Márcio Nakashima, irmão de Mércia, assassinada em 2010, foi a primeira
testemunha a depor na manhã desta segunda-feira (11). Ele falou aos
jurados que Mizael Bispo, ex-namorado da vítima, ameaçava e perseguia a
vítima.
"Quando ele não conseguia falar com ela, ele saía atrás dela. Ele
gostava de controlar o que ela fazia", afirmou. Márcio ainda disse que,
mesmo após o fim da parceria profissional --eles eram sócios em um
escritório de advocacia-- e do relacionamento, Mizael continuava
passando em frente ao prédio da vítima. O acusado também ligava
repetidamente para o celular de Mércia, o que fez com que ela trocasse o
número do celular diversas vezes.
Antes do depoimento, Mizael foi retirado do plenário a pedido do
Ministério Público. De acordo com a acusação, a testemunha se sentia
ameaçada pelo réu. A defesa contestou que, por ser advogado, Mizael
faria sua autodefesa, porém o juiz Leandro Bittencourt Cano deu seu
parecer favorável à Promotoria.
Interrogado pelo promotor Rodrigo Merli Antunes, Márcio ainda falou que
Mizael "se transformou" durante o relacionamento e passou a se mostrar
controlador e agressivo.
"Ele se transformou em uma pessoa possessiva, ciumenta. No começo, ele
ia nas festas em casa e ele interagia, conversava com todo mundo. Com o
tempo, ele começou a ficar em um canto e a Mércia tinha que sentar do
lado dele. Ela só falava com a gente se perguntássemos alguma coisa para
ela", contou Márcio.
As mudanças de temperamento teriam sido um dos motivos para o término do relacionamento.
A testemunha relatou que nunca viu a irmã ser agredida. Entretanto,
relatou que, após o crime, Cláudia --outra irmã da vítima e da
testemunha-- contou que Mércia estava chateada e ficou trancada no
quarto alguns dias. Ela teria marcas de machucados pelo corpo. Quando
questionada por sua irmã sobre os hematomas, ela respondeu que tinha
tido uma discussão um pouco mais calorosa com o Mizael. Mércia ainda
teria dito à irmã "você sabe como ele é truculento né?"
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CRONOLOGIA DO CASO MÉRCIA
| Divulgação |
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| Mércia Nakashima, encontrada morta na represa de SP |
23 de maio de 2010
A advogada Mércia Nakashima desaparece após almoçar com a família
10 e 11 de junho
O carro da advogada é encontrado na represa de Nazaré Paulista (64 km de SP) no dia 10 de junho, e seu corpo no dia seguinte
25 de junho
A Justiça de São Paulo decreta a prisão preventiva do vigia Evandro
Bezerra Silva, depois de ele não aparecer para prestar depoimento no
DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa)
9 de julho
O vigia Evandro Bezerra Silva é preso na cidade de Canindé do São Francisco, em Sergipe
10 de julho
Justiça decreta a prisão temporária de Mizael Bispo de Souza, 40,
ex-namorado da advogada Mércia Nakashima, suspeito de ter participado do
crime
| Andre Vicente/ Folhapress |
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| Carro de Mércia é retirado da represa em Nazaré Paulista (SP) |
14 de julho
Justiça suspende pedido de prisão de Mizael, que não chegou a ser preso
2 de agosto
O Ministério Público oferece denúncia (acusação formal) contra Mizael e Evandro por homicídio qualificado e ocultação de cadáver
3 de agosto
A Justiça de Guarulhos aceita a denúncia e decreta a prisão preventiva dos dois acusados
4 de agosto
O advogado de Mizael Bispo de Souza, Samir Haddad Junior, entra com
pedido de habeas corpus. Mizael não se entrega e é considerado foragido
5 de agosto
A desembargadora Angélica de Almeida, da 12ª Câmara de Direito Criminal
do Tribunal de Justiça, suspende a prisão preventiva de Mizael
9 de agosto
A 12ª Câmara de Direito Criminal do TJ suspende a prisão preventiva de Evandro
11 de agosto
Polícia faz a reconstituição de parte do dia em que Mércia Nakahima
desapareceu. A polícia refez os passos de Mizael das 11h do dia 23 de
maio até por volta de 18h40. Mércia teria sido vista pela última vez por
volta de 18h30. Segundo o delegado Antônio de Olim, que coordenou a
investigação, a vistoria serviu para reforçar as contradições no
depoimento de Mizael
31 de agosto
O Instituto de Criminalística entrega à Polícia Civil e ao Ministério
Público o laudo sobre a morte de Mércia. A principal evidência
apresentada no documento é uma alga encontrada em um sapato de Mizael,
que seria compatível com espécie presente na represa de Nazaré Paulista
onde o corpo dela foi encontrado
18 a 21 de outubro
Justiça de Guarulhos ouve 21 testemunhas do caso, além dos dois acusados, durante audiência de instrução
7 de dezembro
Juiz decreta a prisão preventiva de Mizael e Evandro e decide levar os
dois acusados a júri popular. Os dois não se entregam e são considerados
foragidos
17 de dezembro
Os advogados de defesa de Mizael e Evandro entram com recursos contra o decreto da prisão preventiva no Tribunal de Justiça
27 de dezembro
A desembargadora Angélica de Almeida, da 12ª Câmara Criminal do TJ, nega habeas corpus em favor de Mizael e Evandro
10 de janeiro de 2011
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) nega pedido de habeas corpus feito pela defesa de Mizael
24 de fevereiro de 2012
Mizael se entrega à Justiça após mais de um ano foragido. Advogado diz que pediu prisão domiciliar para ele
21 de março
A 12ª Câmara de Direito Criminal do TJ mantém decisão de levar Mizael e Evandro a júri popular
15 de maio
A 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) nega pedido de habeas corpus a Mizael
23 de junho
Evandro é preso no povoado de Candú, zona rural de Carneiros, sertão de Alagoas