sábado, 23 de fevereiro de 2013

Está difícil acordar cedo? Médica dá dicas para contornar o problema

 Como ninguém se prepara para voltar a acordar cedo no fim das férias ou dos feriados, é comum sentir os efeitos da privação de sono ao retomar a rotina

Com o fim das férias e o retorno do Carnaval, muita gente sofre para voltar à rotina de dormir e acordar no horário, em especial os adolescentes. Em alguns casos, o problema é crônico e chama-se "síndrome do atraso na fase de sono".
"Naturalmente, o adolescente tem uma tendência a dormir e acordar mais tarde", explica a neurologista Ana Karla Smith, do Instituto do Sono de São Paulo. A causa disso, segundo ela, é hormonal.
Como ninguém se prepara para voltar a acordar cedo no fim das férias ou dos feriados, é comum sentir os efeitos da privação de sono quando a rotina volta ao normal: falta de concentração e irritabilidade são alguns sintomas.Em alguns casos, o prejuízo é muito grande: a pessoa começa a faltar em compromissos, sente muita sonolência durante o dia e perde produtividade no trabalho ou na escola. Se o problema persiste por mais de 30 dias, os especialistas consideram que se trata da síndrome.Adaptar o relógio biológico à rotina inclui mudanças graduais, conta a especialista: a cada semana, a pessoa deve dormir alguns minutos mais cedo. Também é preciso controlar os estímulos à noite: TV, internet e exercícios físicos devem ser deixados de lado perto da hora de dormir.

Trabalho noturno e alimentação em horário irregular prejudicam a saúde 4



O trabalho noturno e a alimentação em horários irregulares se apresentam como perigos reais à saúde, assim como a obesidade, o transtorno metabólico e o diabetes, segundo um artigo publicado nesta quinta-feira na revista Current Biology.

Os pesquisadores, liderados por Shu-qun Shi, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Vanderbilt (Tennessee), descobriram que a ação da insulina sobe e baixa de acordo com o ritmo circadiano de 24 horas.

"Muitos processos fisiológicos possuem ritmos próprios de dia e noite, incluído o comportamento da alimentação, do metabolismo de lipídios e carboidratos e do sonho", revelou o artigo, que também indicou que estas oscilações diárias controlam o chamado "relógio circadiano" biológico.

O transtorno da sincronia no ritmo circadiano, que é uma das características do trabalho em jornadas noturnas, o desajuste que ocorre durante longas viagens de avião e os transtornos nas horas de sono "podem ter efeitos significativos sobre a regulação do peso corporal e sobre a homeostase de glicose e lipídios", acrescentou o estudo.

Os experimentos feitos com cobaias mostraram que, quando os animais não podem manter uma regularidade, o ciclo circadiano gira em torno de em uma modalidade resistente à insulina e propensa à obesidade.

"Estávamos acostumados a crer que algumas coisas eram tão importantes que deviam ser constantes", comentou Carl Johnson, do Departamento de Fisiologia e Biofísica da universidade citada e um dos idealizadores do estudo.

"Agora, nós sabemos que estes pontos-chaves do metabolismo mudam em função da hora do dia", acrescentou o pesquisador.

As cobaias normais se tornam resistentes à insulina durante o dia quando em geral estão dormindo, da mesma forma que a maioria dos animais sonâmbulos.

Os pesquisadores interferiram nessa regularidade, seja por defeito genético ou pela exposição constante à luz, e fizeram com que os ratos perdessem a noção das horas.

"Desde Claude Bernard, no século XIX, o conceito de homeostase como manutenção de um ambiente interno constante esteve profundamente enraizado em nossa ideia de como funcionam os organismos", descreveram os pesquisadores.

Mas, de acordo com o estudo, este é um conceito errado pela simples razão de que o ambiente do animal segue seu próprio ritmo diário. "A evolução favorece os organismos que possuem uma ótima resposta ao ambiente, e esta é rítmica", apontou Johnson.

Por isso, a ação da insulina e o metabolismo do açúcar no sangue estão vinculados à hora do dia e aos mecanismos internos que levam em conta essas horas.

Isto representa um problema para os humanos que vivem em um ambiente no qual manipulam a luz disponível às horas de provisão de comida abundante.

"As dietas mediterrâneas, nas quais a principal refeição do dia é feita ao meio dia, provavelmente sejam as mais sadias", declarou Johnson, que acrescentou que os jantares devem ser mais leves e que os lanches após o jantar não é tão indicado.

Professorinha Helena nua na internet ainda preocupa os pais de fãs Carrossel



Quando os diretores da versão brasileira da novela infantil Carrossel, do SBT, escalaram a intérprete da Professorinha Helena, nunca imaginaram que o passado artisticamente corajoso da atriz Rosanne Mulholland iria causar tanto constrangimento e até mesmo esbarrar numa polêmica sobre formação pedagógica.
Em Carrossel, ela é uma professora bondosa, doce e ética, idolatrada pelos seus alunos, uma heroína quase mitificada, mas fora da novelinha há um vasto material disponível na internet que exibe a protagonista nua ou em situações sensuais, fruto de trabalhos anteriores da atriz. 
No filme de José Eduardo Belmonte, A Concepcão (2005), ela aparece fazendo sexo com dois homens e em um beijo lésbico. Em Falsa Loura (2007), dirigido por Carlos Reichenbach, a moça se mostra em um nu frontal logo após ir para a cama com um menino de 14 anos.
Essas cenas estão disponíveis no Google e acabam criando situações embaraçosas para os pais das crianças fãs da novelinha, que usam com exaustão esse mecanismo de busca. A dona de casa Luciana Ezarani, 31 anos, confessou ao Virgula Famosos que descobriu as fotos da atriz nua, impressas da internet, dentro do álbum de figurinhas da novela Carrossel que ela havia dado ao seu filho G.S.E., de 7 anos. Janaina Carla Damasceno, 27 anos, uma professora do ensino fundamental na vida real, admitiu temer a “falta de respeito” a ela pelos alunos que descobrirem a “vida dupla” da professorinha Helena. 
Ao depararmos com essas questões, conversamos com a psicóloga Eunice Albano, 51 anos, com o intuito de desvendar o quanto a imagem de uma "professora" que aparece nua na internet vai interferir negativamente na formação da criança. “A imagem da professora na visão infantil funciona como um mito e os mitos ajudam a dar a maturidade necessária para enfrentar os desafios futuros”, afirma a psicóloga. E continua: “Depende de como essa criança está sendo preparada para lidar com a nudez nesta família, se como tabu será sim um problema, se como parte natural da vida, a criança passará incólume a isso”.
Já sobre o respeito em sala de aula, entre "aluno e professor", o Virgula Famosos buscou o parecer da pedagoga Camila Del Dono, 29 anos, que nos disse: “Por ainda necessitar de alguns elementos concretos para desenvolver suas aprendizagens, as crianças acabam sim por associar as imagens da professora que lhe dá aula, com a imagem da professora Helena de Carrossel. É importante estabelecer com as crianças uma relação entre aquilo que é real e aquilo que elas veem na televisão”. Apontando uma solução para a polêmica, a pedagoga sugere: “Talvez seja interessante a escola e a família realizarem um painel para os alunos conhecerem as profissões e quais atividades são realizadas dentro de cada uma delas, e assim explicar quais são as funções de uma atriz”.
Na reta final da novela com seus altos índices de audiência e esta instigante discussão relembra que Silvio Santos, 82 anos, o dono do SBT (portanto quem dá o aval para a escolha de seus funcionários), sabia do risco, pois ao receber a atriz Rosanne Mulholland em seu programa Jogo das Pistas, assim que ela foi escolhida para viver o papel de Helena fez a pergunta em tom de piada: “Você fez 11 filmes, e nesses filmes você já fez alguma cena muito ousada?” E ela responde “Já!” Então ele completa: “E como é que agora você vai ser a Professorinha Helena?” com os risos do auditório. Silvio encerra: “Olha só, com vocês a nova Professorinha Helena!” e segue seu programa.
O que se sabe é que Carrossel é a telenovela do SBT de maior audiência nos últimos 11 anos, e que Rosanne foi alçada ao estrelato com um trabalho elogiado e que por uma ou outra razão as crianças adoram: a Professorinha Helena. “Eu [a] amo muito e gostaria de ter uma [professora] igual. Na minha escola não existe ninguém tão linda e tão amorosa como ela” encerra nossa reportagem especial a menina A.L.D., de 9 anos.

Papa não sabia mais em quem confiar após escândalo, diz número dois do Vaticano



Após o escândalo do vazamento dos documentos confidenciais da Santa Sé, o papa Bento 16 tinha a impressão de não ter mais pessoas de confiança ao seu redor. Foi o que disse o  número dois da Secretaria de Estado do Vaticano, Angelo Becciu, ao jornal italiano "La Stampa" ao relembrar a gravidade do caso Vatileaks, que ganhou ainda mais notoriedade com o anúncio da renúncia do pontífice.

ENTENDA O PROCESSO SUCESSÓRIO DO PAPA

Quando o chefe da Igreja Católica renuncia a sua função ou morre, seu sucessor é eleito pelos cardeais reunidos em conclave na Capela Sistina, onde ficam isolados do mundo exterior.

Cinco cardeais brasileiros deverão participar do conclave que se reunirá para eleger o sucessor do papa Bento 16. Segundo a última lista do Vaticano, há um total de 116 cardeais aptos a votar no conclave.

Para poder votar na escolha do papa, o cardeal precisa ter menos de 80 anos. O Brasil tem um total de nove integrantes no Colégio Cardinalício do Vaticano, mas quatro deles já ultrapassaram a idade limite.
"Foi o momento mais difícil, as pessoas ficaram chocadas e indignadas com o vazamento que causou muita dor ao papa", afirmou ele.
Um relatório de 300 páginas encomendado pelo pontífice com o detalhamento das investigações devem ser repassados aos cardeais antes do conclave, que vai eleger o novo papa. 
Apesar de o conteúdo do relatório ser secreto, o jornal "La Repubblica" revelou que o documento descreve as lutas internas pelo poder e pelo dinheiro, assim como o sistema de chantagens internas baseadas em fraquezas sexuais, o chamado "lobby gay" do Vaticano.
 
Sob o título "Não fornicarás, nem roubarás, os mandamentos violados no relatório que sacudiu o Papa", o jornal italiano informou ainda que o relatório relata a existência de uma "rede transversal unida pela orientação sexual". "Pela primeira vez, a palavra homossexualidade foi pronunciada no apartamento papal", afirma o jornal.
 
Durante oito meses, conforme o "La Repubblica", os cardeais interrogaram diversos religiosos, dividindo-os por congregação e nacionalidade, e estabeleceram que existem vários grupos de pressão dentro do Vaticano, entre eles um sujeito a chantagem, a "impropriam influenciam" por sua homossexualidade.
 
Outro grupo se especializava em montar e desmontar carreiras dentro da hierarquia vaticana. Já o terceiro e último aproveitava para utilizar recursos multimilionários para seus próprios interesses à sombra da cúpula de São Pedro através do banco do Vaticano, de acordo com a publicação.
 
O jornal chegou inclusive a relacionar a existência do documento com à renuncia de Bento 16, que se convenceu de que um sucessor mais jovem, forte e enérgico era o melhor indicado para fazer a limpeza na milenar instituição.
 
A previsão é que Bento 16 encontre um espaço em sua agenda nos próximos seis dias para se reunir com os cardeais para comunicá-los sobre o conteúdo do relatório antes mesmo do conclave, que vai eleger o novo papa. Ainda não se sabe quando a reunião de cardeais eleitores terá início. Mas espera-se que o próximo pontífice seja conhecido até a Páscoa, no final de março.

Gasto com filho até os 21 anos chega a R$ 1 milhão

Estudo estima gastos até os 21 anos do futuro herdeiro. Valores consideram custo com alimentação, educação, saúde e lazer

Rio - Quem pensa em ter filhos pode se preparar para desembolsar de R$ 200 mil a R$1 milhão ao longo dos 21 anos iniciais do herdeiro. Os valores consideram gastos básicos com alimentação, educação, saúde e lazer, dependendo da disposição de investimento e da renda mensal dos pais. No caso de dois filhos, o custo até mesma idade fica acima de R$ 1,7 milhões. Para cuidar de três, R$2,5 milhões.

Segundo o responsável pelo estudo, o professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e presidente do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), Adriano Maluf Amui, a família que gasta em torno de R$200 mil com um filho tem renda mensal de até R$ 2 mil. O desembolso de R$1 milhão é de família com renda acima de R$25 mil por mês.
Pensando no futuro, Caroline e Paulo Lacativa já fizeram até previdência privada | Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia

Na hora de fazer as contas, é preciso levar em consideração as despesas essenciais, os gastos dispensáveis e, no longo prazo, a necessidade de uma poupança. Na opinião do educador financeiro e presidente da consultoria DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos, o ideal é que o custo do filho não ultrapasse 30% da renda média líquida do casal. Do contrário, o padrão de vida pode mudar drasticamente.

Com planejamento, especialistas mostram que é possível fazer um cálculo aproximado das despesas com o filho em cada fase da vida dele, da gestação à vida adulta. Entram na conta, também, gastos não previstos, como festas de aniversário e passeios. E, se o orçamento apertar, há duas alternativas: fazer dívidas ou rever prioridades com o supérfluo.

É dessa maneira que Paulo e Caroline Lacativa, casal de médicos, lida com a criação de Marina, de um ano, e Júlia, 4. Eles cortam os presentes fora de época, deixando-os somente para datas comemorativas durante o ano. Compras, só por necessidade. Afinal, há gastos em torno de R$2,5 mil por mês com creche de uma das meninas, além de alimentação, roupas, balé e capoeira.

“Em compensação, viajamos uma vez a cada semestre. É uma maneira de sair da rotina e poder passear com elas”, conta Paulo Lacativa. Quem também se organiza financeiramente é Gilsenberg Bittencourt, 33, pai de Gabriel, 9: “A gente fica apertado em algumas situações, mas vale a pena ver o filhão crescer feliz”.

No crescimento, orientação financeira deve ser frequente

Para a psicóloga Andreia Calçada, “orientação” deve ser a palavra predominante na relação entre pais e filhos quando o assunto é dinheiro. Mesmo com mesadas, a dica é sempre acompanhar o comportamento dos futuros herdeiros com os gastos durante a vida.

“Parece complicado, mas é possível educar desde cedo”, afirma. Segundo a especialista, se a criança é mal acostumada a ter tudo quando pede, a criança faz pirraças quando recebe a negativa. O indicado, ela diz: “Explicar para o filho que está sem dinheiro no momento ou enrolado com outras pendências. Precisa ser um diálogo aberto sobre isso”.

À medida que o filho cresce, os pais também precisam se monitorar. “Não pode associar o afeto à compra, como presentear sempre que a criança está triste”, alerta a psicóloga.

A partir de 10 anos, é comum que pais deem algum trocado para filhos saírem ou comprarem algo. Andreia Calçada sugere que esse seja um momento decisivo para começar a dar orientações financeiras, sempre estipulando limites com gastos e observando de perto os filhos.

“É preciso entrar no ‘jogo’”, diz. A psicóloga recomenda que esse acompanhamento deve ser cauteloso para manter boa relação no crescimento deles.

CRIAÇÃO X GASTOS

TUDO COMEÇA NA GESTAÇÃO

Confirmada a gravidez, surgem os primeiros gastos. “O casal começa a pensar na decoração do quarto e na compra de roupas, fraldas e itens de higiene”, enumera o educador financeiro Reinaldo Domingos, da consultoria DSOP. O chá de bebê é a primeira chance para economizar. Os presentes devem ser calculados conforme a quantidade necessária. Além disso, ultrassom, coleta de sangue do cordão umbilical e exame de audição também têm seu preço.

NASCIMENTO

“Os pais nunca se lembram da festa de aniversário, que pode ter bufê e palhaço, e das festas de amiguinhos, que demandam a compra de presentes”, lembra Domingos. Ele orienta que tais gastos podem ser compensados com uma reserva financeira. Se as despesas imprevistas não couberem no bolso, o melhor é optar por alternativas mais baratas, como fazer a festa em casa. Nessa fase, alguns gastos essenciais são: berço, fraldas, roupas, carrinho e vacinas. Decoração, babá eletrônica e festa em bufê, por exemplo, são opcionais.

AGORA JÁ É CRIANÇA

De acordo com Adriano Maluf Amui, responsável pelo estudo, nessa etapa é comum que os pais queiram levar os filhos para viagens dentro ou fora do país ou até extravasar nos presentes. “O ideal é que tudo isso aconteça a partir dos sete anos. O filho vai poder desfrutar mais da experiência”, afirma. Alguns gastos essenciais são: escola, material escolar, uniforme, saúde, alimentação, roupas e transporte escolar. Aparelhos eletrônicos (videogames, celulares, tablets), viagens e cursos livres (como idiomas e esportes), são opcionais.

DE JOVEM À VIDA ADULTA

Até os 21 anos, prepare-se para cursos, entretenimento, autoescola e faculdade. Os gastos são mais ‘salgados’, mas o filho já começa a pensar em construir o próprio futuro.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Gil Rugai é condenado pelas mortes do pai e da madrasta em São Paulo


Gil Rugai é condenado pelas mortes do pai e da madrasta em São Paulo


Após quase nove anos, Gil Rugai foi condenado nesta sexta-feira (22) pelas mortes do pai, Luiz Carlos Rugai, e da madrasta, Alessandra de Fátima Troitino, em São Paulo no dia 28 de março de 2004. A sentença ainda será lida pelo juiz, no entanto, a informação foi confirmada pela assessoria do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). É o magistrado quem faz a dosimetria da pena e decide quantos anos o réu ficará preso pelos crimes.
Segundo o promotor do caso, Rogério Zagallo, quatro jurados votaram pela condenação por duplo homicídio e um pela absolvição --os votos param de ser lidos quando já há maioria--, já o agravante de motivo torpe (supostamente por ter sido demitido da empresa do pai após desfalques) ficou em quatro a três. "Missão dada é missão cumprida", disse o membro do Ministério Público.
Logo após o Conselho de Sentença decidir sobre o caso, o promotor e o assistente de acusação, Ubirajara Mangini, saíram da sala, se abraçaram e comemoraram a condenação. "Saiu a condenação merecida, justa e adequada. Foi feita justiça", disse Zagallo.

O plenário foi esvaziado por conta de tumulto e ainda não se sabe se as pessoas vão poder acompanhar a leitura da sentença que será feita em breve pelo magistrado Adilson Simoni.
A mãe do réu, Maristela Grego, e o irmão, Léo Rugai, que foi testemunha de defesa durante o julgamento que durou uma semana, deixaram o plenário chorando junto ao advogado Thiago Anastácio e se abraçaram sob aplausos do lado de fora do Fórum Criminal da Barra Funda.
Para a antropóloga Ana Lúcia Pastore Scheitzmeyer, que também foi testemunha arrolada pela defesa, a comemoração do promotor e do assistente de acusação logo após saírem da sala do Conselho de Sentença foi uma quebra de ritos. "Se eu fosse juíza, entraria com uma ação no Ministério Público".
Para a cientista, a atitude do promotor e do assistente, e das pessoas que aplaudiram, foi um desrespeito com todos da família. "Como se decide a vida de uma pessoa como se fosse um circo?", disse.

Debates

Durante a fase de debates, que antecede a decisão do Conselho de Sentença, o promotor Rogério Zagallo surpreendeu o plenário ao anunciar que não faria a réplica a que tinha direito. Ele não informou os motivos de ter abdicado da medida --que o daria uma hora a mais de discurso para tentar convencer os jurados da culpa do réu.
Os debates entre acusação e defesa começaram na manhã de hoje. Cada uma das partes teve 1 hora e meia para falar diretamente com os jurados.
Em sua fala, Zagallo descreveu Gil Rugai como uma pessoa agressiva e de personalidade dupla, a ponto de beirar a psicopatia.
Já a defesa tentou dissociar a imagem do réu à da estudante Suzane Von Richthofen. "O caso Richthofen não é o caso do Gil", disse o advogado Thiago Anastácio.
Em 2006, Suzane foi condenada a 39 anos e seis meses de prisão pelo assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, ocorrido em 31 de outubro de 2002.

Interrogatório do réu

O réu foi interrogado por cerca de quatro horas e meia na quinta-feira (21) e negou que esteve na casa do pai no fim de semana do crime, ou que estava brigado com o empresário na época das mortes, no entanto, admitiu que gosta de munições e que chegou a fazer um curso de tiro, cuja arma usada foi uma pistola 380 --mesmo modelo usado nos assassinatos. Ele também não confirmou que teria desfalcado a empresa do pai, principal motivo apontado pela acusação para os assassinatos.
O réu também contou, durante o interrogatório, que não foi tratado de maneira "muito gentil" pelo delegado que investigou os homicídios, Rodolfo Chiareli. Além disso, uma das principais provas usadas pela promotoria para acusá-lo, a marca de pé na porta do cômodo onde supostamente Luiz Carlos Rugai tentou se esconder, e que uma lesão no pé de Gil Rugai seria compatível com um trauma deste tipo não foi explicada pelo réu. "Eu sei que eu não chutei aquela porta. Eu não estava lá. Como chegou a esta conclusão, eu não sei", disse.
Após 35 minutos de inquirição da promotoria, a defesa do réu o orientou a não mais responder as perguntas da acusação. No momento da interrupção, o réu era questionado se conhecia uma lista de pessoas colocada pelo promotor --entre elas, algumas testemunhas--, bem como se tinha algo contra ou a favor delas. "Não é o momento adequado de fazer seu discurso", disse o advogado Marcelo Feller ao promotor Rogério Zagallo.
O advogado de defesa Marcelo Feller, disse após o fim do interrogatório do réu, durante conversa com jornalistas, que o "verdadeiro suspeito" pela morte do pai e da madrasta do estudante é, na realidade, um assistente pessoal do empresário, Agnaldo Souza Silva. Ele havia sido demitido por Luiz Carlos cerca de um ano antes do assassinato.

Testemunhas

A primeira testemunha ouvida pelo júri foi o vigia da rua em que o casal assassinado morava, denominado apenas como Domingos. Ele afirmou ter "certeza absoluta" que o réu deixara a casa do empresário cerca de 20 minutos após ter ouvido barulho de tiros. Ele foi a única testemunha a relacionar o réu diretamente ao local e dia dos assassinatos. Posteriormente, Valeriano Rodrigues dos Santos, um outro vigia da rua, disse que não viu o ex-seminarista saindo do local do crime.
Os advogados de defesa criticaram a maneira como as perícias foram conduzidas na residência do casal. "A acusação juntou no processo que os pés na porta [da sala onde Luiz Carlos foi morto] eram do Gil com base no depoimento de um sapateiro", disse. Peritos do IC (Instituto de Criminalística) de São Paulo, no entanto, afirmaram que a marca encontrada na sala "encaixa perfeitamente" na imagem sobreposta do pé do jovem.
Já no segundo dia do julgamento, a defesa tentou desqualificar o depoimento do instrutor de voo Alberto Bazaia Neto, testemunha de acusação, que disse ter ouvido o pai de Rugai dizer que tinha "medo" do filho depois de descobrir supostos desvios de dinheiro na empresa. Os advogados do réu mostraram documentos indicando apreensão de drogas no Aeródromo de Itú (SP) --onde fica o aeroclube em que Bazaia Neto é instrutor de voo.
O delegado que investigou o crime em 2004, Rodolfo Chiareli, disse durante seu depoimento que não tem dúvidas de que Rugai foi o autor dos assassinatos, e que a principal evidência encontrada foi o desvio de dinheiro da empresa Referência Filmes, de propriedade de Luiz Rugai, relatado por diversas testemunhas. A hipótese, no entanto, não teve nenhuma prova pericial apresentada pelo delegado, que admitiu não ter pedido um laudo que comprovasse os desfalques na empresa. 
O contador da empresa de Luiz Rugai, Edson Tadeu de Moura, depôs na quarta-feira (20), e também disse não ter como comprovar supostos desvios feitos pelo réu na empresa do pai. 
O irmão de Gil Rugai, Léo Rugai, disse em depoimento não saber se havia ocorrido alguma briga entre o pai e o irmão próximo à data do crime, e afirmou que  "era bastante comum" o irmão ser demitido e readmitido pelo pai. Segundo ele, Gil é inocente.
No penúltimo dia do julgamento, o ex-sócio do réu, Rudi Otto, confirmou ter visto uma pistola com o jovem antes dos assassinatos. Segundo ele, a arma estava em uma pasta que Rugai chamava de "mala de fuga", onde guardava também dólares, veneno e facas.
Indagado pelo promotor sobre as razões para ter desconfiado de Rugai "de imediato" após o crime, a testemunha relatou que o então sócio "estava estranho" na semana anterior aos assassinatos.

Diretor, advogado e ex-funcionária creem que "grosseria" de chefe de UTI em Curitiba pode ter motivado denúncias


Diretor, advogado e ex-funcionária creem que "grosseria" de chefe de UTI em Curitiba pode ter motivado denúncias


O diretor clínico do Hospital Evangélico de Curitiba, o pediatra Gilberto Pascolat, crê ser "extremamente possível" que a personalidade "exigente" e "ríspida" da médica Virginia Helena Soares de Souza possa ter dado origem às denúncias que a colocaram na cadeia, suspeita de "antecipar mortes" na UTI (unidade de terapia intensiva) da instituição, que chefiava desde 2006.
"Ela é uma profissional muito exigente, e por conta disso acabava sendo ríspida com quem não conseguia fazer o que ela achava preciso. Isso pode ter gerado raiva e algum desejo de vingança", falou.
Segundo Pascolat, o hospital já recolheu reclamações quanto à rispidez de Virginia feita por colegas médicos e outros funcionários. "Mas não há uma única queixa de maus tratos a pacientes."
"Há um clima de paranóia, estão fazendo acusações absurdas contra ela, parece haver motivação pessoal", argumentou, referindo-se à onda de denúncias de familiares de pacientes e funcionários do hospital (boa parte delas anônima), na imprensa, que se seguiu à prisão preventiva da médica, na terça-feira (19).
"Ninguém sabe ainda se ela é culpada ou não, mas já há um clima de linchamento. Se alguém sabia que problemas aconteciam há dois anos, por que não veio a público antes dizer? Por que não avisou a direção do hospital?", desabafou. "É bom lembrar que quem sabia e ficou calado pode ser cúmplice de homicídio [se Virginia for considerada culpada]. Quem está falando não percebe que pode estar até se complicando, pois teria testemunhado assassinatos e ficaram quietos."

"Ela era grossa e estúpida. Mas isso não é crime"

Uma ex-funcionária da morgue (setor responsável por recolher os corpos de pacientes que morrem durante o tratamento) do Hospital Evangélico lembra-se de Virginia como uma "pessoa enérgica". "Quando se dizia que ela estava na UTI, já entrávamos com medo. Nunca tive problemas com ela, mas ouvia todos dizeram que era grossa e estúpida, não tinha jeito para lidar com as pessoas", diz a mulher, que deixou a instituição há alguns anos.
"Mas isso não é crime, é?", argumenta. "Nosso contato com os médicos era pouco, mas nunca vi nem ouvi nada que me fizesse suspeitar das mortes que ocorriam na UTI. Mas acredito que muita gente ali no Evangélico não gostava dela (Virginia)."
As declarações de Pascolat e da ex-funcionária da morgue vão ao encontro do que sugeriu o advogado da médica, Elias Mattar Assad, logo que assumiu o caso. "[No Evangélico] Existem duas facções de funcionários lá dentro, mais antigos e mais novos, que não se dão. Há uma guerra fria, ou uma paz fria, lá dentro. Há uma tensão interna muito grande, que pode ter feito aflorar ressentimentos com relação à médica", falou, na terça.

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