quinta-feira, 16 de maio de 2013

Em novo leilão, "fórmula" da Coca-Cola é vendida por R$ 30 milhões


O casal Cliff e Arlene Kluge, que disse ter achado a fórmula da Coca-Cola em uma carta de 1943, realizou um novo leilão no eBay para vender o susposto segredo do refrigerante mais famoso do mundo. O primeiro processo foi encerrado sem comprador. A segunda tentativa terminou com lance único, de US$ 15 milhões (cerca de R$ 30 milhões). Será que o comprador, registrado como n***r, vai honrar a oferta?

  
 
 
 PNF

Grifar é forma de estudo pouco eficiente, diz pesquisa


 
Um estudo realizado por pesquisadores de quatro universidades dos Estados Unidos indica que resumir e grifar textos são técnicas com baixa utilidade para o aprendizado dos estudantes. Das dez práticas avaliadas pelo trabalho científico, outras três compõem a lista com pior avaliação: criação de palavras-chaves, uso de imagens para fixação de conceitos e releitura.

  Fazer exercícios práticos e estudar aos poucos ao longo de todo o curso foram apontados como as melhores formas de aprendizagem por beneficiar diretamente alunos de diferentes idades e habilidades.

*Condições de aprendizado: inclui aspectos do ambiente de aprendizagem em que a técnica é implementada, sendo o estudo em grupo ou individual.
Características dos alunos: incluem variáveis como idade, capacidade e nível de conhecimento prévio.
Materiais: variam de conceitos simples para problemas matemáticos até textos científicos complicados
  Critério de tarefas: incluem diferentes medidas de resultados que são relevantes para o desempenho do aluno, como os de memória, resolução de problemas e compreensão

  De acordo com a pesquisa - divulgada pelo jornal da Associação pela Ciência Psicológica do país, o resumo e as marcações nos textos como ferramentas de aprendizagem possuem benefícios limitados. A primeira técnica não é considerada tão eficiente, pois é necessário um treinamento extensivo para seu sucesso. Quanto à segunda prática, foi observado pouco aumento no desempenho dos estudantes.

O uso de perguntas elaboradas, de auto-explicação e de uma prática intercalada de estudo recebeu utilidade moderada dentro dos parâmetros da pesquisa.
Parâmetros

  O trabalho avaliou os benefícios gerais levando em consideração quatro categorias de comparação: *condições de aprendizagem, características do estudante, materiais e critérios das tarefas. As 10 técnicas analisadas foram selecionadas de acordo com a facilidade de utilização e preferência dos estudantes. 
 
 
 
Fonte: Uol

Internet cresce entre os mais pobres e cai entre os mais ricos, aponta IBGE


No topo da pirâmide, recuo pode estar relacionado à troca de computador por smartphone

 
 Marília Almeida
José Rodrigues, 51 anos, se baseia na internet para definir preços da sua loja em Paraisópolis

Num puxadinho numa das entradas da Favela de Paraisópolis – a segunda maior de São Paulo – ficam José Francisco Rodrigues, de 51 anos, e seu computador de mesa conectado à internet. Pela rede ele paga contas, faz compras, acessa e-mail e define o preço dos tênis, bonés e camisetas esportivas que vende na Rodrigue's Sports.

“Se eu colocar um produto a um preço maior do que está na internet, perco o cliente”, diz ele, que no mês passado dobrou a velocidade da conexão – pelo triplo preço. Ultimamente, Rodrigues tem pensado em divulgar a loja pelas redes sociais. “A última ação de marketing que fiz foi com um carro de som”, lembra.

Quando o critério é o uso da internet, a pirâmide social brasileira tem se tornado cada vez menos desigual. Em 2011, a população com renda per capita de até 1 salário mínimo (R$ 678,00) – caso de Rodrigues – passou a representar 38% dos internautas do País, ante 32% em 2005, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O crescimento mais rápido, entretanto, ocorreu entre pessoas com o perfil como o Taísa Nascimento Carvalho, de 19 anos, – outra moradora de Paraisópolis –, que têm renda domiciliar per capita inferior a um quarto de salário mínimo, hoje R$ 169,50. Em 2005, apenas 3,8% dessa população havia usado a internet nos três meses anteriores à pesquisa. Em 2011, esse índice saltou para 21,4% – mais de 5 vezes mais. 
Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do instituto Datapopular, na população mais jovem já não existe diferença entre ricos e pobres no acesso à internet.

“Nas classes C e D há um grau razoável de analfabetismo funcional, então os mais velhos acessam menos. Mas todos os que têm 14 anos são internautas, independentemente da renda”, diz Meirelles.
  Marília Almeida
Taísa Carvalho, 19 anos: único ponto de internet em casa é o seu celular

No conjunto da população, porém, o fosso ainda existe. Em média, 30% dos que têm renda domiciliar de até 1 salário mínimo per capita usa a internet, ante 46,5% da média brasileira. Já entre os que ganham de três a cinco salários mínimos, o índice sobe para 76%.

“Obviamente, comparado com os estratos mais altos, ainda é bem pequena [a utilização da internet entre os mais pobres]. Ainda existe uma associação entre acesso a internet e renda, mas a disseminação e o barateamento da tecnologia têm permitido que até mesmo pessoas com rendimento de até um quarto de salário mínimo usem a rede”, afirma Adriana Beringuy, técnica do IBGE.

Uso ‘cai’ entre mais ricos

Já entre os mais ricos, aponta o estudo do IBGE, o uso de internet teve um leve recuo nos últimos dois anos – um fenômeno inédito na história da pesquisa. Em 2011, 67,9% da população com renda familiar com mais de cinco salários mínimos per capita (R$ 3.390) usava internet, ligeiramente abaixo dos 68,3% de 2009.

Segundo Adriana, essa menor utilização tem relação com a idade. A população mais rica tende a ser de uma faixa etária mais elevada, que usa menos a internet. Há porém, uma outra hipótese: o abandono dos computadores em favor de tablets e smartphones, cujas conexões não são levadas em conta pelo IBGE. A supervisora de vendas Vanessa Montoza, de 37 anos, fez essa migração do computador para o dispositivo móvel na hora de navegar na internet em janeiro passado, quando ganhou seu primeiro celular inteligente. Arquivo Pessoal
A supervisora de vendas Vanessa Montoza, 37 anos: smartphone 'aposentou' notebook

“Dá desânimo de ligar o computador. Só uso para mexer em fotografias”, diz ela. “"O celular está ligado o tempo todo, envia notificações em tempo real e acaba sendo mais prático.”

A migração também tem ocorrido, entretanto, em franjas mais baixas e mais velhas. O professor João Ronaldo Soares, de 55 anos e com renda na casa dos cinco salários mínimos, ainda usa o netbook para preparar aulas. Mas sonha com o dia em que usará seu smartphone – seu único portal para o mundo on-line há seis meses – em rede com os dos alunos.

“O abandono do computador pelo smartphone foi inconsciente. O que me chamou a atenção foi a praticidade”, diz ele, que leciona na Legião Mirim de Bauru, cidade do interior paulista. “Gostaria de poder transformar o celular, que hoje é um inimigo do professor em sala de aula, em um aliado.”

Adriana, do IBGE, acredita que a população que aposentou os computadores seja minoria. A partir da PNAD 2013, essas pessoas também começarão a contar como usuários da internet.

“Hoje em dia é difícil pegar alguém que exclusivamente acesse a internet por smartphone. Não é que não exista. Existe e tende a crescer, mas ainda é grande o número de pessoas que acessam por todas as modalidades”, diz ela.

O crescimento do uso de internet móvel tem sido mais expressivo entre as classes mais baixas, afirma Leonardo Contrucci, diretor de Pré-Pago da Telefônica Vivo.

“[O público das classes C, D e E] só não usa hoje internet como classe A e B porque ainda é um serviço considerado caro e não tão essencial”, diz.

Taísa, a moradora de Paraisópolis, paga R$ 17 por mês para acessar a rede. É barato, mas sempre estoura a cota de dados. Mais um motivo para visitar a casa do namorado, onde aproveita uma conexão aberta de algum vizinho desavisado. “Ali fico horas”, diz.
 
 
IG

Veja por que os homens adoram seios!


 

Não há como negar o poder de atração dos seios. O mercado entendeu essa fascinação e a cada ano lança novos sutiãs superpoderosos, capazes de transformar qualquer Twiggy em Sophia Loren. Meros decotes ganham status de “notícia”, classificando diversas manchetes pelo mundo. O número de cirurgias estéticas para colocação de próteses de silicone é sonho de consumo até de adolescentes. E boa parte das mais desejadas mulheres do planeta tem tal parte do corpo bastante avantajada, vide a eterna “Baywatch” Pamela Anderson e a exuberante Christina Hendricks.

Especialista na devoção masculina a esse símbolo absoluto da feminilidade, a Playboy recentemente lançou a sua “Batalha de Peito”, uma competição no estilo “mata-mata” na qual 16 mulheres disputaram o título de dona dos seios mais bonitos do Brasil. Na briga, a ex-BBB Adriana Sant’Anna levou a melhor, deixando para trás outra beldade pra lá de curvilínea, Andressa Ribeiro, musa do “Hipertensão”, da Rede Globo. Em 15 confrontos, o concurso teve 115 mil votos.

Mas o que explica tamanha atenção dada a contornos que todos nós conhecemos desde o nascimento? A novidade a respeito do assunto é o livro “The Chemistry Between Us: Love, Sex and the Science of Attraction” (“A Química Entre Nós: Amor, Sexo e a Ciência da Atração”, sem edição brasileira), dos autores Larry Young e Brian Alexander. Sucesso lá fora, a obra recorre à biologia para explicar os mecanismos cerebrais por trás de todo relacionamento, e os seios, é claro, têm destaque nas páginas.

Especialista em neurociência do vínculo social, o PhD Larry Young explicou em coluna publicada no The Huffington Post: “Os homens são os únicos mamíferos do sexo masculino fascinados por seios em um contexto sexual”. Para ele e seu colega Brian, essa atração começa ainda na fase de amamentação, quando a ocitocina, também conhecida como “hormônio do amor”, é liberada pela mãe. A produção dessa poderosa substância tem efeito direto sobre a dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer, e o resultado de tal combinação é a forte conexão entre mãe e filho, que, influenciado pela atenção recebida, retribui.

“Os meninos não aprendem no playground que os seios são algo para se interessar. Essa fascinação é biológica e profundamente enraizada em nosso cérebro”, afirma a dupla de autores, que defende a tese de que o mesmo mecanismo desencadeado durante a amamentação virá a se manifestar quando um homem se relaciona sexualmente com uma mulher. “É um impulso evolutivo inconsciente, capaz de ativar poderosos circuitos de ligação, criando um vínculo amoroso e estimulante”, completam.

Para a sexóloga e educadora sexual Ivana Almeida Silva Marques, no entanto, a fixação masculina pelos seios vai além do resquício hormonal e sofre grande influência cultural. “Anos atrás, a bunda dominava a preferência nacional. Natural, já que o biotipo da mulher brasileira é caracterizado por quadris mais largos e seios menores. A valorização desmedida dos sutiãs fartos é originalmente americana, uma moda que foi exportada – e abraçada – pelo mundo. Por isso, é muito difícil dizer que todos os homens dão tamanha importância aos seios desde sempre”, explica.

Guilherme Conti Marcello, psicólogo e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas (SP), concorda. “A ideia de que essa ligação é puramente hormonal compartilha os preceitos do que a psicanálise chama de Fase Oral, representada na fixação do bebê pela boca e, sobretudo, pelo seio. Mais tarde, no entanto, vimos que, muitas vezes, o dedo na boca era fruto de um processo natural, como o nascimento dos dentes, que faz a gengiva coçar. Quando os autores fazem essa conexão biológica, retomam concepções de Darwin, numa linha americana conhecida como Behaviorismo. Para eles funciona muito bem, mas é complicado afirmar, na América Latina, mais ainda especificamente no Brasil, que toda atração masculina pelo seio vem de uma memória tão anterior”, diz.

E, se levarmos o meio social como determinante de comportamentos, não podemos deixar de lado os fatores ditados pela moda, que define não apenas tons, tecidos e cortes a cada nova estação, como também qual é o corpo da vez. Na linha do tempo já entraram as musas do Renascimento (consideradas gordas para os padrões atuais), as anoréxicas das passarelas, as obcecadas por malhação, as mulheres-frutas e agora, ainda bem, as saudáveis. Nesse grupo, voltam a ganhar destaque os seios naturais, pequenos ou não, e retornam às salas de cirurgia mulheres que têm trocado suas próteses de silicone por outras menores.

Mas o cenário é paradoxal. “A linha moderna prega a valorização de corpos genuínos ao mesmo tempo em que a medicina estética faz progressos grandiosos. E beleza, hoje, é uma indústria gigantesca”, ressalta Ivana. “Essa volta ao seio natural contradiz os avanços que tiraram a noção de que toda mulher pode ser bonita e sensual com o corpo que ela tem. Hoje em dia, as pessoas que conseguiram escapar desses modismos estão criando uma nova moda. Padrões originais voltaram a ter o simbolismo de sexualidade e estão aparecendo como novidade”, afirma Guilherme.

Fato é que, mesmo sem desbancar o bumbum, há algum tempo o homem brasileiro vem olhando com maior atenção para os seios, e a intensidade de persuasão é inquestionável. Espiar com o decote alheio é irresponsavelmente irresistível até para uma mulher, ou não? (Postado por O Controle da Mente – Fonte: delas.ig.com.br)

Cursos semipresenciais da UFC aderem a seleção por Enem



O Instituto Universidade Virtual, da Universidade Federal do Ceará (UFC), informa que o próximo ingresso de novos alunos aos cursos de graduação a distância se dará exclusivamente pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As inscrições para o Enem já iniciaram. Até 27 de maio, o interessado deve inscrever-se pelo site do Enem (http://sistemasenem2.inep.gov.br/inscricaoEnem/).
A taxa de inscrição tem o valor de R$ 35,00 e estão isentos do pagamento os estudantes de escolas públicas ou de família com renda de até um salário-mínimo e meio por pessoa. As provas estão previstas para os dias 26 e 27 de outubro. As vagas ofertadas serão divulgadas posteriormente por edital e as notas de classificação serão aproveitadas das provas do Enem.
Os cursos ofertados são de Licenciatura em Física, Matemática, Química, Letras Português, Letras Espanhol, Letras Inglês e Pedagogia, além do Bacharelado em Administração com Foco em Gestão Pública. Hoje, os cursos de graduação a distância da UFC chegam a 29 polos no Estado, em 25 municípios cearenses, além da Capital. São eles: Aracati, Aracoiaba, Barbalha, Beberibe, Brejo Santo, Camocim, Campos Sales, Caucaia, Ipueiras, Itapipoca, Jaguaribe, Meruoca, Piquet Carneiro, Juazeiro do Norte, Maranguape, Missão Velha, Orós, Quiterianópolis, Quixadá, Quixeramobim, Russas, São Gonçalo do Amarante, Sobral, Tauá e Ubajara.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Fracionar o sono aumenta a produtividade, mas coloca a saúde em risco

Dormir oito horas por dia é o sonho de muita gente. Porém, existem aqueles que preferem passar menos horas dormindo e usar seu tempo livre para trabalhar e criar. Estes são os adeptos do sono polifásico, termo utilizado para definir um padrão de sono diferente, onde o período de descanso é fracionado e reduzido. A estratégia, usada por Amyr Klink em suas viagens, por uma questão de sobrevivência, vem sendo adotada para aumentar a produtividade - o que pode ser bem arriscado para a saúde.

A maioria dos praticantes opta pelo estilo Everyman -  dormem por três horas e, durante o restante do dia, fazem três cochilos de vinte a trinta minutos. Essa soma resulta em aproximadamente quatro horas a menos que as tradicionais oito, dos monofásicos. As demais opções do sono polifásico são Dymaxion (quatro cochilos de 20 a 30 minutos por dia), Uberman (seis cochilos de 20 a 30 minutos por dia) e Chase (duas horas de sono três vezes ao dia).

Um dos entusiastas do sono polifásico é o programador Gustavo de Sousa Lima, de 29 anos, que vive no Rio de Janeiro.  Ele conta que descobriu este novo padrão de sono há pouco mais de um ano enquanto pesquisava sobre como conseguir mais tempo livre. "Quando era pequeno, me lembro de ouvir na sala de aula algum professor falar de Michelangelo, Leonardo da Vinci, que eles não dormiam como as outras pessoas. Isso sempre me interessou", diz.

AMYR KLINK PRATICA, MAS NÃO INDICA

  • O navegador Amyr Klink é sempre lembrado quando se fala em sono polifásico, mas ele próprio não conhecia a denominação: "Para alguém que pode dormir normalmente, eu não indicaria esta modalidade de sono. Apesar de achar interessante, tenho certeza que não deve ser bom para a saúde"
O programador conta que é necessário se ajustar a uma rotina de cochilos para conseguir êxito. Ele segue o modelo Everyman, que considera o mais fácil. E frisa que é importante não ultrapassar 20 ou 30 minutos de sono, nem pular um dos cochilos e aumentar o próximo, pois isso quebra o ciclo.
"No primeiro dia, você não consegue, no segundo melhora, porque está cansado. O corpo busca modos de sobrevivência, seja pela alimentação, por exercícios, condicionamento e adequação. Creio que sejam necessárias duas semanas para a adaptação total", conta ele, que criou uma página para calcular o sono polifásico.
 
Saúde em risco

A prática, no entanto, é condenada por médicos: "Pessoas que trabalham em turnos têm seu sono fragmentado artificialmente e dormir em períodos diferentes não é bom para a saúde, isso porque a liberação de determinados hormônios e a regulação do metabolismo depende do ciclo circadiano", explica Eduardo Genaro Mutarelli, Professor Doutor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP e Supervisor do Ambulatório de Somatização do IPQ do hospital das Clínicas de São Paulo.

Para ele, o sono polifásico não é algo natural ou fisiológico e, sendo assim, prejudicaria a saúde da pessoa submetida a estas circunstâncias, levando a uma situação de estresse.

A neurologista Anna Karla Smith, do Instituto do Sono de São Paulo, concorda: "Este padrão é desorganizado. Não há uma linha de pesquisa que comprove que faz mal à saúde, mas o indivíduo que segue este padrão está caminhando contra a fisiologia. Isso pode gerar problemas hormonais, doenças cardiovasculares e metabólicas. Ele está correndo na direção contrária à natural".

Lima, no entanto, está há quase um ano dormindo desta forma e diz que não teve problemas de saúde neste período. Pelo contrário, sente-se revigorado: "Sinto-me bem disposto e aproveito uma parte das horas que ganhei para fazer exercícios".

Ele lembra que ficar mais tempo acordado pode engordar, pois é comum sentir mais fome.  "O que você vai fazer neste período que ganhou é importante. O perigo é comer mais, daí acaba engordando mesmo".

Muitos também rebatem as críticas dizendo que, no começo da civilização, o homem dormia menos horas. A médica esclarece: "Sim, as pessoas falam isso, mas não sabemos como era a atmosfera naquele tempo, nem se o dia durava o mesmo que hoje e quantas horas de luz fazia. Hoje, os estímulos são maiores".

Veja os tipos de sono: monofásico, bifásico e polifásico

  • São quatro os tipos de sono polifásico mais conhecidos (Everyman, Dymaxion, Uberman e Chase), sendo que a principal diferença entre eles é a divisão das horas dormidas, conforme demonstra o quadro acima

Vida profissional


Porém, não há como negar que o sono polifásico atrapalha principalmente a visa social e profissional. "Não sou casado e trabalho em casa. O segredo de quem mora com alguém é não atrapalhar o outro. Já em relação ao trabalho é complicado porque você precisa ter três cochilos diários", diz o programador.
Ele aconselha a quem trabalha fora dormir pouco antes de ir para o trabalho; na hora do almoço conseguir um lugar calmo e, se for possível, quando estiver voltando para casa, cochilar no transporte público, seja ônibus, metrô ou trem.

VOCÊ É MATUTINO OU VESPERTINO?

  • Você é do tipo que dorme tarde e passa o dia feito um zumbi? Pessoas que "funcionam melhor" a partir do meio-dia são chamadas de vespertinas
Outros críticos do sono polifásico dizem o sono de oito horas inclui várias fases REM (Rapid Eye Movement) - é neste período que sonhamos, algo essencial para o ser humano. Quem pratica o sono polifásico não teria essa vantagem.

Lima concorda que o REM não pode ser longo e que ele geralmente se lembra dos sonhos. "Como os cochilos demoram em média 20 minutos, quando acordo, é comum me lembrar, porque estava no meio deles".

Ele confessa que, no início, acordar sozinho é praticamente impossível. Sua dica é deixar o despertador bem longe de onde estiver deitado ou escondido. "Porque mesmo que a gente não se lembre como, é comum desligá-lo e continuar a dormir. Tem de ter muita vontade, porque é um período cruel. Muita gente acaba desistindo no terceiro ou quinto dia".

Quando é necessário

A neurologista lembra que há casos em que as pessoas precisam preparar seu corpo para se adaptar ao sono polifásico, caso de astronautas, militares e velejadores. "Imagino que o Amir Klink se prepare antes de sair em suas expedições marítimas. Neste caso, há a necessidade de se ficar alerta, pela sobrevivência mesmo, mas é preciso ter um acompanhamento antes".

Os defensores do sono polifásico sempre citam nomes como Michelangelo, Da Vinci, Nikola Tesla, Thomas Edison como sendo praticantes. Smith lembra que nem sempre trocar o dia pela noite seja praticar o sono polifásico.

"Pessoas muito criativas, com um cérebro mais ativado, tendem a dormir menos à noite, fazendo uma compensação diurna. Para ter certeza que que alguém que faça isso seja polifásico, seria preciso usar um actígrafo, aparelho que detecta os movimentos da pessoa enquanto ela dorme", admite a médica.

No entanto, por mais vantajoso que o sono polifásico possa parecer, Lima assume que não irá fazer isso para sempre.  "Existem muitos programadores como eu adeptos, mas é comum quem vai prestar vestibular ou concurso fazer isso para ter mais tempo para estudar. Depois, pode-se voltar ao sono monofásico, o que é muito mais fácil que entrar no polifásico".

A neurologista alerta: "Não se torne adepto do sono polifásico por hobby. Se tiver necessidade, tenha uma supervisão médica. Ou isso irá virar seu corpo pelo avesso!".

Após voltar pra casa, 'poeta das ruas' continua a escrever histórias


CARLA GUIMARÃES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, EM GOIÂNIA
O "poeta das ruas" de São Paulo, Raimundo Sobrinho, 74, passou 20 anos no canteiro central da avenida Pedroso Morais, zona oeste. Em dezembro de 2005, a Folha contou sua história.
Há um ano, ele foi encontrado pelo irmão --graças a ajuda de uma publicitária que se sensibilizou com sua história-- e levado para morar em Goiânia com a família. Entre lacunas e imprecisões, o poeta conta sua trajetória.
*
Os documentos dizem Raimundo Arruda Sobrinho, nascido em 1º de agosto de 1938, na fazenda Sol Ferino, em Porto do Sítio [atual Goiatins, norte do TO].
Meu pai era vaqueiro. Nascido e criado na zona rural, fui levado aos 16 anos para a cidade, me entregaram para o prefeito, para educar.
De agosto de 1954 a janeiro de 1961 morei com o prefeito. Ia no período das aulas e passava férias em casa.
Em 1960 fui reprovado na segunda série ginasial, me desgostei e fui para São Paulo --cheguei em 10 de janeiro de 1961. Um conhecido me arranjou a passagem.
Fui procurá-lo [o conhecido] na Vila Madalena, num cortiço de madeira. Amanheceu e já fui trabalhar de jardineiro.
Em 1974 houve um desgosto qualquer, abandonei o jardim e fui vender livro velho pelas calçadas. Passava semana sem vender um. Não ganhei nem mais para alimentação.
Dois anos depois estive internado na psiquiatria do Hospital das Clínicas. Muita gente diz: "Tu não sabe o que é um hospital psiquiátrico".

Memórias do canteiro central

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Marlene Bergamo-21.dez.05/Folhapress
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Em dezembro de 2005, no canteiro central da avenida Pedroso de Morais, Raimundo Sobrinho, hoje com 74 anos, escreve em seus cadernos poemas abstratos que dava para as pessoas
Tive 14 endereços até 1978. Morei num quarto e cozinha sem luxo, mas asseado, onde ficou tudo que é meu.
Quando me fizeram abandonar a casa em que eu morava, em 29 de abril de 1978, comecei a dormir pelas ruas.
Ali me reconheci vítima de violação de direitos humanos. Procurei consulados, ninguém prestou atenção.
Sem dinheiro para nada, decidi em 1980 tentar ir para a Argentina. Fui até onde disseram que era Uruguaiana (RS). Cheguei em julho de 1980. Alegaram falta de documento...
Em outubro tentei o Paraguai. Cheguei num dia, no outro fui preso. Passei três dias na cadeia. O cônsul brasileiro me retirou. Deixaram-me onde disseram ser Foz do Iguaçu. Ali fui servente de pedreiro.
No Uruguai. entrei mas não pude ficar. As autoridades e eu nos desentendemos.
Voltei a São Paulo em 1983. Estive no Morumbi, Jardim Paulista, Ibirapuera. Em 1985 fui para a av. Amarílis, onde vivi até junho de 1989.
Numa madrugada chegou um carro cheio de rapazes, acordaram-me e ameaçaram-me. Na rua das Amoreiras fui apedrejado. Não mataram porque não quiseram.
Ficava num local enquanto podia. Havia demonstração de desapreço, me afastava.
Ali [canteiro central da Pedroso de Morais] cheguei era 27 de outubro de 1993. Vivia debaixo de plástico, noite e dia cercado por assaltantes.
Em 1986, em novembro, nasceu o atual diário --diário de uma vítima de violação de direitos humanos.
As mínipáginas não me lembro bem, mas nasceram nesse período. Tudo que escrevo assino, dato e localizo. O público dava os papéis.
A produção é reduzida. Se a pessoa chegasse e eu tivesse minipágina, dava. Se não tivesse, prometia, fazia e guardava à espera da pessoa.
Além delas tem os caderninhos. A capa é feita de papel de embrulho. Fiz centenas.
O barulho dos automóveis não alterava para escrever, só a má iluminação. Qualquer hora escrevia, até debaixo de chuva. Arranjava um plástico, sentava numa lata de 18 litros e continuava trabalhando.
Tem coisas nos meus escritos que considero de valor científico. Chegou um ponto que deixei de assinar meu nome, para assinar o pseudônimo "O Condicionado". Não me lembro a partir de quando. Comecei a ouvir "o condicionado". Descobri que era eu.
Em 1986 veio um pessoal que disse ser do programa Flávio Cavalcanti [então transmitido pelo SBT], me entrevistaram e perguntaram se poderia ir ao programa. Trouxeram a mulher do Antônio Souza Porto [ex-prefeito de Goiatins] e o filho dela.
Do programa me levaram para um hotel. No outro dia me arrastaram até Goiânia. Eu não queria vir. Passei um mês e voltei para o mesmo local que vivia, no Morumbi.
ADAPTAÇÃO
Desta vez disseram que foi com essa instituição dos celulares que me localizaram. Envolveu uma jovem que começou a frequentar o local que eu vivia [a publicitária Shalla Monteiro].
Disseram que ela se comunicou com o Francisco [Arruda, irmão dele]. Ele foi lá duas, três ou quatro vezes, e terminou arrastando-me para cá. Eu não queria.
Não teve problema de adaptação. Preferia continuar lá, porque aqui estou dando trabalho, ocupo espaço, consumo, como, bebo.
Aqui a ordem foi que não preciso trabalhar. O que posso ajudar, faço. Limpar, varrer embaixo dessas mangueiras.
Amanheceu o dia faço o que é possível, depois pego os papéis. O fundamental é o diário. As minipáginas faço o que posso. Aqui não tem muita necessidade delas. Lá precisava para dar a quem me desse alguma coisa, tenho a necessidade moral de retribuir com qualquer coisinha.
Não me considero escritor, mas uma pessoa que sabe gastar papel. Não ganhei um centavo à custa do que escrevi. Tentei. O mundo editorial não pôde pagar coisa nenhuma. Publicar não quero.
Não sei coisa nenhuma o que fazer da vida. Escrever, enquanto eu puder, vou escrever.

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