Para quem está nos grupos de risco, manter uma dieta saudável traz melhores resultados, diz estudo
O
ômega-3
se tornou o item queridinho de quem quer ser saudável, e uma espécie de
panaceia para a saúde. Mas um novo estudo publicado dia 9 de maio no
The New England Journal of Medicine demostrou que a suplementação do nutriente não é um diferencial na hora de prevenir
doenças cardiovasculares, como
derrame, em pessoas que já se encontram no grupo de risco.
O
estudo acompanhou durante cinco ano mais de 12 mil pessoas com
condições que aumentavam as chances de doenças cardiovasculares, como
diabetes, hipertensão, colesterol alto, tabagismo e obesidade, entre
outras. Por isso mesmo, eles já seguiam tratamentos para esses fatores
de risco. Entre elas, 6.244 consumiam 1 grama de óleo de peixe fonte de
ômega-3 diariamente, enquanto 6.269 receberam placebos, para ser o grupo
de controle. No fim desse período, 1.400 pessoas morreram de
doença cardíaca ou tiveram um
infarto
ou derrame. Porém, elas estavam igualmente distribuídas entre os dois
grupos. Representavam cerca de 11,7% do primeiro grupo e 11,9% do
segundo.
Para os pesquisadores, isso demonstra que aliar a
suplementação de ômega-3 a outras formas de tratamento pode não ser um
diferencial, até porque normalmente quem confia apenas nos suplementos
acaba não seguindo uma dieta saudável, que inclua frutas, vegetais e
alimentos pobres em açúcar e gorduras saturadas. Essa, por sinal, se
mostrou uma das formas de tratamento mais eficiente para evitar doenças
cardiovasculares e deve incluir alimentos fonte de ômega-3, como os
peixes de águas profundas, como salmão e atum.
Aposte em outros hábitos também!Como
não dá para contar cegamente com a suplementação de ômega-3, o ideal é
prevenir e adotar outras medidas que garantem um coração saudável e
blindado contra esse tipo de risco. Veja quais hábitos ajudam a evitar
que as doenças cardiovasculares se manifestem:
Sono reparador
Estudos recentes apontam que cerca de 40% dos
indivíduos hipertensos sofrem também de apneia obstrutiva do sono,
alertando para uma relação entre as doenças. A apneia atinge
aproximadamente sete em cada 100 pessoas e a incidência é maior no sexo
masculino. Estima-se que 24% dos homens de meia-idade e 9% das mulheres
são afetados pela apneia. A doença caracteriza-se pelo ronco que segue
em um mesmo ritmo, vai ficando mais alto e, de repente, é interrompido
por um período de silêncio. Neste momento, a pessoa fica totalmente sem
respiração, mas, logo o ronco volta ao ritmo inicial. Segundo o
presidente da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Artur Beltrame
Ribeiro, quem sofre de apneia do sono apresenta mais variabilidade da
pressão e o aumento está ligado à lesão dos órgãos-alvo, como coração,
cérebro e rins. Além disso, uma noite bem dormida tem a ver com viver
mais, de acordo com um estudo da Universidade de Warwick e da
Universidade Federico II, na Itália. De acordo com os pesquisadores,
quem dorme menos de seis horas ou mais de oito ao dia tem 12% a mais de
chance de morrer. Com a qualidade do sono prejudicado, crescem os ricos
de acidentes, por conta da sonolência, e de ataques cardíacos em função
do estresse.
Combata o estresse
O colesterol alto, que causa a
hipertensão e obstrui as artérias do coração, é um dos efeitos do
excesso de estresse. A ansiedade aumenta a liberação de cortisol no
organismo, hormônio que faz crescer a concentração de glicose no sangue,
desencadeando problemas como diabetes, altos níveis de triglicérides e
descontrole de colesterol. Cada vez que você fica ansioso, a quantidade
de radicais livres que passam a circular no seu organismo aumenta. Com a
ansiedade, a presença dos radicais livres no organismo aumenta, podendo
gerar o agravamento de problemas cardíacos. Isso porque eles interagem
com o colesterol em excesso no organismo, formando placas nas paredes
dos vasos sanguíneos, além de piorar certas doenças inflamatórias e
causar envelhecimento.
Prefira os óleos vegetais
Na luta para abaixar os níveis de colesterol, em
vez de apenas restringir o consumo dos tradicionais vilões do coração
(como as gorduras saturadas), você pode recorrer à ajuda de alguns
mocinhos. O óleo de canola e o azeite de oliva são bons exemplos de
alimentos que você deve incluir na dieta. Segundo a nutricionista
Roberta Stella, as gorduras monoinsaturadas presentes nos dois tipos de
óleos vegetais ajudam a reduzir as taxas de LDL, o mal colesterol. Já
os óleos vegetais ricos em gorduras poliinsaturadas, como o de soja,
girassol e milho, aumentam os níveis de HDL, considerado como bom
colesterol. A dica da especialista, portanto, é, além de ficar de olho
na quantidade de gorduras saturadas e trans, dar preferência aos
alimentos com maior quantidade de gorduras mono e poli-insaturadas.
Maneire nas carnes
Principalmente a carne vermelha apresenta uma
quantidade maior de colesterol. Ainda mais se conter capas generosas de
gordura. Porém, isso não significa que elas devem ser totalmente
excluídas do seu cardápio. "Controlando a ingestão dos outros alimentos
fontes de colesterol, é possível ingerir carne vermelha até três vezes
por semana", diz a nutricionista Roberta Stella. O fato de as carnes
vermelhas oferecerem mais colesterol, no entanto, não faz com que os
outros tipos de carnes possam ser consumidos à vontade. De acordo com
Roberta, as carnes brancas e magras também possuem colesterol e, por
isso, devem ser dosadas. "Os alimentos que contêm colesterol devem ser
monitorados de uma forma geral. Leve em conta que o total da gordura
obtido em um dia deve ser menor que 300 mg", completa. Uma dica: 100
gramas de contra-filé grelhado com gordura contêm 144 mg de colesterol.
Sem a gordura, a quantidade diminui para 102 mg.
Até o açúcar?
Isso mesmo. Um estudo publicado no Journal of
American Medical Association sugere que, assim como uma dieta rica em
gordura pode aumentar os níveis de triglicerídeos e colesterol, a
ingestão de açúcar também pode afetar as taxas de lipídios. Para a
realização do estudo, foram analisados os níveis de lipídios no sangue
em mais de seis mil homens e mulheres adultos. Os pesquisadores
descobriram que pessoas que consumiam mais açúcar tinham maior propensão
de ter uma doença cardiovascular. Os cientistas não sabem ao certo que
processo está envolvido nessa ligação do açúcar com o colesterol, pois
até hoje, o que se sabia era a associação entre o consumo de açúcar e o
diabetes. No estudo, o grupo de maior consumo ingeria uma média de 46
colheres de chá de açúcares "escondidos" nos alimentos por dia. O grupo
de menor consumo ingeria uma média de apenas cerca de três colheres de
chá por dia.
Vegetais - sempre!
Um importante estudo científico divulgado no
periódico americano Circulation demonstrou que o consumo de proteínas de
origem vegetal está associado à redução da pressão arterial, ao mesmo
tempo em que confirmou estudos anteriores de que o consumo total de
proteínas não aumenta os níveis de pressão sanguínea. O ácido
glutâmico, principal aminoácido encontrado nas proteínas vegetais, é um
dos micronutrientes que ajudam a controlar a pressão arterial. Essa é
uma das formas de se explicar a razão pela qual os vegetarianos têm
menor tendência a desenvolver hipertensão arterial.
Vitamina D
Um estudo realizado pela Universidade de
Michigan, nos Estados Unidos, revelou que 20% dos casos de hipertensão
em mulheres estão associados ao descontrole dos níveis da pressão
arterial em decorrência da falta de vitamina D no organismo. Este
nutriente pode ser encontrado em alimentos como a manteiga, gema de ovo,
fígado, entre outros, mas sua principal fonte de absorção é a luz
solar. Portanto, 15 minutinhos de exposição ao sol são mais do que
recomendados. O nutriente também é importante no processo de absorção de
cálcio e fósforo no intestino e na mineralização, ou seja, crescimento e
reparo dos ossos.
Vinho sim!
Um estudo publicado no "Public Library of Science
One", mostra que pequenas doses de resveratrol, um tipo de substância
antioxidante presente nas uvas, em especial as tintas, protegem o
coração contra o envelhecimento e reduzem os níveis de colesterol ruim, o
LDL. No entanto, não vale exagerar: uma taça de vinho por dia é
suficiente para dar proteger o coração sem maltratar o fígado, por conta
do teor alcoólico.
Ouça a música do coração
Um estudo realizado pela Universidade de
Maryland, nos EUA, com 10 participantes que não tinham nenhuma doença
aparente constatou que quando eles ouviam por 30 minutos suas músicas
preferidas ocorria a dilatação dos vasos sanguíneos. Esse gesto se
equipara a reação de uma gargalhada, ao fazer atividades físicas ou
quando tomavam medicações para o sangue. O diretor da cardiologia da
instituição, Michael Miller, explica que ocorreu um aumento de 26% no
diâmetro dos vasos, enquanto ao ouvirem uma música que não agradava
ocorria uma redução de 6%. Dessa forma, o sangue flui mais facilmente,
reduzindo as chances de formação de coágulos que causam infartos e
derrames, além de reduzir os riscos do endurecimento dos vasos,
característicos da aterosclerose.
Maneire no sal
Pesquisas científicas já comprovaram a relação
direta entre o consumo de sódio e a hipertensão arterial. De acordo
dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o brasileiro consome em
média 12 gramas de sal por dia, quando o recomendado seria limitar essa
ingestão a 6 gramas. Em geral, a quantidade é alta porque, além do sal
contido no alimento industrializado, as pessoas não dispensam apelar
para o saleiro durante as refeições. De acordo com a nutricionista
Eliane Cristina de Almeida, da Unifesp, o maior perigo do sódio é que
ele está escondido nos alimentos. "Alimentos como fast-food, comida
congelada, salgadinhos, biscoitos, refrigerantes, cereal matinal,
embutidos, chocolate, carne bovina, leite e derivados contém boa
quantidade de sódio que não costumamos perceber", diz a especialista.
Use fio dental
Uma pesquisa feita por cientistas da Itália e do
Reino Unido, publicada no site do Jornal da Faseb (do inglês, "The
Federation of American Societies for Experimental Biology"), mostra que
gengivas infectadas podem ser um fator de risco para desenvolver
problemas no coração. De fato, uma adequada higiene dental pode reduzir o
risco de aterosclerose, derrame e doenças no coração, independentemente
de outras medidas, como o controle do colesterol. "Há muito tempo se
suspeita de que a aterosclerose é um processo inflamatório e que a
doença periodontal tem um importante papel na aterosclerose", afirma
Mario Clerici, pesquisador do estudo.
Dieta mediterrânea
A dieta típica da região banhada pelo Mar
Mediterrâneo , ela é conhecida por seus benefícios ao coração. Os
principais participantes dos pratos são as gorduras protetoras, que agem
contra o desenvolvimento de doenças cardiovasculares , diz a
nutricionista do Minha Vida, Roberta Stella. Ela aumenta o nível de
colesterol bom (HDL) e diminuir as taxas do colesterol ruim (LDL) do
sangue, além de evitar a obstrução das artérias. Dentre as principais
características dessa dieta, estão o baixo consumo de carne vermelha, a
ingestão de frutas, cereais e nozes, o alto consumo de peixes, o consumo
moderado de vinho e o azeite de oliva como fonte de gordura saudável.
Além disso, os peixes contêm ômega 3, reconhecido como um nutriente
cardioprotetor, isto é, beneficia a saúde cardiovascular.