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O 'neurofitness' consiste em exercitar o cérebro para aumentar a capacidade de alcançar objetivos
O cenário não é novo nem raro, acometendo muitas pessoas no dia a dia:
mesmo fazendo todo o esforço possível, a dieta e o exercício físico não
são suficientes para baixar o ponteiro da balança. De acordo com o
clínico geral e fisiologista do exercício, João Pinheiro, formado em
medicina pela Universidade Federal do Pará, diversos fatores podem
interferir no resultado. E é aí que entra o que ele chama de
neurofitness ou neuróbica:"O indivíduo que está acima do peso usa a
comida para driblar frustrações, angústias, estresse. E, nesses casos,
muitas vezes é preciso fazer algo a mais. Alguns exercícios mentais
ajudam a ultrapassar as barreiras para a perda de peso."
A 'malhação' que mexe com a mente engloba desde manobras de equilíbrio
até pulos e agachamentos (veja exemplos no fim do texto). São movimentos
simples que estimulam o cérebro de alguma maneira, disparando comandos
para as áreas neuronal e muscular. Indicada para todas as idades, a
ideia é revigorar a habilidade cerebral e aumentar a capacidade de
alcançar objetivos definidos. A modalidade dá uma força no emagrecimento
e ainda minimiza problemas como insônia, perda de memória e distúrbios
de atenção. "O recomendado é associar o neurofitness a alguma atividade
física tradicional – dança de salão, musculação, esportes", diz
Pinheiro.
Conceito novo
Embora ainda não haja comprovação científica, especialistas acreditam
que a prática pode funcionar. De acordo com o neurologista Leandro
Teles, formado e especializado pela Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (USP), médico do Hospital Oswaldo Cruz (SP), o
termo neurofitness é aplicado em duas situações distintas: exercícios
mentais em prol da capacidade intelectual – de concentração, memória e
estratégia, por exemplo; e atividade mental para perda de peso, redução
de medidas e contorno corporal. "O primeiro item já foi bastante
estudado e conta com embasamento científico, enquanto o segundo se
baseia em um conceito relativamente novo e, por isso, carece de
pesquisas. Mas é possível que seja eficaz, sim."
Duas hipóteses, na opinião do neurologista, explicariam como a
modalidade influencia na perda de peso. Para começar, ele diz, a
atividade mental guiada leva a mudanças comportamentais que favorecem o
emagrecimento. "O cérebro é que sente fome, faz as opções alimentares,
seleciona as quantidades; e, na ginástica, define o tipo e a intensidade
do exercício. Mais que isso, é a cabeça que se frustra com os
resultados ruins, desanima, desiste. Nessa perspectiva, podemos dizer
que um cérebro melhor treinado auxilia na perda de peso, melhorando as
escolhas e o comprometimento com os resultados. Indivíduos que
estabelecem metas progressivas são, de modo geral, mais bem sucedidos."
Segundo Teles, alguns exercícios poderiam, teoricamente, mudar a
relação do organismo com a atividade física e a alimentação, além de
transformar a imagem corporal e a forma de se encarar os desafios. "O
efeito é indireto: o cérebro auxilia a melhor administração dietética e
esportiva e o peso é reduzido por essa modificação comportamental."
Mudanças no organismo
A segunda hipótese que explica o sucesso do neurofitness é fisiológica:
a atividade mental altera a secreção hormonal e origina uma nova ação
metabólica mais favorável ao emagrecimento. "Isso tem algum embasamento
científico: a produção de leptina e grelina, hormônios da saciedade,
depende diretamente do estado emocional, do sono e de outros aspectos
cerebrais.
Além disso, existem outras pontes entre exercício mental e alteração
metabólica: pessoas ansiosas liberam mais cortisol, associado à
redistribuição de gordura; a insônia crônica leva ao ganho de peso; a
depressão altera o apetite", observa Leandro Teles. O neurologista
acredita que há pessoas sensíveis a este tipo de prática somada a
medidas tradicionais, como dieta e exercício físico convencional,
enquanto em outras não funcionaria.
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Exercícios de equilíbrio e de coordenação motora ajudariam a treinar o cérebro para emagrecer
Suzete Motta, médica formada pela Universidade do Oeste Paulista
(Unoeste) com prática ortomolecular e formação em estética médica,
concorda. "De qualquer forma, sabemos que o cérebro é o responsável por
tudo. Para citar um exemplo, considere que o estresse aumenta o cortisol
e altera o sono, fatores que influenciam na gordura corporal. Quer
dizer, muitos aspectos estão relacionados."
A médica explica que o cérebro humano é constituído por cerca de 100
milhões de células nervosas, os neurônios, que trazem uma característica
especial: a neuroplasticidade, que nada mais é do que a capacidade de
se modificarem e adaptarem sua estrutura e função em resposta às
exigências externas e internas do organismo. "Toda demanda que desafie
ou estimule o cérebro produz alterações anatômicas que geram sinapses,
quer dizer, comunicação entre os neurônios. O mentalfitness, também
chamado de neurofitness ou neuróbica, aciona tal mecanismo, resultando
em melhora do desempenho cognitivo – raciocínio, memória, concentração –
e controle do estresse e da ansiedade, que auxiliam na perda de peso",
conclui Suzete Motta.
Veja, agora, alguns exercícios da modalidade:
1. Aposte no equilíbrio
Este exercício é simples e pode ser feito em casa. Fique em pé sobre
uma plataforma e eleve os braços na altura dos ombros. Após manter o
equilíbrio, tire o pé esquerdo por alguns minutos e depois faça o mesmo
com o pé direito. Repita dez vezes com cada pé.
2. Exercite sua coordenação motora
Que tal andar de costas na esteira? Na velocidade de 1 km/h, suba no
aparelho de costas e caminhe. No início, você pode apoiar os braços nas
laterais para se acostumar. Pratique por cinco minutos.
3. Responda aos comandos
Peça a ajuda de uma amiga para ordenar que você pule ou agache assim
que ela fizer um sinal. Elaborem uma sequência de exercícios: quando ela
levantar o braço esquerdo, por exemplo, você deve pular três vezes;
quando ela abaixar o mesmo, você tem que agachar. Dedique-se a essa
'aulinha' por cinco minutos, no mínimo.
4. Brinque com objetos
Em casa, disponha cinco cadeiras em um ambiente e ande entre elas,
primeiro de frente e depois voltando de costas. Na sequência, pegue uma
bola e a conduza com o pé esquerdo passando pelas cadeiras, depois
alterne e repita com o pé direito.