quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Por que os meninos têm dificuldade de terminar um relacionamento?



Toda garota já ouviu uma dessas frases de um menino pelo menos uma vez: “Não estou preparado para um relacionamento sério nesse momento”, “eu gosto de você, mas é melhor a gente não ficar juntos!” ou “o problema não é com você, é comigo”. Essas são apenas algumas das desculpas mais usadas pelos meninos na hora de terminar um relacionamento, seja um namoro ou uma ficada que está virando algo mais sério. E por que eles quase sempre fazem isso? Por que a maioria enrola e deixa as meninas sem entender o motivo do término ou se sentindo culpadas?
Buscando uma resposta para esse comportamento, a tt conversou com a psicóloga Regina Moya, que revelou que esse “não saber como terminar com uma garota” acontece geralmente por um desses dois motivos:
01: o menino está apaixonado, mas tem medo de assumir um relacionamento – Sim, isso acontece. Pelo menos é o que a especialista garante: “alguns meninos acham que não devem ter um relacionamento mais sério nessa fase da vida. Então, quando percebem que estão gostando pra valer de uma garota, resolvem terminar para não terem que ‘quebrar a regra do não compromisso’”, conta Regina. Estranho, não? Mas ela afirma que isso é bem comum no mundo dos garotos.
02: o menino não está apaixonado e não quer ficar mais com a menina, mas não quer perder a possibilidade de ficar com ela mais uma vez no futuro - Ok, isso parece sacanagem, mas a psicóloga Regina diz que tem muito rapaz fazendo isso por aí. “Esse comportamento está relacionado ao lado possessivo do homem, que de certa forma não quer liberar a garota para outro”, explica.
Você não está livre de se envolver com um menino que não sabe como terminar uma relação, o que é muito chato e às vezes a responsabilidade acaba sobrando pra garota. Regina também dá essa dica: se o relacionamento não está legal, talvez valha a pena você mesma tomar a iniciativa do “pé na bunda”, ao invés de os dois ficarem empurrando uma relação que não vai dar em nada. “A menina precisa reparar no comportamento dele e não ter medo de tomar uma decisão quando necessário”.
Só não vale repetir a velha desculpa: “o problema não é você, sou eu!”,ok?!

Perigo na paquera: como identificar se o cara é problema

Assim como a personagem Lucimar, de Salve Jorge, muitas mulheres começam um relacionamento com homens cafajestes ou mentirosos sem perceber que estão sendo enganadas. Na novela, Lucimar acredita que seu namorado Russo é um dono de um café na Turquia, quando na verdade ele está envolvido com o tráfico de mulheres. Saiba como evitar o envolvimento com um “homem-problema” e buscar um companheiro que valha a pena:

Homem na cama com duas mulheres
Foto: Shutterstock Images
Identificando o sujeito
A psicóloga e terapeuta de casais Miriam Barros dá dicas de como identificar um homem mentiroso:
- O indivíduo começa a mudar os compromissos na última hora;
- Diz que falou uma coisa quando na verdade falou outra;
- Conta histórias esquisitas para justificar alguma falha sua;
- Nunca reconhece os próprios erros ou defeitos;
- Se coloca sempre numa posição de vítima;
- Nunca conta nada sobre a própria família;
- Fala apenas de coisas fúteis;
-Só fala brincando e foge de qualquer conversa séria.
“Essas são algumas dicas, mas é lógico que somente a convivência e a consistência nas atitudes é que vão mostrar se realmente ele é um homem – problema”, explica a terapeuta.
“Será que estou sendo enganada?”
Existem meios de perceber se a relação não vale a pena. O homem, muitas vezes, não faz questão de esconder suas atitudes desrespeitosas. Segundo a especialista, se o parceiro ficar frio e distante de repente, pode ser um indício de que ele está enganando a mulher : “Se o homem evita ficar a sós com ela; se sai para atender o celular longe; se esconde as mensagens que recebe; se começa a ficar muito ausente; se evita carinhos e sexo; se fica bravo com qualquer pergunta; se dá desculpas esfarrapadas para as suas ausências e mancadas… Essas são algumas pistas, mas existem homens que são muito bons em disfarçar e esconder o que estão fazendo”.
Ousadia que encanta
Grande parcela do público feminino é atraída pelos “cafajestes”, isto é, homens que não se prendem a uma mulher só e gostam de iludir as parceiras. “Infelizmente, os homens cafajestes são muito sedutores, têm mais traquejo e são mais ousados. A maior parte das mulheres se encanta com isso”, conta a psicóloga.
Como encontrar o parceiro ideal
Encontrar o parceiro ideal não é uma tarefa fácil, mas não é impossível: antes de engatar em um relacionamento sério, que tal prestar mais atenção nas atitudes do paquera? “Existem muitas coisas que as mulheres podem observar, como por exemplo: se ele é consistente naquilo que fala e nos compromissos que combina; se ele liga, manda mensagem; se ele faz questão de saber o que a mulher prefere e onde ela gostaria de ir; se ele leva as coisas profissionais a sério; se tem família e como se relaciona com ela…o importante é saber o que você procura num parceiro e quais os valores e características são importantes para você”, conclui a terapeuta.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Esqueça os clichês sobre homens que te impedem de se relacionar



Certos chavões, em especial aqueles que dizem respeito ao comportamento, costumam atravessar gerações e sobreviver às mudanças na sociedade. "O cenário social ainda apresenta resquícios de antigos modos de pensar ou agir, o que provoca conflitos de valores e posturas", diz a psicóloga Carmen Cerqueira Cesar.
Ela conta que o fato de hoje as pessoas terem mais liberdade ainda assusta muita gente, que não teve a mesma facilidade para evoluir. Por isso, ideias pré-concebidas sobre como homens e mulheres agem no amor sobrevivem. Livrar-se de delas e desenvolver uma linha própria de pensamento é o ponto de partida para viver um relacionamento saudável. Veja por que cinco clichês que emperram a vida afetiva das mulheres devem ser esquecidos.
 

1. Homem tem medo de mulher bem-sucedida

 
Para Mara Lúcia Madureira, psicóloga cognitivo-comportamental, muitas mulheres não conseguem lidar direito com o sucesso profissional, a autonomia financeira e a vida amorosa ao mesmo tempo. "Aí, tendem a extrapolar os limites de suas conquistas sócio-econômicas, estendendo suas competições para o contexto amoroso e conjugal. Por agirem assim inconscientemente, costumam atribuir apenas ao homem o fracasso de suas relações", explica.

O psicólogo Rafael Higino Wagner afirma que comportamento feminino ajuda a perpetuar alguns mitos. "Todo homem gosta de saber que sua parceira é inteligente, articulada e bem-sucedida. Um dos ingredientes do romance é justamente esse: admirar o parceiro", diz. Porém, muitas mulheres que assumem cargos de chefia ou são autoritárias levam essa postura para a vida pessoal, atitude que dificulta qualquer paquera ou início de relação. É mais fácil, portanto, acreditar que os homens são medrosos do que refletir sobre o próprio comportamento.

2. Homem não resiste a uma cantada bem dada 

Segundo a psicóloga Carmen Cerqueira Cesar, hoje, os homens se garantem muito mais do que nas gerações passadas, em que tinham de sair com o maior número possível de mulheres para provar sua masculinidade. Atualmente, eles se sentem bem mais à vontade para dispensar uma candidata, e por vários motivos: estão satisfeitos com a vida sexual com a parceira que têm, não enxergam a mulher como objeto a ser consumido e descartado, não se sentem atraídos pela garota ou simplesmente não estão a fim.

Na opinião de Mara Lúcia Madureira, atualmente, a capacidade de resistir ou não às tentações está muito mais calcada nas experiências pessoais do que no gênero. "Esse não é um problema masculino, mas humano. Pessoas são mais ou menos vulneráveis às paixões, segundo suas crenças pessoais, sem que isso tenha nada a ver com seus pares", declara.
 

3. Homem não consegue ficar sozinho 


"Há algumas décadas, poderia ser verdade que homens tivessem dificuldade de permanecer sozinhos por longos períodos, devido ao condicionamento e à dependência da figura materna. Hoje, isso não faz nenhum sentido. Homens conseguem ficar solteiros, divorciados e viúvos por períodos tão longos e passar tão bem quanto qualquer mulher", diz a psicóloga cognitivo-comportamental Mara Lúcia Madureira.

Para Rafel Higino Wagner, os homens são mais práticos, lidam melhor com algumas situações e demonstram maior objetividade com o término de uma relação, o que pode passar a impressão de que sempre estão entrando em relacionamentos para não ficarem sozinhos. "Esse pensamento pode impedir que a mulher se entregue à relação", afirma.

4. Homem não gosta de romance

 
Afirmar que os homens não gostem de romance é uma ideia preconceituosa. Para Rafael Higino Wagner, o que acontece é que a maioria sente um bloqueio para demonstrar os sentimentos de imediato, reflexo daquele pensamento de que "homem não chora". "Isso os faz serem mais controlados. Eles esperam mais para expressar as emoções, com medo justamente de sofrer. Mas vários apreciam o romance, sim", diz.

Acreditar nesse clichê e não dar tempo ao tempo, segundo o psicólogo, pode detonar uma relação promissora. "Muitas mulheres não têm paciência para que o homem mostre o quanto está envolvido e acabam intimidando o parceiro, pondo tudo a perder", conta Rafael.
 

5. Quanto mais difícil a mulher mais o homem a quer

 
Dificultar uma relação pode ser desestimulante e extinguir a chance de um romance. Carmen Cerqueira Cesar diz que o homem tem, sim, que sentir um espaço um pouco vazio para ele avançar com seu desejo. "Mas isso não tem nada a ver, como muitas pensam, com transar ou não no primeiro encontro", explica. "Caso se faça de difícil, o cara pode desistir e achar que ela não está interessada", diz Carmen.

O jogo de sedução muitas vezes alimenta o ego, pois não ter total certeza do que a outra pessoa sente é atraente e sedutor. Mas é necessário um mínimo de reciprocidade para que essa conquista continue, explica Rafael Wagner. "Homens se sentem atraídos por qualidades de uma mulher, e a rejeição não é combustível para nenhum sentimento. Se jogar de cabeça e deixar que o homem saiba todas as suas intenções pode acabar com a brincadeira da conquista, com a atração pelo desconhecido, mas ser inacessível com certeza afastará qualquer sujeito".

Síndrome do pequeno poder é consequência de chefe omisso



Até ontem, ele era apenas um colega de trabalho. Mas bastou receber uma pequena promoção para que o poder lhe subisse à cabeça. Mesmo não sendo seu chefe, ele passa a lhe pedir tarefas que não são de sua obrigação, começa a te tratar com arrogância e não perde uma oportunidade de vangloriar-se de seu novo status. Esse comportamento é conhecido como a "síndrome do pequeno poder".
"Isso acontece com alguém que perde a razão e passa a agir como um imperador, ultrapassando os limites da autoridade", diz a professora Janaina Ferreira, especialista em gestão de equipes e pessoas do Ibmec do Rio de Janeiro.

E esse poder nem sempre é real. É o caso do funcionário que está no cargo hierárquico mais baixo da empresa, mas abusa de estagiários ou colegas recém-contratados. "É um desvio de comportamento. A pessoa não tem poder nenhum, mas ao fantasiar ter, age como se tivesse e acaba puxando o próprio tapete, pois mostra que é inadequada para ocupar um cargo de liderança", diz Janaina.
Quando a síndrome do pequeno poder toma conta de alguns funcionários, é sinal de que falta um chefe que encare o problema. "O líder que não gosta de tomar decisões ou de delegar tarefas adora que alguém assuma suas funções. Quando ele se omite, aquele que gosta de poder assume suas atribuições e um terceiro fica oprimido", afirma Janaina. "Isso causa conflitos e deteriora relacionamentos interpessoais", diz.

Quem sofre da síndrome

O tipo de funcionário que está sujeito a sofrer da síndrome do pequeno poder é aquele com baixa inteligência emocional, pouco autoconhecimento e que está insatisfeito com a posição que ocupa. "Se o que ele deseja não lhe é concedido por meio de uma promoção, ele faz sua fantasia de autoridade virar real ao oprimir alguém", explica Janaina.
Segundo a professora Renata Maglioca, do Progep (Programa de Estudos em Gestão de Pessoas) da FIA (Fundação Instituto da Administração), há pessoas que têm como grande propósito profissional ter status e usar o trabalho como forma de vivenciar o poder."Por ter tanta ânsia por comandar, quando consegue, não sabe fazê-lo de maneira madura e segura", diz Renata. A exposição e as cobranças que vêm junto com a autoridade podem perturbar o recém-promovido, que tenta camuflar o problema fazendo com que os outros também se sintam inseguros.
A prepotência também pode ser consequência da influência de referências ultrapassadas sobre hierarquia: aquela em que o chefe é a pessoa que não pode ser questionada e sempre tem razão. "Hoje, o mercado de trabalho não espera esse tipo de liderança", afirma Renata.

Como lidar com colega assim?

Se o colega lhe pede para fazer determinada tarefa, vale ser cooperativo e ajudá-lo. Mas se a situação se repete com frequência e ele age com arrogância ao pedir auxílio, é preciso saber dizer que você não pode ajudá-lo em alguns momentos –mesmo que esteja com tempo sobrando. "Se ele não é seu chefe, não determina quando você deve fazer algo ou não", afirma Janaina. "Só existe um opressor se o oprimido permitir. Você não pode acatar ordens descabidas. Gentilezas todos fazemos, mas há limites", diz ela.
A princípio, Renata, do Progep, acredita que é necessário mostrar para o colega autoritário que você está do lado dele, sem se afastar. Se nada mudar, proponha uma conversa franca. Se ainda assim a questão não for resolvida, leve o problema ao superior ou RH. "Tem gente que diminui a autoestima do outro para poder crescer. E não dá para ficar passivo se a situação te incomoda ou é destrutiva para a equipe", diz ela.

Você sofre da síndrome?

Como são raras as empresas que preparam o funcionário para a promoção, ninguém está livre de ser acometido pela síndrome do pequeno poder. Para administrar bem uma posição de liderança, os especialistas recomendam buscar cursos de gestão.
Para Renata, a primeira coisa que se deve fazer ao conquistar um cargo mais alto é ter consciência de que há um risco de mais cobranças e que é normal sentir insegurança. "Se você tem essa clareza, terá tranquilidade de dizer ao outro que precisa de ajuda. Você não precisa saber tudo e deve reconhecer isso", afirma.

Para a psicóloga Ana Cristina Limongi-França, professora do departamento de administração da FEA-USP, diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho e coordenadora da FIA, entender a cultura da empresa, saber interagir com seus subordinados e ter diálogo com um chefe, para pedir orientações, são medidas fundamentais.

"Ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa", diz psicanalista

Você sente calafrios só de pensar que não tem domínio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira? Segundo a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, acreditar que é possível controlar o desejo de alguém é apenas uma das mentiras do amor romântico.

"É comum alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado", afirma ela, que lançou recentemente  "O Livro do amor" (Ed. Best Seller). Dividida em dois volumes ("Da Pré-História à Renascença" e "Do Iluminismo à Atualidade"), a obra traz a trajetória do amor e do sexo no Ocidente da Pré-História ao século 21 e exigiu cinco anos de pesquisas.

Regina, que é consultora do programa "Amor & Sexo", apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, acredita que, na segunda metade deste século, muita coisa ainda vai mudar: "Ter vários parceiros será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem", diz ela. Leia a entrevista concedida pela psicanalista ao BLOG Comportamento.

  BLOG Comportamento: Na sua pesquisa para escrever "O Livro do Amor", o que você encontrou de mais bonito e de mais feio sobre o amor?
Regina Navarro Lins: Embora "O Livro do Amor" não trate do amor pela humanidade, e sim do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou duas mulheres, a primeira manifestação de amor humano é muito interessante. Ela ocorreu há aproximadamente 50 mil anos, quando passaram a enterrar os mortos –coisa que não ocorria até então– e a ornamentar os túmulos com flores. O que encontrei de mais feio no amor foi a opressão da mulher e a repressão da sexualidade. 
 
UOL Comportamento: Como você imagina a humanidade na segunda metade deste século?
Regina: Os modelos tradicionais de amor e sexo não estão dando mais respostas satisfatórias e isso abre um espaço para cada um escolher sua forma de viver. Quem quiser ficar 40 anos com uma única pessoa, fazendo sexo só com ela, tudo bem. Mas ter vários parceiros também será visto como natural. Penso que não haverá modelos para as pessoas se enquadrarem. Na segunda metade do século 21, provavelmente, as pessoas viverão o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.
 
  BLOG Comportamento: Você fala sobre as mentiras do amor romântico. Quais são elas?
Regina: O amor é uma construção social; em cada época se apresenta de uma forma. O amor romântico, que só entrou no casamento a partir do século 20, e pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, não é construído na relação com a pessoa real, que está ao lado, e sim com a que se inventa de acordo com as próprias necessidades.

Esse tipo de amor é calcado na idealização do outro e prega a fusão total entre os amantes, com a ideia de que os dois se transformarão num só. Contém a ideia de que os amados se completam, nada mais lhes faltando; que o amado é a única fonte de interesse do outro (é por isso que muitos abandonam os amigos quando começam a namorar); que cada um terá todas as suas necessidades satisfeitas pelo amado, que não é possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama não sente desejo sexual por mais ninguém.
 
  • Divulgação "O Livro do Amor" (ed. Best Seller) é dividido em dois volumes: "Da Pré-História à Renascença" e "Do Iluminismo à Atualidade"
A questão é que ele não se sustenta na convivência cotidiana, porque você é obrigado a enxergar o outro com aspectos que lhe desagradam. Não dá mais para manter a idealização. Aí surge o desencanto, o ressentimento e a mágoa.

  BLOG Comportamento:  Por que você diz que o amor romântico está dando sinais de sair de cena?
Regina: A busca da individualidade caracteriza a época em que vivemos; nunca homens e mulheres se aventuraram com tanta coragem em busca de novas descobertas, só que, desta vez, para dentro de si mesmos. Cada um quer saber quais são suas possibilidades, desenvolver seu potencial.

O amor romântico propõe o oposto disso, pois prega a fusão de duas pessoas. Ele então começa a deixar de ser atraente. Ao sair de cena está levando sua principal característica: a exigência de exclusividade. Sem a ideia de encontrar alguém que te complete, abre-se um espaço para outros tipos de relacionamento, com a possibilidade de amar mais de uma pessoa de cada vez. 
 
  BLOG Comportamento: E como fica o casamento?
Regina: É provável que o modelo de casamento que conhecemos seja radicalmente modificado. A cobrança de exclusividade sexual deve deixar de existir. Acredito que, daqui a algumas décadas, menos pessoas estarão dispostas a se fechar numa relação a dois e se tornará comum ter relações estáveis com várias pessoas ao mesmo tempo, escolhendo-as pelas afinidades. A ideia de que um parceiro único deva satisfazer todos os aspectos da vida pode vir a se tornar coisa do passado.  
 
  BLOG Comportamento: Só de pensar na possibilidade de ter um relacionamento em que a monogamia não é uma regra, muitos casais têm calafrios. Por que?
Regina: Reprimir os verdadeiros desejos não significa eliminá-los. W.Reich [psicanalista austríaco] afirma que todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da pulsão sexual.

Pesquisando o que estudiosos do tema pensam sobre as motivações que levam a uma relação extraconjugal na nossa cultura, fiquei bastante surpresa. As mais diversas justificativas apontam sempre para problemas emocionais, insatisfação ou infelicidade na vida a dois. Não li em quase nenhum lugar o que me parece mais óbvio: embora haja insatisfação na maioria dos casamentos, as relações extraconjugais ocorrem principalmente porque as pessoas gostam de variar. As pessoas podem ter relações extraconjugais e, mesmo assim, ter um casamento satisfatório do ponto de vista afetivo e sexual.
 
A exclusividade sexual é a grande preocupação de homens e mulheres. Mas ninguém deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa. Homens e mulheres só deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado(a)? Sinto-me desejado(a)? Se a resposta for "sim" para as duas, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito. Sem dúvida as pessoas viveriam bem mais satisfeitas. 
 
  BLOG Comportamento: Como as pessoas poderiam viver melhor no amor e no sexo?
Regina: Para haver chance de se viver a dois sem tantas limitações, homens e mulheres precisam efetuar grandes mudanças na maneira de pensar e de viver.

Acredito que para uma relação a dois valer a pena, alguns fatores são primordiais: total respeito ao outro e ao seu jeito de ser, suas ideias e suas escolhas; nenhuma possessividade ou manifestação de ciúme que possa limitar a vida do parceiro; poder ter amigos e programas em separado; nenhum controle da vida sexual do parceiro, mesmo porque é um assunto que só diz respeito à própria pessoa. 
 
Poucos concordam com essas ideias, pois é comum se alimentar a fantasia de que só controlando o outro há a garantia de não ser abandonado. A questão é que não é tão simples. Para viver bem é preciso ter coragem.

Mulheres também são responsáveis pela perpetuação do machismo



Censurar outra mulher por ela ter uma postura mais liberal em relação a seu corpo, educar meninos e meninas de forma diferente, depender de um homem para se sentir plenamente feliz... Mesmo sem se dar conta, muitas mulheres têm atitudes como essas e, com isso, colaboram para a perpetuação do machismo. 
Gustavo Venturi, professor do departamento de Sociologia da USP (Universidade de São Paulo), explica que fenômenos como o machismo e outros tipos de discriminação só existem na medida em que os oprimidos incorporam os valores dos opressores. "Você tem uma naturalização dos valores dominantes que faz com que muitas pessoas reproduzam, até de forma inconsciente, a ideologia da qual são vítimas". 
De acordo com Tica Moreno, socióloga da Sempreviva Organização Feminista, o machismo é estrutural na sociedade. "Estamos falando de uma opressão que é histórica. E existe, sim, uma introjeção do machismo nas mulheres e isso é um dos mecanismos de sua manutenção", diz.
 

Educar para mudar


"Muitas mães educam seus filhos perpetuando o machismo. Educam homens e mulheres de formas completamente diferentes. O homem pode sair, pode variar de parceira, pode fazer sexo assim que conhece alguém. A mulher, não", diz a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins. "É muito importante que as mães repensem a educação das crianças", diz ela. 
 
Tica aponta outra característica sobre a forma como as crianças são criadas: os homens não são educados para fazer o trabalho doméstico. Segundo ela, para o movimento feminista, é na divisão de tarefas domésticas que está a base de sustentação do machismo: "Essa dinâmica da divisão sexual do trabalho que sobrecarrega as mulheres em casa é a mais difícil de romper. Para nós, essa é a questão fundamental da opressão". 
 
Gustavo conta que quando se pergunta se homens devem dividir melhor os trabalhos domésticos, tanto elas quanto eles concordam que sim. Mas, na prática, nada muda. "A jornada das mulheres dedicadas a estas tarefas de cuidados com a casa, crianças, idosos e enfermos é de seis a sete vezes maior do que a dos homens", afirma ele, que coordenou a pesquisa "Percepção de Ser Mulher, Machismo e Feminismo", na Fundação Perseu Abramo. 
 

O inferno são as outras


A pesquisa realizada em 2011 por Gustavo Venturi apresenta avanços em relação à edição anterior, de dez anos atrás. A avaliação geral de que a situação das mulheres melhorou, se comparada à de duas ou três décadas atrás, subiu de 65% para 74%.

Mas, apesar dos progressos, ainda há dados que chamam à reflexão: 23% das mulheres (contra 30% em 2001) disseram concordar que "nas decisões importantes, é justo que na casa o homem tenha a última palavra"; 24% (38% em 2001) consideram que "em um casal é importante que o homem tenha mais experiência sexual do que a mulher"; 15% (eram 24% em 2001) acreditam que "a mulher casada deve satisfazer sexualmente o marido mesmo quando não tenha vontade" e 4% (11% em 2001) acham que "se a mulher trair o homem é justo que ele bata nela".
 
"Estas questões são minoritárias, mas ainda persistem. Não é que elas digam ‘é justo que batam em mim’, mas elas imaginam a ‘vagabunda que vai sair com o meu marido merece apanhar'. É um julgamento moral da outra. A ideia de que isso seja legitimo é altamente perigosa para as próprias mulheres que acreditam nela", afirma Gustavo. 
 

Gentileza e autonomia

 
Regina Navarro Lins reprova o cavalheirismo porque, para ela, esse comportamento carrega a ideia nociva de que as mulheres são incapazes. "Gentileza é uma coisa: homens têm que ser gentis com as mulheres e mulheres gentis com os homens. Se eu estou na frente, abro a porta para o meu amigo passar. A ideia do cavalheirismo embute uma noção de que a mulher é incompetente até para puxar uma cadeira, para abrir uma porta, pagar uma conta".

A socióloga Tica Moreno diz que a tão problematizada divisão de contas pelo casal não é um problema em si. "O problema é quando o cara paga a conta e acha que por isso você tem de transar com ele", afirma ela, acrescentando que há mulheres independentes financeiramente, com sucesso profissional, mas que não têm autonomia.

"Elas acreditam que têm de ter um homem ao lado para dar significado às suas vidas, que não podem tomar a iniciativa da conquista, não podem mostrar que gostam de sexo.", conta a socióloga.

Há um modelo de família constituído na sociedade que coloca que a mulher tem de ter um marido e filhos, e muitas mulheres o perseguem. "Quando você constrói a sua identidade em função do interesse e da satisfação das necessidades dos outros, você se perde enquanto sujeito", diz Tica. 
 
Para Regina, há uma questão simples que ajuda a definir se uma mulher tem ou não autonomia: você aceita dividir a conta do motel? Ela afirma que para muitas mulheres isso ainda é tabu. "Parece que, para essa mulher, ir a um motel não proporcionará prazer aos dois". A psicanalista acredita que a explicação para isso é reflexo de milênios de opressão.

"Quando a mulher começou a ser oprimida, há cinco mil anos, ela não tinha como reagir. Então, a única forma que ela encontrou para se defender foi usando o corpo. Controlando as necessidades sexuais masculinas, ela conseguia benefícios em troca, como roupas, joias e comida... É possível que venha daí a ideia de que, ao fazer sexo com ela, o homem tenha de pagar alguma coisa", diz a psicanalista.

Mulheres preferem homens com dinheiro? História ajuda a responder



Mulheres que só se interessam por figuras masculinas que possam lhes proporcionar uma vida de regalias são frequentes na ficção. Na vida real, a frase "Quem gosta de homem é gay, mulher gosta de dinheiro" costuma ser lembrada para expressar a ideia de que elas se preocupam apenas em ter alguém que as sustente. Questionada sobre o que há de verdade nessa sentença, a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins diz que, para discuti-la, é preciso lembrar a trajetória feminina nos últimos milênios. 
"O sistema patriarcal que se instalou há cinco mil anos estabeleceu que a mulher deveria ser meiga, cordata, principalmente, submissa e ter filhos sem parar. No século oito, houve até um concílio da igreja  para decidir se ela tinha alma ou não", afirma Regina, estudiosa das relações amorosas e sexuais, autora de "O Livro do Amor" (Best Seller) e de um blog no bem estar fisíco saúde. "As mulheres não tinham direito a nada, sempre foram consideradas incompetentes e tinham de depender de um homem. É uma história que primordialmente tinha a ver com sobrevivência", fala a psicanalista. 
 
O psicólogo Oswaldo Rodrigues Jr., do Instituto Paulista de Sexualidade, concorda com a escritora. "As mulheres eram socializadas de forma a serem dependentes e, por isso, podiam fazer certas exigências com relação ao nível social do homem em troca", afirma o especialista, que acrescenta: "Sair deste papel não é fácil e a mudança não ocorre em apenas duas ou três gerações depois de milênios de submissão". 
O início do século 21 desponta com números que mostram que as brasileiras avançaram e conquistaram muitos espaços, incluindo altos cargos nas empresas. Porém, de acordo com Rodrigues Jr., são comuns em seu consultório queixas com relação à preocupação da parceira com a situação econômica do homem.  "As mulheres tendem, sim, a estabelecer um relacionamento em que o homem seja financeiramente superior", afirma Rodrigues Júnior. 
 
"Uma mulher executiva, independente, que more sozinha em seu próprio imóvel, tende a buscar um homem que também tenha tudo isso e mais alguma coisa, incluindo um carro melhor do que o dela", diz o psicólogo. "Muitas falam abertamente que não querem andar de carro velho nem comer em locais simples". 
 

Cavalheirismo contestado

 
Regina Navarro Lins acredita que o número de mulheres cujo interesse maior está na conta corrente masculina diminuiu e isso é uma tendência, embora, até hoje, muitas ainda sejam educadas para achar que precisam de um homem para dar sentido à vida. "Acreditam em sua incompetência e que precisam de alguém para sustentá-las. Mas estamos num processo de profunda mudança", diz a psicanalista. "São ecos de uma mentalidade onde o homem tinha de ser poderoso financeiramente, provedor. Mas essa é uma ideia que não combina com a mulher que acredita na igualdade de direitos e deveres", afirma ela que lembra situações em que ouviu histórias  que a deixaram perplexa. 
 
"Escuto coisas aterradoras de mulheres independentes, com grana, tais como ‘divido restaurante, cinema, mas motel, não’. Por que não o motel? Os dois não vão ter prazer? Ele vai pagar o motel apenas porque é o homem? É ridículo", diz Regina, que faz questão de distinguir independência e autonomia. Segundo a escritora, grande parcela das mulheres está mais independente, que é a parte mais fácil.

"Ganhar o próprio dinheiro é fundamental. Mas a maioria não é autônoma. Ter autonomia significa não aceitar valores impostos como a necessidade de um homem protetor que paga a conta, puxa a cadeira e abre a porta", afirma a escritora que faz criticas ao cavalheirismo. "Quando elas dizem que gostam desse tipo de atitudes do homem, digo que isso é nocivo à mulher, implica superioridade dele para com ela. Homens e mulheres devem ser gentis um com o outro. É diferente ele me ajudar a carregar uma caixa pesada sendo ele o mais forte. Eu faria o mesmo por uma senhora idosa. Por que ela não pode puxar a cadeira para ele se sentar ou abrir a porta para ele?", pergunta.
 

Novo comportamento, ideias conservadoras

 
Segundo a psicóloga Valéria Meirelles, que defendeu tese de doutorado sobre atitudes, crenças e comportamento de homens e mulheres com relação ao dinheiro ao longo da vida, a ala feminina ainda continua com posturas antigas. "Elas acham feio quando o homem aceita dividir a conta. Querem as vantagens da modernidade com os benefícios da tradição: serem cuidadas, que o homem assuma todas as contas de casa, mesmo que ela seja independente".
 
Para a psicóloga Angélica Rodrigues Santos, que atua na área de finanças comportamentais, a preocupação de uma mulher com a situação financeira do parceiro vai muito além do dinheiro em si, que na verdade seria mais um símbolo.  "Em nossa sociedade, ele significa segurança e proteção. Ela quer ter certeza de que, se não conseguir dar conta, terá um companheiro para segurar a onda. Mas é claro que existem aquelas que consideram apenas o que o cara possui, assim como há homens nesse perfil também", conta Angélica que escreveu com o marido, Rogério Olegário, o  livro "Família,  Afeto e Finanças – Como Colocar Cada Vez Mais Dinheiro e Amor em Seu Lar" (Editora Gente). 
 
"A mulher pode até se bancar, dividir a conta, se divertir em ficar com um cara que tem menos que ela no início. Mas depois de um tempo, pode ser decepcionante. O homem vira filho, não um companheiro", afirma Angélica, que complementa: "Acho legítimo, é um direito dela se preocupar com essa questão".

Novas mulheres, novos homens

 
A antropóloga e psicanalista Amnéris Maroni  acredita que essa figura da mulher que procurava um homem como provedor está desaparecendo. No lugar, entrou outra, que cobra do homem maturidade em todos os níveis.  "A mulher conquistou liberdade, salário, quer fazer com que o homem caminhe, vá à luta. Elas fizeram uma revolução cultural. Eles, não", afirma Amnéris, adicionando que acha justo que a mulher, se preocupe com o futuro do relacionamento, incluindo questões de econômicas. "A relações devem ser de troca e não de dependência", diz ela.
 

Números mostram conquistas e avanços

Em um passado recente, as mulheres não eram estimuladas a estudar para se dedicar a uma profissão. Hoje, a realidade é outra e mostra uma tendência que já havia aparecido dois anos antes na PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): elas são maioria nos bancos escolares e permanecem mais tempo estudando.

Ainda de acordo com o IBGE, em 2000, pouco mais de 11 milhões de mulheres eram responsáveis por seus domicílios. Dez anos depois, esse número dobrou sendo que, para os homens, no mesmo período, o número saiu de 33 para 35 milhões.

No mercado de trabalho, elas também conquistam cada vez mais espaço e cargos de chefia. Segundo pesquisa da Catho (empresa de vagas e currículos online) junto às companhias cadastradas, o número de presidentas pulou de 15,14% em 2001 para 23,85% dez anos depois. Mais: 48% delas estão em cargo de supervisão e 64% em cargos de coordenação.

"Conforme o tempo passa, encontramos maior número de mulheres que assumem postos estratégicos nas organizações com cargos de chefia. Acho que estamos corrigindo uma herança histórica na qual elas mulheres não davam atenção à carreira", afirma Luís Testa, diretor de marketing da Catho

A antropóloga Mirian Goldenberg que, em parceria com Adão Iturrusgarai  lançou seu livro mais recente, "Tudo o Que Você Não Queria Saber Sobre Sexo" (Record), também discorda totalmente da imagem de que as mulheres consideram mais os bens do homem em uma relação. "A maioria  das que encontro em minhas pesquisas está preocupada em ser independente e autônoma do que ter no marido um provedor. Óbvio que pode-se pinçar uma ou outra interessada nisso, mas essa é minoria", segundo Mirian, que, diferentemente de Regina Navarro Lins, não vê problemas quando o homem assume atitudes como pagar a conta no restaurante, por exemplo. "É mais a questão simbólica do que o dinheiro. A mulher quer atenção, romance, sedução, se sentir especial. E o reconhecimento do homem do quanto ela é importante, mesmo que ela possa pagar", afirma a antropóloga que estuda a classe média carioca. 
 

Dinheiro, mulheres e homens

 
Rogério Olegário, marido de Angélica, é consultor financeiro pessoal e tem 70% de sua clientela formada por mulheres. Sua experiência mostra o quanto dinheiro é uma questão delicada em um relacionamento, mesmo quando quem ganha mais é ela. "Atendo mulheres que chegam a ganhar cinco vezes mais do que o marido e tudo bem para elas. Mas, recentemente, falei com uma que disse que o marido jamais poderia saber que de sua consulta comigo, pois se ele soubesse que ela ganhava mais, nunca mais teria uma ereção", conta o especialista, afirmando que muitos homens podem se sentir diminuídos e fracassados nesses casos porque foram educados para serem os provedores. 
 
De acordo com Conrado Navarro, especialista em finanças pessoais e criador do site dinheirama.com, que atua na educação financeira, a preocupação da mulher com a questão do dinheiro tem a ver com o próprio perfil feminino. "Elas tendem a ser mais zelosas e cuidadosas quando o assunto é patrimônio. E geralmente cuidam muito melhor do dinheiro do que o homem, fazem planilhas, anotam gastos. São prevenidas, pensam no futuro, nos filhos. Homem se liga mais no presente, no status, no trabalho".

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