segunda-feira, 18 de março de 2013

Papa Francisco confirma presença na Jornada Mundial da Juventude


O papa Francisco vai participar da Jornada Mundial da Juventude, que acontece de 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro. O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, confirmou a presença do papa no encontro e lembrou que Francisco fala português. Segundo o porta-voz, o papa se comunica em sete idiomas, inclusive o latim. A jornada é um encontro mundial promovido pela Igreja Católica Apostólica Romana a cada dois ou três anos. Os jovens são considerados os protagonistas. O objetivo é divulgar a religião, incentivar a fé e atrair fiéis. A última Jornada Mundial da Juventude foi em Madri, na Espanha, em 2011.
O lema da jornada deste ano é: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”. Segundo os organizadores, o objetivo é levar a esperança da qual nasce a fé, assim como a generosidade e o testemunho da vida cristã. A convocação para a jornada, no Rio de Janeiro, foi feita pelo papa emérito Bento XVI. O porta-voz evitou confirmar que a visita ao Brasil será a primeira viagem ao exterior do papa. De acordo com ele, o próprio Francisco ainda está organizando sua agenda e não é possível confirmar viagens.
Fonte: Agência Brasil

Pânico deixa Marquezine constrangida ao falar de Neymar





Bruna Marquezine ainda não está totalmente à vontade para falar publicamente sobre seu namoro com Neymar, ainda mais quando o assunto é ‘picante’. Neste domingo, o Pânico na Band deixou a atriz global muito ‘sem graça’ ao perguntar questões da vida íntima do casal.
“Qual fantasia o Neymar mais gosta?”, perguntaram Tucano Huck e o repórter Vesgo ao encontrá-la na entrada de uma festa. Bruna, que tem apenas 17 anos, ficou constrangida e saiu sem responder.
O assunto surgiu quando a atriz falou sobre a festa à fantasia que foi com Neymar em comemoração ao aniversário do cantor Thiaguinho na semana passada. Bruna estava vestida de Dorothy, do clássico Mágico de Oz. Já o craque se fantasiou de Quico, um dos personagens do famoso humorístico mexicano, Chaves.
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Bruna Marquezine reforça time de beldades que já desfilaram com jogadores de futebol25 fotos

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Bruna Marquezine entrou para o time de famosas e beldades que já se envolveram com jogadores de futebol. Após meses de rumores, a atriz no ar em Salve Jorge e o craque Neymar assumiram o namoro durante o Carnaval, na Sapucaí Leandro Moraes/UOL, Raquel Espírito Santo e Reprodução/Instagram

Escolhido "mensageiro" de sua tribo, índio brasileiro aprende inglês em Nova York

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Escolhido "mensageiro" de sua tribo, índio brasileiro aprende inglês em Nova York 6 fotos

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O ativista, líder indígena e cineasta Nilson Tuwe Huni Kui, 29, está vivendo, por nove meses, um cotidiano muito distinto da sua realidade, na cidade de Nova York. Ele vem do povo indígena Kaxinawá, também conhecido como Huni Kiu, de uma aldeia na região amazônica do Acre, com apenas 600 habitantes. Fascinado por tecnologia e por imagens, o jovem líder indígena está na metrópole americana para aprender inglês Ilya Shnitser/BBC
Um ativista, líder indígena e cineasta está vivendo, por nove meses, um cotidiano muito distinto da sua realidade cotidiana - na cidade de Nova York.
Nilson Tuwe Huni Kui, de 29 anos, vem povo indígena Kaxinawá, também conhecido como Huni Kiu, de uma aldeia na região amazônica do Acre com apenas apenas 600 pessoas.

"Cheguei à cidade de Nova York diretamente da Floresta Amazônica ocidental brasileira. É uma viagem muito longa, chega primeiro sua matéria, você chega fisicamente supercansado. De um tempo que vai chegando seu espírito. Porque você vem muito rápido de avião, então seu espírito chega depois'', comenta.
Para chegar à aldeia de Nilson, é preciso realizar uma viagem de barco de cinco dias a partir da cidade mais próxima.
O jovem líder indígena está na metrópole americana para aprender inglês, e conta que o processo de adaptação tem sido complicado.

Choque

''Ao chegar aqui foi um choque, foi uma impressão muito forte. Primeiro, é uma cidade muito grande, com muita gente, de várias partes do mundo, que que falam línguas diferentes, que tem uma culinária diferente e, aqui, o clima é muito frio'', descreve.
Mas, a despeito das dificuldades iniciais, ele preza a experiência e o aprendizado.
''Eu sou filho de uma grande liderança, o meu pai é como se fosse o Obama lá da minha terra. Eu fui educado e escolhido como uma jovem liderança de meu povo, para ser um mensageiro. O meu sonho era poder aprender o inglês, divulgar a cultura do meu povo, conseguir mais parcerias.''
Ele se diz fascinado pela tecnologia e por imagens. ''Eu adoro a tecnologia e adoro trabalhar com filmagem. Através da tecnologia, você pode conhecer o mundo e pode fazer o mundo conhecer melhor o seu mundo. Eu gostaria muito, futuramente, de ser um profissional, na área do audiovisual, para ajudar o meu povo.''
Atualmente, ele prepara um documentário sobre tribos isoladas.

Unilever anuncia recall de suco contaminado com produtos de limpeza

  • Reprodução
A Unilever anunciou um recall de um lote do suco de maçã AdeS por contaminação com produtos de limpeza. A empresa alerta que a ingestão da substância pode provocar queimaduras.
Caso semelhante ocorreu com a Pepsico em 2011, quando alguns lotes do achocolatado Toddynho foram contaminados da mesma forma.
De acordo com o comunicado, cerca de 96 unidades do produto estão inapropriadas para o consumo humano (lote com as iniciais AGB 25, fabricado em 25/02/2013, com validade até 22/12/2013).
As embalagens com o produto contaminado foram distribuídas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
"Nessas unidades, foi identificada uma alteração no seu conteúdo decorrente de uma falha no processo de higienização, que resultou no envase de embalagens com solução de limpeza", disse a Unilever em nota.
De acordo com a empresa, a falha identificada já foi solucionada, e os produtos ainda presentes nos pontos de venda já estão sendo recolhidos.
A empresa solicita que os consumidores verifiquem o produto já adquirido e, caso se trate do lote mencionado, não o consumam e entrem em contato gratuitamente pelo SAC (0800 707 0044), das 8h às 20h, ou pelo e-mail (sac@ades.com.br).

Caso Toddynho

A Pepsico fechou no ano passado um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul e aceitou pagar R$ 420 mil ao Estado por danos decorrentes da venda, em 2011, do achocolatado Toddynho contaminado com detergente.

Em setembro de 2011, alguns lotes da bebida saíram da fábrica contaminados com detergente. Pelo menos 39 notificações de suspeita de intoxicação provocada pelo consumo do produto em 15 cidades foram recebidas pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul.
A comercialização dos produtos da marca chegou a ser suspensa por duas semanas.
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Recall de fermento, peru e camisinha; veja casos incomuns14 fotos

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Em abril deste ano, o governo dos EUA ordenou o recolhimento de um dispositivo médico que deixou partículas de tungstênio dentro dos seios de mulheres; o dispositivo, conhecido como Axxent FlexiShield Mini, consiste em um implante composto de tungstênio e silicone Leia mais Marcelo Justo/Folha Imagem

Após contaminação, Anvisa suspende produtos com soja da marca Ades

  • Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e consumo, em todo o território nacional, de todos os lotes de vários produtos da marca Ades por "suspeita de não atenderem às exigências legais e regulamentares" do órgão.

A medida, válida para todo o território nacional, engloba todos os sabores do produto. De acordo com a Anvisa, o consumidor que tiver adquirido os produtos não deve consumi-los.

"Apesar de a Unilever já ter realizado o recall do lote do produto com sabor maçã (96 unidades, segundo informações da empresa), a Anvisa decidiu suspender todos os lotes de todos os sabores, produzidos na linha de produção em que foi identificada a falha, até que a Agência tenha mais informações sobre a verdadeira extensão do problema", disse a Anvisa em nota.
A Unilever se posicionou sobre a suspensão imposta pela Anvisa afirmando que apenas os lotes com o suco de maçã anunciados na semana passada tiveram contaminação (lote com as iniciais AGB 25, fabricado em 25/02/2013, com validade até 22/12/2013).
Em nota, a empresa considera que "todos os demais produtos Ades não correspondentes aos lotes com iniciais 'AG'" estão em "perfeitas condições para consumo".  Mas, obedecendo à ordem da Anvisa, a empresa informou que já iniciou a retirada dos produtos do mercado.
A Unilever afirmou que está passando à Anvisa todas as informações necessárias para tentar revogar a proibição da venda da bebida.

Anvisa vai fiscalizar fábrica com problema

De acordo com a Anvisa, está programada para esta segunda-feira (18), uma inspeção sanitária na fábrica da empresa em Pouso Alegre (MG), na qual serão verificadas as condições de produção do alimento.

A medida foi publicada hoje no Diário Oficial da União (DOU). A Anvisa não informou por quanto tempo vale a suspensão.

A suspensão abrange todos os lotes dos seguintes produtos:
  • sabor abacaxi (embalagem de 1 litro);
  • cereais com mel (1 litro); 
  • chá verde com tangerina (1 litro);
  • chá verde com limão (1 litro);
  • chocolate clássico (1 litro);
  • chocolate com coco (1 litro);
  • frapê de coco (1 litro);
  • laranja (1 litro), (1 litro promocional, leve 1 litro pague 900 ml), (1,5 litro); 
  • maçã (1 litro), (1 litro promocional, leve 1 litro pague 900 ml), (1,5 litro);
  • manga (1 litro);
  • maracujá (1 litro);
  • melão (1 litro);
  • morango (1 litro);
  • original (1 litro), (1,5 litro);
  • pêssego (1 litro);
  • shake morango (1 litro);
  • uva (1 litro), (1 litro promocional, leve 1 litro pague 900 ml), (1,5 litro);
  • vitamina banana (1 litro);
  • zero frapê de coco (1 litro);
  • zero laranja (1 litro);
  • zero maçã (1 litro);
  • zero original (1 litro);
  • zero pêssego (1 litro);
  • zero vitamina banana (1 litro);
  • zero uva (1 litro).
Ainda de acordo com a Anvisa, "caso seja verificado que o problema tenha, de fato, sido solucionado  e que não atingiu outros lotes e sabores, os produtos poderão ser, novamente, liberados".

Na semana passada, recall de Ades de maçã de 1,5 litro

Na semana passada, a Unilever já tinha anunciado um recall por contaminação com produtos de limpeza. A empresa alertou que a ingestão da substância poderia provocar queimaduras.
De acordo com a empresa, cerca de 96 unidades do produto estavam impróprias para o consumo humano (lote com as iniciais AGB 25, fabricado em 25/02/2013, com validade até 22/12/2013). As embalagens com o produto contaminado foram distribuídas nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.
A empresa solicitou que os consumidores verificassem o produto já adquirido e, caso se tratasse do lote mencionado, não o consumissem e entrassem em contato gratuitamente pelo SAC (0800 707 0044), das 8h às 20h, ou pelo e-mail (sac@ades.com.br).
O telefone do SAC estava instável na tarde desta segunda-feira. O UOL tentou entrar em contato e não conseguiu. Em algumas tentativas, ficou mudo, em outras a ligação não foi atendida. Um leitor relatou que ouviu uma mensagem de que o número "foi desativado".
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Veja casos de alimentos impróprios para consumo21 fotos

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20.mar.2012 - Franquia da rede McDonald"s do shopping Praia de Belas, zona sul de Porto Alegre, é interditada após a Vigilância Sanitária vistoriar o local e encontrar sujeira e insetos, incluindo baratas Leia mais Thomas Peter/Reuters

Projeto quer permitir ingresso de aluno em universidade sem concluir ensino médio

Da Agência Câmara de Notícias
A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 4870/12, que permite a estudantes maiores de 16 anos de idade, aprovados em processo seletivo para universidades públicas, ingressar na graduação, mesmo que não tenham terminado o ensino médio. A condição prevista pelo texto do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) é a conclusão do segundo ano.
Atualmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - 9.394/96) exige que o aluno tenha concluído o ensino médio para ingressar na universidade. Patriota argumenta que a lei não acompanhou a evolução dos processos seletivos, e essa exigência não faz mais sentido. “Se o estudante logrou êxito em processo seletivo para universidade pública, não merece ter sua aprovação frustrada”, argumenta.

Maturidade

Para o deputado, a aprovação mostra que o candidato está completo o suficiente para ingressar na graduação. “Esse aluno não merece perder uma conquista tão difícil e importante pelo fato de não ter concluído uma etapa que já demonstrou ter superado”, acrescenta.
Ainda segundo o parlamentar, a lei atual é constantemente questionada na Justiça por candidatos aprovados que não terminaram o nível médio. Na maioria das vezes, os juízes decidem em favor do aluno. “Somente para a Universidade de Brasília [UnB] encontramos 600 ações decididas a favor dos requerentes que pleiteavam uma vaga”, relata.

Tramitação

O projeto tramita em conjunto com o PL 6834/10, que tem caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Conheça histórias de gente que se superou25 fotos

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Nascida em 5 de maio de 1998, Nathaly Gomes Tenório, 14, se tornou a mais jovem estudante da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). Após conseguir boas notas no Enem 2012, ela recorreu à Justiça para ter o direito de se matricular em artes visuais Leia mais Gerson Oliveira/Correio do Estado

sábado, 16 de março de 2013

A igreja 'não funciona mais', afirma d. Claudio Hummes


D. Cláudio (à dir.) durante apresentação do papa Francisco, no Vaticano



Sucessão Papal Apontado como o cardeal brasileiro mais próximo do novo papa, dom Claudio Hummes, 78, diz que a igreja "não funciona" do jeito que está e pede mudanças em toda sua estrutura.
Na sua apresentação ao mundo, Francisco convidou dom Cláudio, arcebispo emérito de São Paulo, a ficar do seu lado no balcão da basílica de São Pedro.
Emocionado com o convite e com a homenagem ao fundador de sua ordem, o franciscano d. Cláudio disse à Folha que a escolha do nome é por si só uma encíclica.
O ex-bispo de Santo André disse ainda que as acusações de que o novo papa colaborou com a ditadura militar argentina são "grande equívoco, senão uma falsificação".
*
Folha - O sr. foi convidado pelo papa Francisco a estar ao seu lado na primeira aparição. Como é a relação entre vocês?
D.Claudio Hummes - Nós nos conhecemos de tantas oportunidades, porque fui arcebispo de São Paulo, e ele, arcebispo de Buenos Aires. Mas sobretudo foi em Aparecida (SP) onde estivemos mais tempo trabalhando juntos, na 5ª Conferência Latino-americana, em 2007. Existia ali a comissão da redação, a mais importante porque ali que se formulava o documento para depois ser votado. Ele era o presidente, e eu, um dos membros. Admirei muito a sua sabedoria, serenidade, santidade divina, espiritualidade. Muito lúcido e muito pastoral, grande zelo missionário, de querer que a igreja seja mais evangelizadora, mais aberta.
Como foi o convite para o balcão?
Quando se começou a organizar a procissão da Capela Sistina para o balcão na praça, ele chamou o cardeal Vallini, que faz as vezes do bispo de Roma, o vigário da cidade, e me chamou também. Disse: "D.Cláudio, vem você também, fica comigo neste momento". Disse até: "Busca o teu barrete [chapéu eclesiástico]", bem informalmente. Fui lá buscar o meu barrete e estava todo feliz....
Porque não é o costume, quem vai junto são os cerimonários, nunca tem cardeais com o papa, eles estão nos outros balcões. E o fato de que ele nos convidou acabou rompendo um monte de rituais. Mas foi realmente, para mim, muito gratificante. E também pelo fato de ele ter recém-escolhido o nome de Francisco. Eu sou franciscano, então isso me envolvia muito pessoalmente.
Como o sr. interpreta esse gesto?
Como um gesto pessoal dele, muito espontâneo, muito simples. Não sei quais os significados que ele queria dar. Eu digo que fiquei muito feliz, estava ali com o primeiro papa chamado Francisco.
O papa recusou a limusine, foi pagar a conta do hotel....
São gestos simples, mas que mostram quem ele é e como ele vê as coisas. A minha maravilha foi que esses gestos foram compreendidos pelo povo simples e pela mídia. A mídia também interpretou esplendidamente, entendeu as mensagens que o papa queria dizer.
Qual é o significado de ter um papa de fora da Europa depois de mais mil anos e além disso latino-americano?
Os outros papas que não foram exatamente europeus vinham da região do Mediterrâneo. Nesse sentido, era a Europa da época, era uma grande realidade geopolítica.
Mas o fato de que hoje venha um papa de fora da Europa tem um significado muito grande porque mostra o que a igreja sempre tem dito: a igreja é universal, para a humanidade. Não é para a Europa.
Ter um papa é o sinal maior. É o gesto de dizer: o papa pode vir de qualquer parte do mundo.
Também acho importante que tenha vindo da periferia ainda pobre, emergente. Isso é uma confirmação para todos os católicos de lá: "Nós temos um papa que vem daqui".
E não só para os católicos, até os países se sentem muito mais em pé de igualdade com os outros.
São Francisco também é lembrado pela missão de reformar a igreja como um todo. A escolha do nome também tem essa abrangência?
Certamente, para o papa, o nome é todo esse programa. Hoje, a igreja precisa, de fato, de uma reforma em todas as suas estruturas. Organizar a vida da igreja, a Cúria Romana, que tanto se falou e que precisa urgente e estruturalmente ser reformada, isso é pacífico entre nós. Porém uma coisa é entender que precisa ser feito e outra coisa é fazê-lo.
Será uma obra gigantesca. Não porque seja uma estrutura gigantesca, mas por um mundo de dificuldades que há dentro de uma estrutura como essa, que foi crescendo nos últimos séculos.
Alguém disse já que a escolha do nome Francisco já é uma encíclica [mensagens do papa à igreja], não precisa nem escrever. Isso é muito bonito, é muito promissor.
Em que sentido a reforma é necessária?
Não é só da Cúria, são muitas outras coisas: o nosso jeito de fazer missa, de fazer evangelização, essa nova evangelização precisa de novos métodos. O papa falou no encontro com os cardeais sobre novos métodos, nós precisamos encontrar novos métodos.
Mas se falou sobretudo da Cúria Romana, que precisa ser reformada estruturalmente. É muito grande, mas tudo isso precisa de um estudo, a gente não tem muitas coordenadas.
Muitos dizem que é grande demais, que foi feito um puxadinho aqui, um puxadinho lá, mais uma sala aqui, mais uma comissão lá, mas essa aqui não tem suficiente prestígio.... Essas coisas todas que acontecem numa estrutura dessas.
A igreja não funciona mais. Toda essa questão que aconteceu ultimamente mostra como ela não funciona. E depois, uma vez feito esse novo desenho, você tem de procurar as pessoas adaptadas para ocuparem esses cargos, esses serviços.
Reza a lenda de que o papa Francisco não gosta de vir a Roma, que sua formação foi longe daqui. Isso contribuiu para a sua escolha?
Não sei se contribui para a sua escolha, mas contribui agora, que ele é papa, a ser mais independente, a ser uma visão mais objetiva. É muito diferente ver um jogo da arquibancada e ver um jogo jogando futebol. Ele não jogou futebol. Vai ajudar, certamente.
Mas ele também vai ouvir pessoas que jogaram, porque é importante ouvir do jogador como ele viu o jogo e quais são as necessidades dentro da forma como se joga.
Continuando a metáfora, o sr. jogou aqui por quatro anos e já foi convocado por ele. O que o sr. pode dizer a ele sobre o que precisa ser feito?
Se um dia me perguntarem sobre isso... Claro, todos nós já falamos sobre isso nas congregações gerais [reuniões pré-conclave], em que ele estava presente. E estamos disponíveis sempre pra ajudar e precisamos ajudar. Os cardeais são o conselho que deve ajudar o papa.
Há relatos na imprensa argentina sobre o envolvimento --por omissão ou colaboração-- do papa Francisco com a ditadura militar. O que tem sr. pode falar sobre isso?
Certamente, isso não é real. Pode ser que alguém tenha se equivocado em certos discernimentos, mas conhecendo toda a pessoa dele.... Não conheço os detalhes, mas, conhecendo a pessoa, nem é possível imaginar isso. Ele é um homem extremamente dos pobres, dos direitos da gente, dos mais simples, dos mais oprimidos, dos mais humilhados, ele é um exemplo de defesa, de estar junto dos pobres.... É inimaginável. Tenho certeza de que tudo isso de fato é um grande equívoco, senão uma falsificação.
A igreja no Brasil, incluindo o sr., teve um papel muito importante na defesa dos direitos humanos durante a ditadura. Como isso se deu na Argentina, sem levar em conta o papa Francisco?
As igrejas pelo mundo afora tiveram as suas próprias avaliações e seu próprio modo de ser. Não me sinto autorizado para fazer um juízo sobre a igreja nesse ou naquele país.
Fala-se muito que a herança da Teologia da Libertação para a igreja na América Latina é o discurso em favor dos pobres. No caso do papa Francisco, qual é a relação dele com esse movimento?
Basta olhar como ele foi arcebispo em Buenos Aires e o documento de Aparecida, que diz tudo isso. Ele está nessa linha, certamente. Se a gente quer descobrir qual é a linha dele de pastoral social, de relação com os pobres, nós vamos encontrá-lo lá, sim.
A Teologia da Libertação foi uma fase histórica que, obviamente, tem essa questão da consciência que temos dos pobres e da necessidade de sermos solidários em termos construtivos da justiça social. Tudo isso a Teologia da Libertação também reforçou.
Eu acho que hoje, se a gente quer ver como as pessoas se relacionam com esse passado, é preciso olhar os documentos de hoje. Senão, você começa a transportar o passado, que não é mais uma resposta para hoje. O mundo já mudou, e as respostas são diferenciadas.
A primeira viagem do papa deve ser ao Brasil, onde a igreja enfrenta desafios muito grandes, como a evasão de jovens e o avanço das igrejas neopentecostais. O sr. tem uma ideia do que o papa pretende orientar sobre o futuro da igreja no país?
Ainda não transpirou nada sobre as mensagens que ele vai levar, mas a gente sabe, tem certeza de que ele vai falar, em primeiro lugar, da importância dos jovens, de que devemos estar do lado dele, devemos ser compreensíveis. Ele quer que a igreja seja compreensiva, misericordiosa, saiba caminhar juntos e que isso é um percurso que tem de fazer, não se pode exigir que amanhã alguém já seja um cristão perfeito. É um caminho, um processo.
É dar a certeza aos jovens de que a igreja os entende e quer acompanhá-los e também quer mostrar a luz. Quer dizer: "Prestem atenção, existe, sim, um sentido para a vida, existe alguém pelo qual vale a pena viver e dar a vida. Há alguém, que é Jesus Cristo, ele é uma luz que vocês deveriam seguir." Isto é, não deixar de mostrar o caminho, mas, ao mesmo tempo, ser compreensivo de onde o jovem ainda está nesse caminho.
E depois a nova evangelização certamente será um outro tema forte dele.
Desde o Concílio Vaticano 2º, há um grande esforço para o diálogo interreligioso, principalmente com as religiões mais antigas. No caso da América Latina, como é o diálogo neste momento entre a igreja e o neopentecostalismo, que não para de crescer?
O diálogo ecumênico com as outras igrejas cristãs não católicas existe de forma muito forte, sobretudo a partir do Concílio Vaticano 2º. Com as grandes igrejas: ortodoxa, oriental, as igrejas protestantes de origem luterana, calvinistas, que são igrejas históricas. Mesmo com o judaísmo, há um grande diálogo. E também com o islamismo, mas isso é outro setor porque, para eles, Jesus Cristo não é como para nós cristãos. Esse diálogo é lento, mas vai caminhando.
Com as igrejas neopentecostais, onde existe muito uma teologia da prosperidade, se dá muito acento ao exorcismo, ao dízimo e coisas assim, elas se diferenciam das igrejas pentecostais. Mas tanto uma com a outra são muito semelhantes. Com elas, é mais difícil, porque muitas delas simplesmente não aceitam o diálogo, mesmo se nós quiséssemos dialogar. Porque não aceitam pensar numa unidade um dia. E muitas vezes são agressivamente anticatólicas, então é muito complicado.
O sr. já é emérito, mas vai ficar no Vaticano em alguma função?
Não, não, eu vou ficar aqui até o dia 22, vou participar da cerimônia pública religiosa e vou participar de uma reunião no dia 21. E aí volto para os meus trabalhos.
Há relatos na imprensa italiana de que o sr. contribuiu durante o conclave para eleger o papa Francisco. O sr. confirma?
Tudo o que aconteceu dentro do conclave, eu não posso falar.
Voltando ao seu trabalho na cúria, de 2006 a 2010, na Congregação para o Clero, houve uma entrevista em que o sr. falava que o celibato era uma questão disciplinar e que, por isso, estava aberto à discussão. O sr. teria sofrido uma reprimenda quando chegou ao Vaticano. Está na hora de questões como celibato e a ordenação de mulheres serem menos ortodoxas?
Isso de reprimenda, você é quem está dizendo. Eu apenas digo que todas essas questões, todos esses desafios hoje, grandes questões que estão aí em aberto, a igreja não se fecha a discutir aquilo que é necessário ser discutido, ser aprofundado. E isso significa uma igreja capaz de dialogar, capaz de ouvir, capaz de aprofundar, discutir e procurar caminhos. É o que ela vai fazer, certamente.
E esse papa é muito aberto a ouvir. Ele mesmo disse que quer ouvir o mundo, e não só os cardeais e os bispos.



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