Os celulares tipo smartphones produzidos no Brasil deverão ter um pacote
mínimo de aplicativos desenvolvidos no Brasil para terem direito à
redução nas alíquotas de PIS/Cofins, anunciadas pelo governo nesta semana.
O "Diário Oficial da União" publicou a portaria nº 87 do Ministério das
Comunicações, que especifica os requisitos técnicos mínimos para que
telefones celulares tipo smartphones possam ter a tributação reduzida.
O texto afirma que terão reduzidas a zero as alíquotas de PIS/Pasep e
Cofins sobre a receita bruta da venda a varejo os smartphones que
tiverem já instalado um pacote mínimo de aplicativos desenvolvidos no
Brasil. As empresas terão seis meses para cumprir este critério.
Segundo o Ministério das Comunicações, a desoneração deve levar a uma
redução no preço final ao consumidor de até 30% em relação aos
smartphones importados, que pagam também IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados).
Os aparelhos também deverão ser produzidos com um sistema operacional
que possibilite o desenvolvimento de aplicativos por terceiros, além de
aplicativos de navegação e correio eletrônico, tela sensível ao toque ou
teclado físico no padrão Qwerty.
A tela deverá ter área superior a 18 centímetros quadrados.
Os smartphones deverão ainda contar com acesso à tecnologia 3G, 4G ou
outra capacidade de dados superior, além de suporte à conexão wi-fi.
O documento destaca também que o valor de venda no varejo dos smartphones não pode superar R$ 1.500.
A portaria determina que os fabricantes interessados na desoneração
deverão encaminhar planos de produção à Secretaria de Telecomunicações.
No órgão, o Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia (Deict)
Telecomunicações avaliará as propostas no prazo máximo de 30 dias após o
recebimento, segundo o texto.
Aparelhos das marcas Samsung, Apple, Nokia e Motorola já possuem produção nacional e poderão entrar na lista para cobrança menor de impostos.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
65 MILHÕES
Atualmente existem 65 milhões de smartphones no Brasil, segundo o
governo. Antes da medida, a previsão era de 130 milhões de smartphones
até o fim de 2014.
Cada vez mais baratos, os smartphones experimentaram um salto de vendas
no Brasil no ano passado e caminham para representar metade dos
aparelhos celulares comercializados neste ano.
Segundo dados da consultoria IDC, foram vendidos 16 milhões desses
aparelhos no ano passado, uma expansão de 78% em relação a 2011 (veja
abaixo), e os smartphones passaram a responder por 27% das vendas de
celulares no Brasil --ante 11% em 2011.
Antes da desoneração, a consultoria estimava um avanço de 80% nas vendas
de smartphones neste ano, para cerca de 29 milhões de unidades (44% do
total).
Em 2012, o valor médio pago por um smartphone no Brasil foi de US$ 380
(cerca de R$ 760), segundo a IDC, valor 19% menor do que no ano
anterior. Há dois anos, o preço era US$ 558 (R$ 1.100).
DIA DAS MÃES
O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que os aparelhos estarão desonerados antes do Dia das Mães "com certeza".
"Para o Dia das Mães com certeza esses aparelhos já estarão mais
baratos", disse Paulo Bernardo. "Principalmente porque não há
complicações. O decreto prevê desoneração para o consumidor, na loja,
então até os que já estão à venda poderão ser vendidos com o benefício."
Para o ministro, o incentivo maior para a venda de aparelhos de celular
não deve representar piora no serviço. "Se levássemos isso ao extremo, a
gente diria que a maior demanda das pessoas por voos teria piorado a
qualidade dos aeroportos. Nós temos é que cobrar das empresas que
melhorem a qualidade do serviço."
"Achamos que estamos fazendo a coisa certa", disse. "As empresas têm que 'se virar nos 30' para fazer a parte delas."
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