O presidente do Inep, órgão responsável pelo Enem (Exame Nacional do
Ensino Médio), afirmou nesta quinta-feira (9) que estuda utilizar lacres
eletrônicos em todos os malotes com provas da edição do exame deste
ano.
Em 2012, 10 mil malotes, de um total de pouco mais de 48 mil, utilizaram
o dispositivo. O recurso é capaz de monitorar o exato momento em que um
malote é aberto e fechado e pode ser utilizado em até seis provas. O
rastreamento era feito até o momento em que as provas chegavam ao local
de aplicação do Enem.
"Os resultados são extremamente positivos. Tecnicamente [a experiência]
está muito bem", disse o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa na
Câmara dos Deputados. Costa participou na manhã de hoje de audiência
pública na Casa sobre a correção de redações do Enem.
CRÍTICAS
Especialistas em educação comentaram o processo de correção da redação
do Enem e fizeram sugestões de mudanças. Houve críticas, por exemplo, à
concessão de nota mil a redações com erros pontuais, como publicado pelo
jornal "O Globo" em março.
"A tolerância ao erro é sinalizar [a política do] do mais ou menos. Eu
não posso sugerir que com mais ou menos, você passa", disse Chico
Soares, professor da pós-graduação em Educação da UFMG (Universidade
Federal de Minas Gerais). "O sistema [de correção] ainda não está
completamente maduro para a gente não se preocupar com o processo",
completou.
O professor do Instituto de Letras da UERJ Cláudio Cezar Henriques
apontou ainda as dificuldades dos corretores em analisar milhões de
redação num curto prazo de tempo. "A discrepância de cem [pontos] vai
iludir a realidade", afirmou sobre mudança no edital deste ano.
No Enem 2013, uma redação será analisada por um terceiro avaliador
quando a diferença entre notas dadas anteriormente por outros dois
profissionais for maior do que cem pontos.
No ano passado, a discrepância era de no mínimo 200 pontos. O edital da
prova deste ano foi publicado nesta quinta-feira no "Diário Oficial da
União". As inscrições para a prova começam na próxima semana.
Luiz Cláudio defendeu mais uma vez as notas dadas a alunos que incluíram receita de miojo e hino de futebol
nas redações do ano passado, mas apontou que mudanças na análise foram
feitas. A partir deste ano, textos com inserções indevidas serão
zeradas.
"Modificamos porque achamos que o debate foi válido. (...) Todas as
redações foram corrigidas, lidas, em critérios que estamos buscando cada
vez mais padronizar", disse.
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