O grande número de acidentes envolvendo ciclistas e ônibus no Rio no
último mês, além de gerar apreensão entre os moradores da cidade que se
deslocam em duas rodas, mostra uma falta de visão da bicicleta como meio
de transporte.
Em 40 dias ocorreram ao menos sete atropelamentos e quatro mortes, duas delas registradas nesta última semana.
Atropelamentos recentes de ciclistas no Rio
| 1º.abr.2013 | A diretora de TV Gisela Matta, 36, morreu após ser atropelada por um ônibus. De acordo com familiares da vítima, ela estava de bicicleta na faixa de pedestres quando foi atingida |
| 30.abr.2013 | O dentista Pedro Nicolay, 31, morreu após ser atropelado por um ônibus da linha 433 na avenida Vieira Souto, em Ipanema, na zona sul do Rio de Janeiro. Ele era triatleta amador e treinava com sua equipe quando, segundo testemunhas, o motorista teria avançado o sinal de trânsito e fugido após o acidente. |
| 1º.mai.2013 | O empresário Alberto da Silveira Júnior, 40, foi atropelado por um carro enquanto passava de bicicleta pela praça da Bandeira, na zona norte do Rio de Janeiro. Ele teve apenas ferimentos leves. |
| 3.mai.2013 | O ciclista Diego V. dos Santos, 26, foi atropelado na rua Praia do Flamengo próximo a rua Barão do Flamengo, sentido Botafogo, zona sul do Rio. Ele também não sofreu ferimentos graves. |
| 8.mai.2013 | Um adolescente de 14 anos que estava de bicicleta morreu após ser atropelado por um ônibus da linha 853 (Vila Kennedy-Barra da Tijuca), da viação Jabour na avenida das Américas. Um vídeo de segurança da câmera do ônibus mostra o estudante Jonathas de Lima Mendes atravessando a pista fora da faixa de pedestres |
| 8.mai.2013 | Um menino de 13 anos foi atingido pelo ônibus quando estava com a bicicleta na calçada, e posteriormente encaminhado ao hospital Lourenço Jorge, na Barra. Ele caiu da bicicleta na pista depois do cadarço de seu tênis enroscar no pedal. |
| 9.mai.2013 | O ciclista Marco Aurélio dos Santos, 19, morreu após ser atropelado por um ônibus na noite em Pilares, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo o delegado responsável pelo caso, ele estava sem freios na bicicleta na hora do acidente. |
Para os especialistas ouvidos pelo UOL, falta uma cultura de respeito e
inclusão das bicicletas no planejamento urbano da cidade.
Classificado como o 25º destino mais procurado no mundo por empresas e
organismos internacionais para sediar feiras e congressos, de acordo com
um ranking realizado pela International Congress and Convention
Association (ICCA), o Rio tem, segundo a Secretaria Municipal de Meio
Ambiente, 150 km de ciclovias, malha considerada insuficiente pelo
professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e
especialista em transporte, Alexandre Rojas.
"As ciclovias do Rio foram feitas para 'inglês ver'. Não funcionam como
elementos de trânsito nem são pensadas para isso", diz Rojas ao
explicar que grande parte das ciclovias tem como principal função o
lazer, e não o deslocamento.
"Em muitos pontos a pista é interrompida por árvores, postes, isso
quando não é usada como estacionamento", diz o professor da Uerj ao
lembrar o trecho que liga o bairro de Botafogo a Lagoa Rodrigo de
Freitas, onde a ciclovia ocupa quase todo o espaço da calçada destina a
pedestres.
Segundo o arquiteto e professor de urbanismo da Universidade Federal
Fluminense Gerônimo Leitão, os bairros da cidade em que o uso de
bicicleta como deslocamento é mais intenso, como Santa Cruz e Bangu, na
zona oeste, são os mais desfavorecidos em termos de ciclovias e
políticas para ciclistas.
"Infelizmente, a bicicleta ainda não é vista como um meio de transporte
na cidade. Esse comportamento está mudando, principalmente em relação
aos trajetos curtos, mas há muito o quê fazer", explica.
Para Leitão, o poder público precisa investir na integração entre os
modais de transporte. "Usar a bicicleta é um desafio para quem pega o
metrô ou a barca, por exemplo. Não há onde deixá-la, a passagem para
esses pontos é perigosa para o ciclista."
Leitão lembra ainda a questão cultural. "O motorista tem que ver o
ciclista como parte do trânsito e respeitá-lo e o ciclista também
precisa seguir as regras", diz. "A ideia da bicicleta como meio de
transporte envolve a qualificação da ciclovia e dos equipamentos e,
principalmente, a articulação com o transporte de massa."
Nesta quinta-feira (9) mais um ciclista morreu atropelado por um ônibus
enquanto pedala pela Avenida Dom Helder Câmera, em Pilares, zona norte
da cidade.
Na quarta-feira um adolescente de 13 anos morreu ao ser atropelado por
um ônibus na pista lateral da Avenida das Américas, altura da Avenida
Salvador Allende, sentido Barra da Tijuca.
Ampliar
1º.mai.2013
- Um movimento organizado pelas redes sociais homenageou nesta
quarta-feira (1º) o ciclista Pedro Nicolay que foi atropelado e morreu
ontem durante um treinamento em Ipanema. Centenas de ciclistas se
vestiram de preto e sentaram próximo à orla do Leblon em protesto. Nesta
quarta, outro ciclista foi atropelado enquanto passava de bicicleta
pela praça da Bandeira, na zona norte Bruno Poppe/ Frame
No dia 30 o dentista e triatleta Pedro Nikolay, de 31 anos, morreu após
ser atingido por um ônibus da linha 433 (Vila Isabel – Leblon) enquanto
andava de bicicleta com outros 20 ciclistas na orla de Ipanema.
No dia 1º de abril, a diretora de televisão Gisela Matta, de 36 anos,
também morreu no hospital após ser atropelada por um ônibus no Rio. Ela
passeava de bicicleta na noite anterior, quando foi atingida por um
coletivo da Transportes Futuro, na esquina das avenidas General San
Martin e Bartolomeu Mitre, no Leblon, zona sul.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
SEJA BEM VINDOS.