada por uma das 37 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS), presentes em todos os municípios brasileiros.
O Programa Academia da Saúde é a principal estratégia do ministério para induzir o aumento da prática da atividade física na população. Até agora, já foram repassados R$ 114 milhões, de um total de investimento previsto de R$ 390 milhões.
A iniciativa prevê a implantação de polos com infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados para a orientação de práticas corporais, atividades físicas e lazer. Atualmente, há mais de 2,8 mil polos habilitados para a construção em todo o país e outros 155 projetos pré-existentes que foram adaptados e custeados pelo Ministério da saúde.
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Qual a melhor maneira de combater a obesidade?10 fotos

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A modernidade e a tecnologia também deixaram o homem mais sedentário. A falta de uma atividade física contribui para o acúmulo de gordura no corpo e para o aparecimento de doenças. Estudos provam que quem é magro e sedentário é menos saudável que o gordinho ativo Getty Images

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